Interferência humana reduz diversidade genética de mamíferos e anfíbios

Regiões que sofrem grande interferência humana, aponta estudo publicado na Science, abrigam os mamíferos e os anfíbios com a mais baixa diversidade genética. O dado preocupa porque as mutações no DNA são cruciais para a sobrevivência de uma espécie

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postado em 30/09/2016 07:41

PedroNassar/Mamiraua Institute/AFP
Há 200 mil anos, a evolução de uma única espécie transformaria radicalmente a vida na Terra. Desde o surgimento do Homo sapiens, o mundo vem passando por tantas intervenções que alguns cientistas defendem a adoção do termo antropoceno para definir a era moderna. A partir do momento em que ele começou a andar pelo planeta, uma das alterações ocorridas foi a redução da diversidade genética de mamíferos e anfíbios, segundo um estudo do Centro de Macroecologia, Evolução e Clima da Universidade de Copenhague, publicado na revista Science. Com menos variantes no DNA, esses animais correm sérios riscos de extinção, alertaram os pesquisadores.

“Todos os organismos vivos têm DNA, e são as variações existentes no material genético que vão distingui-los, fazendo com que, por exemplo, o homem seja homem, e não gorila”, explica a portuguesa Andreia Miraldo, principal autora do estudo. “Mas essas mutações também têm um papel muito importante na determinação da identidade de cada organismo — por exemplo, por que existem indivíduos mais altos do que outros, por que uns têm olhos azuis e outros castanhos etc.”, continua.

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Para calcular esse grau de diversificação dentro de uma mesma espécie, os cientistas usaram uma ampla base de dados genéticos que contém o número de mutações em grupos de animais de diversas populações. Depois, eles verificaram a distribuição natural das espécies investigadas e dividiram o mapa múndi em áreas classificadas de acordo com o impacto humano em cada região. “Por fim, identificamos a diversidade das populações em cada uma dessas áreas”, diz Miraldo.

Os resultados indicaram que a variação genética dentro de uma mesma espécie é mais elevada nas zonas tropicais — a região amazônica e a Cordilheira dos Andes mostraram-se as mais diversas nesse sentido, em todo o mundo. Já nas populações de mamíferos e anfíbios que vivem em regiões onde houve maior impacto e transformação por atividade humana, como cidades ou áreas de atividade agrícola, as variantes genéticas são bem mais escassas.

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