Mutação genética explica preferência por alimentos gordurosos

Estudo conduzido na Universidade de Cambridge, no Reino Unido mostra que uma mutação no gene MC4R faz com que indivíduos tenham um paladar reduzido para o açúcar e comam doses exageradas de gordura

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 10/10/2016 06:00

Shi Tou/Reuters
 

 

A predileção por comidas gordurosas em algumas pessoas com sobrepeso ou obesas pode ter uma explicação genética. Um estudo conduzido na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e divulgado na última edição da revista Nature Communications mostra que uma mutação no gene MC4R faz com que indivíduos tenham um paladar reduzido para o açúcar e comam doses exageradas de gordura, ou seja, tenham uma preferência alimentar pré-codificada para uma alimentação insalubre.

“Nosso trabalho mostra que, mesmo se você controlar firmemente a aparência e o sabor dos alimentos, o nosso cérebro pode detectar o teor dos nutrientes”, disse, em comunicado à imprensa, Sadaf Farooqi, coautor do estudo. Farooqi e equipe testaram as escolhas alimentares de 14 indivíduos obesos e que tinham variações raras no gene MC4R — a estimativa é de que essa falha genética acometa uma em cada 100 pessoas com problemas de peso. Também participaram do experimento voluntários magros e obesos que não tinham problema no MC4R.

Leia mais notícias em Ciência e Saúde


Na primeira etapa, os participantes foram apresentados a um buffet livre de frango korma, uma comida tradicional indiana. Havia três pratos com aparência igual, mas diferenças na contribuição de gordura para o conteúdo calórico total: 20%, 40% e 60%. Os participantes não sabiam dessa distinção. Os pesquisadores descobriram que, embora os grupos não tenham mostrado diferenças em relação à quantidade de alimentos ingeridos, os indivíduos com a variante do MC4R comeram quase o dobro da quantidade de korma altamente rico em gordura do que os indivíduos magros, 95% a mais. Se levados em consideração apenas os obesos sem a peculiaridade genética, o aumento na ingestão de korma com alto teor de açúcar foi de 65%.

Sobremesa

Na segunda etapa, os participantes receberam uma sobremesa feita de morangos, chantilly e pedaços de merengue. Novamente,havia três opções visualmente indistinguíveis, mas com o açúcar compreendendo 8%, 26% ou 54% do total de calorias. Os obesos com a variante do gene o MC4R gostaram menos das opções ricas em açúcar do que os outros dois grupos de voluntários, e comeram “significativamente menos” de todos os três tipos de doce. “Para esses indivíduos, essa mutação os levou a preferir alimentos ricos em gordura, sem eles perceberem”, ressaltaram os autores.

 

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.