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Avanços da medicina dificilmente farão a longevidade superar níveis atuais

Estudo foi baseado em informações de mais de 40 países

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postado em 11/10/2016 06:05 / atualizado em 11/10/2016 07:09

Vilhena Soares

Ninguém passou tantos dias na Terra quanto Jeanne Louise Calment. Ao morrer, em 4 de agosto de 1997, ela havia completado 122 anos de existência. Desde então, ninguém superou seu feito. E muito dificilmente alguém o fará. Segundo um estudo publicado na edição mais recente da revista Nature, o limite natural para a vida humana está em torno dos 115 anos, sendo que, muito eventualmente, alguém pode ultrapassar essa marca, como Jeanne fez. Além disso, a probabilidade de alguém ultrapassar os 125 anos seria baixíssima.

Principal autor da pesquisa, Jan Vijg, professor da Faculdade de Medicina Albert Einstein, nos Estados Unidos, explica ao Correio que a análise foi inspirada no caso da francesa supercentenária (termo usado para descrever pessoas que vivem mais de 110 anos). “Nos pareceu estranho que, duas décadas depois de Jeanne Calment morrer, ninguém tenha chegado perto de alcançar sua idade, apesar das melhorias em curso nos cuidados médicos e de saúde em geral”, diz.

Em busca de uma resposta, ele e sua equipe passaram a estudar dados de mortalidade de mais de 40 países. notando que as nações mostraram um declínio contínuo nas taxas de mortalidade a partir de 1900. Porém, no grupo das pessoas que atingiam os 100 anos, esse aumento do tempo de vida não acompanhava a tendência geral. “Essa descoberta indica um possível limite para vida humana”, completa Vijg. As análises estatísticas indicam que a probabilidade de alguém superar os 125 anos é menor do que 1 em 10 mil.

Apontar um teto para o tempo de vida dos seres humanos sugere que os avanços da medicina também terão um limite, sendo esse um dos pontos mais polêmicos do estudo. Para alguns especialistas, é impossível prever o impacto de futuras descobertas na área da saúde. Vijg, contudo, acredita que esses achados devem elevar a expectativa de vida média da humanidade, mas não fazer com que pessoas cheguem aos 130, 140, ou 150 anos.

“Os progressos contra as doenças infecciosas e crônicas podem continuar aumentando a expectativa média de vida, mas não nosso tempo máximo. Embora seja concebível que os avanços terapêuticos possam aumentar a longevidade humana para além dos limites já calculados, seria necessário superar as muitas variantes genéticas que parecem determinar coletivamente a existência do homem”, argumenta.

Qualidade

Para Jay Olshansky, pesquisador da Universidade de Saúde Pública de Illinois, ressaltar os limites da longevidade e da medicina podem estimular mudanças relevantes na forma como os cuidados com a saúde são encarados. “Espero que o reconhecimento de que há um limite para a vida encoraje nossa comunidade médica a despertar para a ideia de que chegou a hora de criar um paradigma de saúde pública focado em retardar a taxa de envelhecimento como uma nova forma de prevenção primária”, opina.

“Temos que lembrar que o objetivo da ciência do envelhecimento é prolongar a vida saudável. A extensão da vida não é o nosso objetivo. Estou otimista que a ciência nos levará para esse caminho”, acrescenta o especialista. “Esses pesquisadores apenas reforçaram o que muitos vêm dizendo há décadas. Esse artigo surpreende apenas algumas pessoas que querem acreditar que podemos sempre fabricar mais tempo de sobrevivência através da tecnologia médica.”

Jarbas Roriz, médico geriatra e diretor científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), também aponta que o estudo americano está em sintonia com outros trabalhos recentes que indicam um limite para a existência. “Dentro do processo de envelhecimento humano, existe a perda da função de diversos órgãos, causados pelo envelhecimento celular”, aponta o brasileiro. Segundo ele, pesquisas sugerem, por exemplo, que a perda gradual de funções do cérebro levaria a um quadro de demência senil gravíssimo por volta dos 125 anos, número que coincide com os apontados no trabalho de Vijg.

 

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