Ar nunca esteve tão poluído pelo dióxido de carbono como em 2015

Relatório Anual sobre o Estado do Clima, da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, detectou que a concentração média de CO2 na atmosfera chegou a 400ppm no ano passado

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postado em 25/10/2016 06:00

Lu Guang/Greenpeace/AFP
 

 

A duas semanas da grande conferência sobre mudanças climáticas que acontecerá em Marrakech, no Marrocos, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) deu nesta sexta-feira (24/10) o alerta: o ar nunca esteve tão poluído pelo dióxido de carbono (CO2) como em 2015. O Relatório Anual sobre o Estado do Clima (State of Climate), da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (Noaa, nas siglas em inglês), detectou que a concentração média de CO2 na atmosfera chegou a 400ppm (partes por milhão) no ano passado. A OMM, agência das Nações Unidas, reconheceu que essa barreira já havia sido atingida antes, “em alguns lugares e durante alguns meses do ano”. Mas enfatizou que, pela primeira vez, foi registrada “em escala global e durante um ano inteiro”, o que torna o dado alarmante

A concentração média de dióxido de carbono na atmosfera que se previa era de 399,4 ppm, 2,2 ppm a mais do que em 2014. Com base nas informações da estação de monitoramento de gases do efeito estufa de Mauna Loa, no Havaí, a OMM advertiu que a tendência de aumento continuará este ano. A elaboração do State of Climate conta com a participação de 450 cientistas do mundo todo.

 

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Para a agência da ONU, esse é o “problema número 1” da questão climática, uma vez que o CO2 “permanece na atmosfera durante milhares de anos e ainda mais tempo nos oceanos”. Na opinião do finlandês Petteri Taalas, secretário-geral da organização, os países não estão sabendo lidar com o problema. “O mundo se move na direção errada”, criticou.

Durante uma coletiva de imprensa em Genebra, ao comentar o aumento permanente do nível de dióxido no ar, Taalas enfatizou que, com “vontade política”, há soluções para reduzir as emissões. Ele deu como exemplo a Alemanha, onde as energias renováveis bateram recordes de produção. “Podemos agir”, frisou.

De acordo com a OMM, o pico das emissões de dióxido de carbono ocorreu em decorrência, principalmente, do fenômeno climático El Niño, que surge a cada quatro ou cinco anos e provoca o aquecimento do planeta. Na última passagem, pontuou o relatório, ele gerou secas em regiões tropicais e reduziu a capacidade de absorção de CO2 pelas florestas e oceanos. “O El Niño desapareceu, mas as mudanças climáticas continuam”, observou Taalas.

A ideia é que o relatório seja usado nas discussões da COP 22, que começa no próximo dia 8, no Marrocos. “Com a assinatura do Acordo de Paris sobre o Clima, o ano de 2015 constatou a chegada de uma nova era marcada pelo otimismo e ação, mas marcará também um ponto de inflexão na medida em que as concentrações recorde de gases do efeito estufa anunciarão uma nova realidade”, afirmou Taalas.

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