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ONU pede redução de emissões para evitar 'tragédia humana'

Para limitar o aumento a %2b2°C, seria necessário emitir menos de 42 gigatoneladas do equivalente de CO2 na atmosfera em 2030 (contra 52,7 em 2014)

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postado em 03/11/2016 19:06

France Presse

O planeta deve reduzir "de forma urgente e radical" suas emissões de gases de efeito estufa se quiser evitar uma "tragédia humana", alertou a ONU nesta quinta-feira (3/11), às vésperas da entrada em vigor do acordo de Paris sobre as mudanças climáticas.

"Se não começamos a adotar medidas adicionais a partir de agora, a partir da conferência de Marrakesh, terminaremos chorando ante uma tragédia humana evitável", declarou Erik Solheim, diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que publicou seu relatório anual sobre a ação climática global.

Nesse novo balanço, o Pnuma se alarma ante o aumento ininterrupto das emissões de gases do efeito estufa.

Apesar dos compromissos voluntários adotados em Paris, o mundo se dirige, de hoje a 2100, para temperaturas de +2,9 a 3,4°C em relação aos níveis pré-industriais, o que implicaria consequências devastadoras, adverte o relatório.

Para limitar o aumento a 2°C, seria necessário emitir menos de 42 gigatoneladas do equivalente de CO2 na atmosfera em 2030 (contra 52,7 em 2014). Se todos os países cumprirem suas promessas assumidas nas negociações climáticas, entre 54 e 56 Gt seriam emitidos em 2030, ou seja, entre 12 e 14 Gt acima do desejável, segundo o Pnuma.
 
 
A ONU elogia a diminuição observada na emissão dos gases do efeito estufa resultantes de energias fósseis e da indústria, mas afirma que é muito cedo para saber se essa tendência vai se confirmar.

Com o acordo de Paris "avançamos na boa direção. Mas ainda não é suficiente se queremos ter a possibilidade de evitar uma desregulação do clima", destaca Solheim.

"O número crescente de refugiados climáticos golpeados pela fome, pobreza, doenças e conflitos nos lembrará de maneira incessante do nosso fracasso. A ciência mostrou que devemos agir muito mais rápido", acrescenta.

O relatório convida a redobrar esforços imediatamente, sem esperar até 2020, ano em que os Estados começarão a aplicar os compromissos assumidos.

Para acelerar o movimento, o Pnuma insiste no papel das cidades, empresas, cidadãos, nos setores da agricultura, dos transportes e sobre as medidas de eficácia energética.

A comunidade internacional se comprometeu a lutar contra as mudanças climáticas através do acordo de Paris, adotado em 2015. A 22ª Conferência da ONU sobre o Clima, que será aberta na segunda-feira em Marrakesh, deve começar a determinar as numerosas disposições destinadas a implementar e reforçar o pacto mundial.

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