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Nova York se prepara para enfrentar ameaças das mudanças climáticas

Se as últimas projeções apocalípticas das mudanças climáticas se tornarem realidade - com uma elevação do nível do nível do mar de 70 cm em 2050 - Wall Street e Ellis Island poderiam ficar submersas

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postado em 11/11/2016 17:42 / atualizado em 11/11/2016 17:43

Em dias calmos, as águas banham inocentemente o antigo quebra-mar no parque mais ao sul de Manhattan, mas nas próximas décadas elas poderiam inundar os distritos mais baixos da ilha. 

Se as últimas projeções apocalípticas das mudanças climáticas se tornarem realidade - com uma elevação do nível do nível do mar de 70 cm em 2050 - Wall Street e Ellis Island poderiam ficar submersas. 

Em outubro de 2012, a fúria do furacão Sandy matou mais de 40 pessoas e paralisou Nova York. A tempestade deixou a cidade chocada e alagada, marcando o início das muitas ameaças iminentes das mudanças climáticas na maior cidade dos Estados Unidos.

"A conversa mudou", disse Daniel Zarrilli, engenheiro que supervisiona o gabinete de recuperação e resiliência do prefeito. "Não é algo que está acontecendo daqui a 100 anos a alguém distante. Está acontecendo aqui e agora". 

Zarrilli supervisiona os esforços da cidade para fortalecer sua infraestrutura e fortificar mais de 800 quilômetros de litoral contra a ameaça de subida das águas. A previsão é que o número de dias com mais de 32 graus Celsius triplique. 

"Nova York vai permanecer onde está", disse Zarrilli, procurando passar segurança sobre um futuro incerto. 

"A cidade se desenvolveu ao longo dos últimos 400 anos. Estamos aqui porque somos a porta de entrada para os Estados Unidos", acrescentou.

Os lugares mais seguros

O engenheiro diz que a chave para a adaptação ao clima é avaliar e reduzir o risco, e investir rapidamente nas zonas mais ameaçadas. 

Muitas das áreas mais atingidas pelo Sandy, assim como partes do sistema de metrô da cidade, ainda estão sendo reconstruídas, com um orçamento de mais de US$ 20 bilhões alocados pelos governos municipal, estadual e federal. 

Ao mesmo tempo, a cidade tem impulsado o desenvolvimento de algumas de suas áreas mais vulneráveis: o novo distrito de Hudson Yards, na costa noroeste de Manhattan, possui arranha-céus nas margens do rio Hudson. 
 
 
Mas Zarrilli diz que esses edifícios estão na verdade entre os mais seguros da cidade: "O lugar mais seguro para estar neste momento durante qualquer tipo de ameaça é em um edifício novo", visto que estes respeitam as normas de construção reforçadas após a passagem do Sandy. 

Steven Cohen, diretor-executivo do Instituto da Terra da Universidade de Columbia, explicou que os futuros arranha-céus instalarão unidades de aquecimento e eletricidade no segundo ou terceiro andares, em vez de nos porões, o que era o protocolo padrão. 

Cohen disse que os cientistas acreditam que o nível do mar pode subir até entre 1,5 e 4,5 metros no futuro, mas que abandonar uma das cidades economicamente mais poderosas do mundo não é razoável. 

"Há tanto dinheiro e infraestrutura na cidade", disse. "A ideia de que você pode abandoná-la não é economicamente viável".


"Preparados para o clima"

O hoje abandonado bairro Oakwood Beach, no distrito de Staten Island, viu fileiras inteiras de bangalôs à beira-mar serem destruídas após a passagem de Sandy. 

Depois que o governador de Nova York, Andrew Cuomo, ofereceu aos proprietários locais um vantajoso programa de compra de suas casas, a grande maioria dos moradores acataram a proposta, mesmo os que viviam ali há décadas. 

Mas em Manhattan um programa de compra como esse seria "completamente impossível", disse Joe Tirone, um agente imobiliário de Staten Island. 

"Não faria sentido em Manhattan, pelo preço das propriedades", afirmou. 

Para muitos nova-iorquinos, o principal risco a curto prazo reside no aumento dos prêmios de seguro. As áreas cobertas pelos mapas da zona de inundação provavelmente dobrarão, passando para 400.000 o número de residentes que vivem em áreas de alto risco. 

O aumento do prêmio de seguro poderia levar os nova-iorquinos mais ricos a saírem de bairros famosos e se instalarem em terrenos mais altos, ameaçando empurrar o que resta das classes mais baixas para fora da cidade. 

Zarrilli permanece otimista em relação à resistência da cidade a futuras inundações, devido ao que ele vê como o compromisso de autoridades eleitas de apoiar o planejamento urbano protetor - mesmo que a eleição do cético das mudanças climáticas Donald Trump tenha criado um elemento de dúvida. 

"Nunca estaremos seguros contra o clima. Estaremos preparados para o clima", disse. 
 
Por France-Presse 
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