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Obesidade pode comprometer desenvolvimento cognitivo durante a adolescência

Segundo especialistas, a capacidade de planejar ações e a habilidade para tomar decisões estão entre as funções comprometidas

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postado em 16/11/2016 06:00


AFP


Uma dieta excessivamente rica em gordura fatalmente leva, de criança a idosos, à obesidade. Não bastassem todos os problemas ligados ao excesso de peso, diabetes e complicações cardíacas, por exemplo, estar muito acima do peso é, para os adolescentes, colocar em risco também o desenvolvimento cognitivo. A constatação inédita foi feita por uma equipe de pesquisadores da Suíça e da França. Segundo eles, isso ocorre porque há uma queda na ação da reelina, uma proteína ligada à intensidade das sinapses, o mecanismo de comunicação entre os neurônios. Detalhes do trabalho foram divulgados na última edição do jornal Molecular Psychiatry.
Liderados por Urs Meyer e Pascale Chavis, os cientistas chegaram à conclusão após experimentos com camundongos que receberam uma dieta extremamente rica em gordura saturada — o tipo mais usado em fast food. Depois de apenas quatro semanas, antes mesmo de ficarem obesas, as cobaias começaram a apresentar os primeiros sinais de comprometimento das funções cognitivas, diferentemente das dos dois grupos de controle, que seguiram uma dieta normal e foram alimentadas com excesso de gordura já adultas. Os roedores da alimentação insalubre sofreram um impacto particularmente negativo sobre a maturação do córtex pré-frontal. Nessa área do cérebro, havia menos ação da reelina.

“Vimos que a plasticidade no córtex pré-frontal estava prejudicada em animais que receberam alimentos ricos em gordura durante a adolescência e, de forma bastante notável, observamos que, ao restabelecer os níveis de reelina, a plasticidade sináptica e as funções cognitivas voltaram ao normal”, observou, em comunicado, Pascale Chavis, do Instituto de Neurobiologia do Mediterrâneo, em Marselha, na França. Esses resultados, segundo Urs Meyer, podem ser prontamente traduzidos para humanos. “Como acontece conosco, o córtex pré-frontal em ratos amadurece principalmente durante a adolescência”, explicou o pesquisador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça.

As funções executivas atribuídas a essa área do cérebro também são semelhantes entre ratos e humanos, assim como as estruturas neuronais afetadas por alimentos gordurosos. O córtex pré-frontal está associado ao planejamento de ações complexas, à resolução de problemas e à tomada de decisão, tendo efeito direto sobre a expressão da personalidade e nos comportamentos sociais. Pelo fato de não estar completamente desenvolvido na adolescência, é sensível a experiências negativas, como traumas, estresse excessivo e abuso de drogas. “Nosso estudo destacou que a qualidade da comida consumida pelos adolescentes também pode ser particularmente importante para a maturação ideal do córtex pré-frontal”, complementou Marie Labouesse, principal autora do artigo e pesquisadora da Universidade de Zurique.

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