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Correio Braziliense

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Ciência desvenda táticas de manipulação de fêmeas de primata em batalhas

Fêmeas de primata nativo da África incitam os machos a lutarem com os rivais e os punem ou os recompensam conforme o desempenho

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postado em 24/11/2016 06:00 / atualizado em 24/11/2016 09:38

Juan Mabromata/AFP - 27/6/10

Elas são as verdadeiras estrategistas do grupo. Decidem quando é hora de colocar o melhor integrante para lutar com rivais, punir os que se esquivam do embate e até mesmo a hora de entrar na briga. E não se tratam de mulheres. São as fêmeas de uma espécie de primata nativo da África: a Chlorocebus aethiops pygerythrus, também chamado de macaco vervet. O comportamento intrigante foi descoberto por cientistas da Universidade de Zurique, na Suíça, e detalhado na última edição da revista Proceedings of the Royal Society B.

“É a primeira vez que se demonstra que outra espécie, além dos seres humanos, é capaz de utilizar táticas de manipulação, como a punição ou a recompensa, para incitar a participação em batalhas entre diferentes grupos”, declarou Jean Arseneau, líder do grupo e especialista em primatas. A equipe chegou à conclusão ao observar, durante dois anos, um grupo de macacos de uma reserva na África do Sul. Esses animais vivem em grupo, e as fêmeas geralmente se “intrometem” nas batalhas quando os alimentos da comunidade estão em jogo ou escassos.

Elas colocam os machos para lutar e os punem ou os recompensam conforme o desempenho. Geralmente maiores que as fêmeas, os macacos têm grandes caninos e são mais numerosos, características determinantes para o sucesso no combate com os rivais. Entrar na luta pode significar perder a utilidade para os outros macacos e até mesmo a capacidade de se alimentar sozinho. Esquivar-se dela, porém, não é recebido com bom grado.

“As fêmeas gritavam e se aproximavam de modo ameaçador dos machos que haviam permanecido à margem da luta. Às vezes, inclusive, os perseguiam e os agrediam fisicamente”, contam os autores no artigo. Os machos que entravam na briga adotavam, na verdade, uma estratégia reprodutiva, avaliaram os especialistas. “Ser punido pode degradar as relações sociais com as fêmeas, e ser recompensado pode reforçar os laços e mostrar a elas que o macho objeto das atenções é socialmente aceitável.”
 
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