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Correio Braziliense

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Colado sobre a pele, sensor monitora o corpo pelo suor em tempo real

Dispositivo mostra a situação de biomarcadores determinantes para o bem-estar, como o nível de glicose e a taxa de ferro. A intenção dos criadores é usá-lo no futuro também para o diagnóstico de doenças

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postado em 24/11/2016 09:03

Paloma Oliveto

 
O suor é um dos melhores indicadores da resposta do organismo ao movimento. Além de água, esse fluido é composto por importantes minerais, como sódio, cálcio e magnésio, e metais, cobre e ferro, por exemplo. Também traz informações sobre o nível de glicose, ureia e ácido lácteo, entre outras. Agora, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, desenvolveu um dispositivo que vai permitir verificar esses biomarcadores em tempo real, enquanto uma pessoa se exercita. Trata-se de um pequeno adesivo que, colocado sobre a pele, é lido e interpretado por um smartphone, fornecendo os dados em poucos segundos.

O sensor de microfluidos, o primeiro do tipo, foi descrito na revista Science Translational Medicine desta semana. Mais ou menos do tamanho de uma moeda de R$ 0,25 e com a espessura ainda mais fina, o dispositivo, segundo os cientistas que o desenvolveram, poderá ajudar o esportista a decidir rapidamente se é necessário fazer algum ajuste no exercício, como tomar mais água ou repor eletrólitos, ou mesmo parar e procurar um médico. A ideia é que, quando colocado no mercado, o adesivo seja utilizado por algumas horas e descartado em seguida, como um curativo adesivo.

“O suor é um fluido muito rico, contendo compostos químicos importantes, com informações fisiológicas sobre a saúde”, observa John A. Rogers, químico e físico da Universidade de Illinois que trabalha com nanotecnologia e coordenador do grupo de pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento do dispositivo.

“Nós criamos um ‘laboratório sobre a pele’, uma interface íntima que permite fazer medições até agora impossíveis por outros sistemas de coleta de suor”, diz.

Yonggang Huang, colaborador de Rogers, conta que a dupla vem trabalhando há muitos anos com o desenvolvimento de eletrônicos que se adaptem à pele para fazer medições. “Nós já sabemos como colocá-los na epiderme de uma forma natural. Aqui, nosso desafio foi lidar com o fluxo de fluidos e com a necessidade de coletar, estocar e analisar o suor em um dispositivo fino, macio e flexível”, explica. O engenheiro mecânico foi o responsável pelo design do adesivo. “A plataforma de análise do suor que desenvolvemos vai permitir às pessoas monitorar a saúde sem precisar tirar sangue nem usar eletrônicos com fios ou pilhas. Basta uma conexão wi-fi com um smartphone.”

Smartphone


O dispositivo passou por estudos de acurácia e durabilidade, realizados com dois grupos de atletas: ciclistas indoor em uma academia e ciclistas que participaram da corrida El Tour de Tucson, uma competição de longa distância em um ambiente árido e complexo. O adesivo foi colado no braço dos voluntários. Quando eles se exercitavam, o suor viajava pelos canais microscópicos do patch e entrava em quatro pequenos compartimentos circulares. Dentro de cada um deles, ocorriam reações químicas visíveis pela mudança de cor dos reagentes, que quantificavam o pH e mediam a concentração de glicose, ácido clorídrico e ácido lático. “Nós escolhemos esses quatro biomarcadores porque eles fornecem um perfil relevante para determinar o status de saúde do esportista”, explica John A. Rogers.

A leitura e a interpretação desses dados são feitas por um smartphone que, aproximado ao adesivo, aciona um aplicativo que captura a foto e analisa a imagem para calcular as concentrações dos biomarcadores — é como um leitor de código de barras. Além dos quatro parâmetros, o dispositivo determina a taxa de suor e a perda do líquido e armazena amostras a fim de que o usuário leve a um laboratório para análise mais aprofundada, caso necessário. Na fase de testes do adesivo, os pesquisadores compararam a leitura dos biomarcadores dos ciclistas à avaliação laboratorial da mesma amostra de suor e descobriram que os resultados foram compatíveis.

De acordo com Rogers, no futuro, o dispositivo poderá fazer diagnósticos mais sofisticados, inclusive detectando doenças. O adesivo atual já é capaz de encontrar os biomarcadores específicos da fibrose cística, uma enfermidade genética geralmente identificada por meio do teste do suor, pois o gene defeituoso atua sobre as glândulas que o produzem. “Posteriormente, será possível diagnosticar um espectro maior de doenças usando nosso dispositivo”, garante o pesquisador.

Tags: pele suor sensor

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