Encurtamento das geleiras montanhosas é associado ao aquecimento do planeta

Usando técnicas estatísticas para analisar 37 glaciares montanheses pelo mundo, pesquisadores da Universidade de Washington descobriram que, na maioria deles, as mudanças climáticas foram associadas a mais de 99% da retração do gelo

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postado em 13/12/2016 07:47

A. Lambrecht/World Glacier Monitoring Service/Divulgação
As geleiras que recobrem montanhas têm sido um dos maiores exemplos dos efeitos provocados pelas mudanças climáticas. A retração dos glaciares — fenômeno observado em quase toda a Terra no último século — forneceu algumas das imagens mais icônicas da tragédia do aquecimento global movido por ações humanas. Demostrar isso cientificamente, porém, sempre foi um problema. As camadas geladas são suscetíveis a variações ano a ano do clima montanhês, e algumas delas ainda se recuperam do fim da pequena era do gelo, resfriamento ocorrido em meados do século 19. No último documento do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), por exemplo, foi sugerido que a temperatura teria influência “provável”, mas os especialistas não afirmaram categoricamente a associação.

Agora, usando técnicas estatísticas para analisar 37 glaciares montanheses pelo mundo, pesquisadores da Universidade de Washington descobriram que, na maioria deles, as mudanças climáticas foram associadas a mais de 99% da retração do gelo. Para eles, não há dúvidas de que a diminuição das geleiras se deve às alterações do clima ocorridas no último século. “Devido às respostas de longa duração que elas dão ao clima, descobrimos que os glaciares estão, de fato, entre os sinais mais puros da mudança climática”, diz Gerar Roe, professor de ciências espaciais da instituição. Ele é o autor correspondente do estudo, publicado na edição de ontem da revista Nature Geoscience e apresentado no congresso anual da União Geofísica Americana, em San Francisco.

O novo estudo analisa especificamente as geleiras com base em um amplo histórico de observações, além de dados de temperatura e precipitação locais. Os autores também procuraram explorar o fenômeno em diversas localizações, focando em sete montanhas de cinco regiões geográficas: América do Norte, Ásia, Escandinávia e Hemisfério Sul. “Nós avaliamos glaciares que se encontram em altas altitudes nos desertos da Ásia, assim como aquelas de latitude média, que têm sido alvejadas por tempestades nos ambientes de climatologia marinha”, explica Roe. “A espessura, a inclinação e a área das geleiras são diferentes, e todas essas coisas afetam as flutuações nos seus comprimentos”, justifica.
 
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