Ciência explica por que algumas pessoas se arriscam mais que outras

As constatações podem ajudar no desenvolvimento de intervenções que, por exemplo, ajudem idosos e cuidadores a definir as melhores práticas do dia a dia

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postado em 14/12/2016 06:00 / atualizado em 14/12/2016 06:35

Arte/CB/DA Press
A capacidade de correr mais riscos está ligada a uma região específica do cérebro, o córtex parietal superior direito. E o tamanho dessa área, que varia conforme a idade, pode explicar por que, em algumas fases da vida, as pessoas são mais corajosas ou muito comedidas. É o que mostram pesquisadores dos Estados Unidos em um estudo divulgado na última edição da revista Nature Communications. Para a equipe, as constatações podem ajudar no desenvolvimento de intervenções que, por exemplo, ajudem idosos e cuidadores a definir as melhores práticas do dia a dia.

Os cientistas iniciaram o trabalho a partir de duas constatações: que em adultos jovens o volume de matéria cinzenta do córtex parietal posterior direito prevê uma inclinação para correr riscos e que os mais velhos têm maior aversão a se aventurar. “Como há um declínio geral do volume de matéria cinzenta no envelhecimento, pensamos hipoteticamente que o declínio no volume de matéria cinzenta, especificamente na área que identificamos, poderia explicar o aumento comportamental da aversão ao risco”, explica ao Correio Ifat Levy, uma das autoras do estudo e pesquisadora da Universidade de Yale.

Participaram do estudo 52 voluntários com idade entre 18 e 88 anos. Os investigadores apresentaram uma série de escolhas ao grupo: receber US$ 5 ou arriscar uma aposta na loteria com o dinheiro, ficar com os US$ 5 ou ganhar US$ 20 em outro tipo de jogo, entre outras decisões. Com base na opção feita, cada participante recebeu um número que indicava o nível de tolerância ao risco. Os pesquisadores também mediram o volume de matéria cinzenta no córtex parietal posterior dos participantes por meio de exames de ressonância magnética.

Constatou-se que quanto menor o tamanho da área cerebral analisada, menos os participantes arriscavam. “Descobrimos que, se usarmos o volume da matéria cinzenta e a idade como preditores de atitudes de risco, o volume de matéria cinzenta é significativo, enquanto a idade não é. Isso significa que o volume de matéria cinzenta explica as mudanças relacionadas à idade na atitude de risco mais do que a própria idade”, destaca a autora.

Para Paulo Mattos, neurocientista do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, no Rio de Janeiro, os resultados entram em concordância com teorias evolutivas. “Várias mudanças acontecem no nosso cérebro quando ele envelhece. Há regiões que aumentam e melhoram, e há outras que diminuem. Os resultados desse experimento explicam, em parte, por que envelhecemos e vamos tendo aversão a tomar decisões arriscadas. Isso faz sentido do ponto de vista evolutivo: quando você está mais velho, não tem muitas chances de recuperar o que perdeu e, por isso, não se expõe muito aos riscos”, explica.

 

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