Cientistas conseguem isolar anticorpos que combatem o vírus da Zika

No laboratório de imunologia do Hospital de Sheizen, onde o estudo foi conduzido, a equipe de Qihui Wang isolou 13 anticorpos monoclonais do sangue do paciente infectado

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postado em 17/12/2016 10:30

/ AFP / Miguel SCHINCARIOL


Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências descobriram um anticorpo que neutraliza o vírus zika e poderá se transformar em um candidato a vacinas e tratamentos contra a doença. A substância foi isolada do organismo de um paciente chinês que voltou infectado da Venezuela. A busca pela imunização e por terapias eficazes cresce na medida em que a enfermidade deixou os trópicos e passou a ser um problema global.

Embora em adultos a zika não costume provocar efeitos graves, em mulheres grávidas há o risco de o bebê nascer com diversas anomalias, incluindo microcefalia. No surto de 2015, 80 mil pessoas de 69 países foram infectadas e, embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) tenha excluído, no mês passado, a doença da lista das emergências de saúde pública internacionais, ela ainda é uma preocupação, pois não existem vacinas nem tratamentos apropriados.

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No laboratório de imunologia do Hospital de Sheizen, onde o estudo foi conduzido, a equipe de Qihui Wang isolou 13 anticorpos monoclonais do sangue do paciente infectado. Dois deles — Z23 e Z3L1 — mostraram-se promissores. “Somos o primeiro grupo a identificar anticorpos específicos do zika. Esses anticorpos são muito importantes para o desenvolvimento de tratamentos futuros e esperamos fazer a primeira vacina para prevenir e controlar a doença”, diz Wang.

Bloqueio
De acordo com ele, os outros anticorpos que vêm sendo investigados atualmente reconhecem tanto a dengue quanto o zika, ambos os vírus transmitidos pelo mosquido Aedes aegypt. Diferentemente, o Z23 e o Z3L1 atuam exclusivamente contra o vírus, indicando um alto grau de especialização. “Isso é importante para evitar efeitos colaterais potenciais”, afirma. Já se sugeriu que, em regiões onde a dengue é endêmica, uma vacina que aumente ainda mais a quantidade de anticorpos circulantes no organismo possa desencadear reações autoimunes.

Wang também investigou o mecanismo de ação dos anticorpos. O médico diz que eles atuam bloqueando regiões do envelope viral, a camada de proteínas que protege o núcleo do vírus. Dessa forma, o Z23 e o Z3L1 impedem que o zika entre nas células e passe a se reproduzir.

Segundo ele, embora sejam necessárias mais análises, a equipe espera, em breve, começar os testes clínicos, com pacientes humanos. “Esses anticorpos podem ser úteis tanto para estimular a resposta imunológica do hospedeiro contra o vírus, com uso para produção de vacinas, quanto para neutralizar o efeito do vírus, com o potencial de criarmos um medicamento antiviral para pacientes já infectados”, explica.
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