Costela de dinossauro tem vestígios de tecido raro, indica estudo

Detalhes do estudo foram divulgados ontem na revista Nature Communications

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postado em 01/02/2017 07:34 / atualizado em 01/02/2017 07:39

Robert Reisz/Divulgação
 
A grande maioria dos registros fósseis é formada por esqueletos duros. Raramente, são encontrados vestígios de material rico em colágeno e eslatina, os chamados tecidos moles. Uma equipe de cientistas não só encontrou uma peça do tipo, como trabalha com a mais antiga já recuperada. Trata-se da parte de um dinossauro que viveu há 195 milhões de anos, no período Jurássico Inferior. Detalhes do estudo foram divulgados ontem na revista Nature Communications.

“Nós mostramos a presença de proteína preservada em um dinossauro de 195 milhões de anos, pelo menos 120 milhões de anos mais antiga que qualquer outra descoberta similar. Essas proteínas são os blocos de construção dos tecidos moles de animais, e é emocionante entender como eles foram preservados”, comemorou Robert Reisz, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Toronto Mississauga, no Canadá.

Reisz e colegas encontraram o material raro na costela de um Lufengossauro, herbívoro que chegava a medir até 8 metros de comprimento. A equipe, que trabalhou no Centro Nacional de Pesquisa de Radiação Síncrotron em Taiwan, usou um feixe de fótons para examinar o interior do osso, focando principalmente em seu conteúdo químico. Encontraram evidências de proteínas de colágeno dentro de pequenos canais na costela e concluíram que se tratava “provavelmente de restos dos vasos sanguíneos que forneciam sangue para as células ósseas do dinossauro vivo”.

Hemoglobina

Em outra análise usando espectroscopia Raman, os investigadores identificaram partículas de hematita nos canais vasculares da costela. Eles acreditam que a hematita foi formada pela degradação de hemoglobina e de outras proteínas ricas em ferro no sangue e que o enchimento dos canais vasculares com hematita acabou contribuindo para a preservação do colágeno dentro do  ambiente inorgânico.

Geralmente, proteínas e outros resíduos orgânicos se decompõem logo após a morte de um animal. Durante a fossilização, o espaço que eles ocupam no interior dos ossos acaba preenchido por depósitos minerais transportados por águas subterrâneas. A maioria dos estudos anteriores extraiu restos orgânicos de fósseis por meio da dissolução de partes do fóssil. Com as técnicas empregadas por Reisz e colegas, as peças não precisaram ser danificadas. Eles acreditam que, a partir das descobertas iniciais, poderão extrair pistas raras sobre a biologia e a evolução de animais extintos há muito tempo.
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