Organização Mundial de Saúde convoca guerra contra superbactérias

A lista destaca, particularmente, o risco das bactérias gram-negativas, que são resistentes a múltiplos antibióticos

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postado em 28/02/2017 09:24

Arte/CB/DA Press
Com a proliferação de bactérias que se tornam resistentes a medicamentos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou, pela primeira vez, uma lista de 12 famílias de patógenos que, por representar grande risco à saúde humana, devem ser encaradas como prioridade na busca de novas drogas. “É  uma nova ferramenta para garantir respostas a essa necessidade urgente”, disse Marie-Paule Kieny, diretora-assistente geral para sistemas de saúde e inovação. “A resistência a antibióticos está crescendo, e temos de correr atrás de novas opções de tratamento. Se deixarmos isso apenas para o mercado farmacêutico, os novos antibióticos que mais necessitamos não serão desenvolvidos a tempo”, alertou.

A lista destaca, particularmente, o risco das bactérias gram-negativas, que são resistentes a múltiplos antibióticos. Esses patógenos criaram, ao longo do tempo, formas de escapar do tratamento. Elas podem, inclusive, passar essa resistência por meio do material genético, permitindo que outras bactérias se tornem imunes aos medicamentos também.

O mais crítico grupo de todos inclui micro-organismos multirresistentes, que impõem um risco particular em hospitais, casas de repouso e entre pacientes que necessitam de equipamentos, como ventiladores e cateteres sanguíneos. Eles podem causar infecções severas e, geralmente, letais, como sepse e pneumonia. Essas bactérias se tornaram imunes a um grande número de antibióticos, incluindo a droga de amplo espectro carbapenema e as cefalosporinas de terceira geração, consideradas os melhores antibióticos para tratar patógenos multirresistentes. A segunda e a terceira classes da lista, consideradas de alta e média prioridade, contêm outras bactérias cada vez mais resistentes a drogas, que causam doenças como gonorreia e intoxicação alimentar, como a salmonela.

Nesta semana, especialistas de saúde do G20 se encontram em Berlim. “Precisamos de antibióticos efetivos para nossos sistemas de saúde. Temos de agir hoje para um mundo mais saudável amanhã. Portanto, vamos discutir e trazer para o G20 a atenção sobre a luta contra a resistência antimicrobiana. A lista de patógenos prioritários da OMS é uma ferramenta importante para guiar pesquisas e o desenvolvimento de novos antibióticos”, disse o ministro da Saúde alemão, Hermann Gröhe.

A lista pretende estimular governos a lançar políticas de incentivo de ciência básica e avançada para investigação de tratamentos financiada tanto por agências públicas quanto pelo setor privado. A tuberculose, cuja resistência ao tratamento tradicional está crescendo nos últimos anos, não foi incluída porque ela é o foco de outros programas da OMS. Outras bactérias que ficaram de fora, como estreptococo A e B e clamídia, ainda não significam um risco alto à saúde pública, esclareceu o órgão.

Critérios

A OMS contou com a colaboração da Divisão de Doenças Infecciosas da Universidade de Tübingen, na Alemanha, para elaborar o documento. Os especialistas usaram uma técnica de análise que segue múltiplos critérios, como grau de letalidade das bactérias, se a infecção necessita de longo tempo de internação, facilidade de contágio, facilidade de prevenção, quantidade de opções de tratamento disponíveis e se novos antibióticos para tratá-las já estão sendo pesquisados. “Medicamentos que visem essa lista de patógenos prioritários vão ajudar a reduzir a mortalidade associada à infecções resistentes em todo o mundo”, afirmou Evelina Tacconelli, da Universidade de Tübingen. “Se esperarmos mais, teremos problemas de saúde futuros e um impacto dramático nos cuidados aos pacientes.”

Em um comunicado, a OMS afirmou que, enquanto o desenvolvimento de novas drogas é vital; sozinha, a estratégia não resolve o problema. “Para enfrentar a resistência, é preciso haver melhor prevenção de infecções e uso apropriado de antibióticos existentes em humanos e animais, assim como uso racional de qualquer novo antibiótico a ser desenvolvido no futuro”, destacou a nota.
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