Estudo revela que práticas funerárias alteram química do solo

Cadáveres - enterrados ou cremados - vazam ferro, zinco, enxofre, cálcio e fósforo para a terra

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postado em 03/05/2017 06:00 / atualizado em 03/05/2017 11:11

Dale De La Rey/AFP - 2/4/17


Um estudo apresentado na União Europeia de Geociências mostra que os humanos não deixam sua marca na natureza só quando estão vivos, mas também depois de mortos, visto que os corpos em decomposição alteram a química do solo. De acordo com a pesquisa, os cadáveres — enterrados ou cremados — vazam ferro, zinco, enxofre, cálcio e fósforo para a terra. São nutrientes essenciais, mas as práticas funerárias humanas fazem com que esses elementos se concentrem em cemitérios, em vez de se repartirem na natureza de maneira uniforme, concluem os cientistas.

 

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Isso significa que em alguns lugares pode haver nutrientes em excesso para as plantas e os animais, enquanto que, em outros, não há elementos suficientes. Sem contar que, de acordo com a pesquisa, os corpos humanos contêm elementos prejudiciais, como o mercúrio presente nas obturações dentárias. “Frequentemente, os rastros químicos de corpos decompostos podem ser muito bem distinguidos no solo”, disse Ladislav Smejda, da Universidade Checa de Ciências da Vida, em Praga, que participou da pesquisa. “Esses vestígios persistem por muito tempo, de séculos a milênios”, acrescentou.

Segundo Smejda, os efeitos se tornarão mais pronunciados à medida que mais corpos forem enterrados. “O que fazemos hoje com nossos mortos afetará o meio ambiente por muito, muito tempo”, disse Smejda, em Viena, onde apresentou a pesquisa. “Talvez não seja um problema na nossa perspectiva atual, mas com uma população crescente a nível mundial, pode vir a ser um problema premente no futuro”, advertiu.

Impacto

Para analisar os elementos químicos do solo em túmulos e em lugares onde se espalharam cinzas, Smejda e uma equipe de cientistas usaram espectroscopia de fluorescência de raios X. Eles também estudaram carcaças de animais para medir o impacto teórico de uma antiga prática denominada “excarnação”, na qual os cadáveres são deixados para se decompor ao ar livre. Nos três casos, o solo continha concentrações de elementos químicos “significativamente” mais altas que nos arredores, afirmou Smejda.

O pesquisador ressaltou que, se não houvesse cemitérios, os restos humanos, como os de animais, se distribuiriam de forma aleatória, e os nutrientes que liberam poderiam ser reutilizados “repetidas vezes, em todos os lugares”. Mas concentrá-los em determinados lugares é algo que pode ser considerado não natural. “É um impacto humano, estamos mudando os níveis naturais”, afirmou. Ele defendeu que se busque novas possibilidades de sepultamento, mas reconheceu que o tema é um tabu.
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