Cientistas elegem as 10 espécies mais curiosas descobertas em 2016

Arraia do Rio Tocantins, que pode chegar a 20 quilos, faz parte da lista

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postado em 23/05/2017 06:00 / atualizado em 22/05/2017 23:07

Com seus 4,5 bilhões de anos, a Terra continua surpreendendo, com novas espécies sendo descritas continuamente por pesquisadores. Para celebrar os mais incríveis achados da ciência, o Instituto Internacional para Exploração de Espécies (IISE) divulga anualmente uma lista com os “top 10” de exemplares de animais e vegetais que, há até pouco tempo, eram completamente desconhecidos. Chegou a hora de apresentar a lista de 2017, que inclui uma arraia do Rio Tocantins, no Brasil.


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Uma aranha e uma formiga cujos nomes fazem referência à literatura popular, um gafanhoto rosa brilhante e um rato omnívoro também estão entre as novas espécies que aparecem no catálogo. Organizado pelo Colégio de Ciência Ambiental e Florestal (ESP) da Universidade Estadual de Nova York, nos Estados Unidos, o documento inclui uma planta que parece sangrar quando cortada e uma orquídea com a cara de um diabinho no miolo. Criaturas esquisitas, como um milípede com mais de 400 pernas e um centípede anfíbio, não poderiam deixar de estar na lista. Quatro das novas espécies vieram da Ásia (Índia, Indonésia, Laos e Malásia) e as outras estão distribuídas por Brasil, Colômbia, México, Estados Unidos, Austrália e Papua Nova Guiné.

“Desde nossa primeira lista Top 10, de 2008, quase 200 mil espécies foram descobertas e nomeadas. Isso seria uma excelente notícia, não fosse pela crise de biodiversidade e pelo fato de que estamos perdendo espécies mais rápido do que descobrindo”, diz o presidente da ESF, Quentin Wheeler, fundador do IISE. “A taxa de extinção é mil vezes mais rápida hoje do que na pré-história. Nós corremos o risco de nunca conhecer milhões de espécies e de aprender as coisas úteis e maravilhosas que elas podem nos ensinar”, alerta o pesquisador, destacando que o principal fator por trás do fenômeno é a atuação predatória humana. “Estamos alterando ecossistemas, poluindo nossas águas, dizimando a biodiversidade. De todas as implicações devastadoras da mudança climática, nenhuma é mais perigosa que a aceleração da extinção das espécies.”

O comitê internacional de taxonomistas do instituto selecionou as Top 10 de aproximadamente 18 mil descobertas do ano anterior. A lista homenageia Carlos Linneu, botânico sueco nascido em 23 de maio de 1707, considerado o pai da taxonomia moderna.


Javed Ahmed/Divulgação
Ilustres descobrimentos


» Harry Potter de oito pernas
Eriovixia gryffindori
Localização: Índia
A pequena aranha tem menos de 2 milímetros de comprimento e foi batizada em homenagem ao Chapéu Seletor, objeto mágico da série de livros Harry Potter. O formato do corpo do aracnídeo — cônico e com uma ponta estreita — lembra o primeiro chapéu usado pelo mago Godric Gryffindor. A publicação científica descrevendo a descoberta diz que o nome recebido pela espécie é uma “ode à magia perdida, e encontrada, num esforço de chamar atenção ao fascinante frequentemente esquecido mundo dos invertebrados e suas vidas secretas”. A aranha é bem camuflada para parecer uma folha seca e morta, como as que usa para se esconder durante o dia. A espécie foi descrita a partir da descoberta de um único exemplar de hábito noturno e vive nas florestas das cordilheiras dos Gates Orientais da Índia. Ela constrói uma teia vertical, com formato de esfera. Ainda não se descobriu nenhum macho.

» Elas ficam lindas de rosa
Eulophophyllum kirki
Localização: Malásia
Algumas descobertas são feitas quando menos esperadas. Essa nova espécie de esperança foi encontrada quando pesquisadores procuravam tarântulas e cobras em Bornéu. Batizada em homenagem ao fotógrafo que tirou o único retrato de um espécime até agora, Perter Kirk, a Eulophophyllum kirki tem como características mais impressionantes o uso da cor e a mimetização que faz para se esconder em meio à folhagem. Com 40 milímetros de comprimento, os machos são uniformemente verdes, enquanto as fêmeas, rosa brilhante. Eles parecem uma folha, em formato e detalhes. Como a esperança foi descoberta em uma área extremamente protegida, a legislação não permite a retirada de espécimes do local. Isso faz desse inseto um ser ainda mais raro para a ciência.
 
» Um omnívoro entre carnívoros 
Gracilimus radix
Kevin Rowe/Museums Victoria/Divulgação
 
Localização: Indonésia
No que parece ser uma inversão evolutiva, esse rato come tanto plantas quanto animais, o que faz dele um ser único entre seus parentes estritamente carnívoros. Conhecido por, às vezes, se alimentar de raízes, o Gracilimus radix ganhou esse nome em referência à palava latina para raiz. Encontrado apenas na Ilha Celebes, na Indonésia, o rato é pequeno e delgado, com um pelo entre cinza e marrom e orelhas redondas. Sete novas espécies de roedores, representando quatro novos gêneros (incluindo este), foram descobertos desde 2012.

» O rei do Tocantins 
Potamotrygon rex
Localização: Brasil
Essa arraia de água doce é endêmica do Rio Tocantis e pode pesar até 20 quilos. A P. rex está entre os 35% das 350 espécies de peixe documentadas nesse rio riquíssimo em biodiversidade, como nenhum outro do planeta. Marrom escuro com manchas amarelas ou laranjas, o animal merece o título de “rei” (rex), que acompanha o nome da espécie em latim. A descoberta é uma indicação que ainda se sabe pouco sobre os peixes dos trópicos.

» Pequeninos dragões 
Pheidole drogon
Localização: Papua Nova Guiné
Com seus espinhos nas costas que lembram um dragão, a nova espécie de formiga recebeu o nome de Drogon, em homenagem ao animal mítico comandado por Daenerys Targaryen na fantasia épica Game of Trones. Ela é uma das duas novas espécies de formiga com espinhos da Papua Nova Guiné. Antes, acreditava-se que esse era um mecanismo de defesa. Contudo, uma microtomografia sugere que pelo menos alguns espinhos sirvam como região de junção muscular. Os soldados têm cabeças excepcionalmente maiores que os demais, com poderosas mandíbulas trituradoras de sementes. Cabeças grandes requerem músculos maiores, que precisam ser ancorados em algo, como os espinhos.

» Pernas para que te quero 
Illacme tobini
Localização: Estados Unidos
Os milípedes da ordem Siphonorhinid podem ter até 750 pernas. Com 414, a nova espécie ainda não quebrou o recorde, mas isso pode mudar, pois ela continua a adicionar segmentos por toda a vida. Tem 20 milímetros e pertence a uma antiga linhagem que existe há mais de 200 milhões de anos. Também chama atenção a  boca muito pequena, que está associada, provavelmente, a uma dieta líquida. Outras estranhas características: tem pelos secretores de seda e bicos pareados compostos de 100 segmentos que excretam um químico defensor, de natureza.
 
Nadadora de primeira 
Scolopendra cataracta
Wiki Commons/CB/Divulgação
 
Localizações: Laos, Tailândia e Vietnã
Com 20 pares de pernas e 20 centímetros de comprimento, o novo centípede é a primeira espécie já observada que tem a habilidade de cair na água e se movimentar com a mesma destreza que o faz em terra firme. Por isso, recebeu o nome de cataracta, ou catarata. Surpreendentemente boa nadadora e mergulhadora, ela foi descoberta debaixo de uma rocha, mas escapou e caiu em uma corrente d’água, por onde correu rapidamente, vindo a se esconder, novamente, sob uma rocha submersa. Essa habilidade anfíbia jamais foi descrita em um centípede. O status da população já preocupa devido à destruição do habitat, movida por atividades turísticas, além da construção de represas nos rios onde a espécie se encontra.

» Tomate sangrento 
Solanum ossicruentum
Localização: Austrália
O nome foi escolhido com a ajuda de 150 estudantes da Pensilvânia. O que há de mais especial é que as jovens frutas expelem um líquido vermelho, parecendo sangue, quando cortadas antes de maturarem, e permanecem assim por dois minutos. A planta madura, ao ser aberta, tem sementes que parecem ossos. Daí “ossi” (ossos) e “cruentum” (sangue). Ela chega a alcançar 2 metros de altura e suas frutas medem de 1,5 centímetro a 2,5 centímetros de diâmetro. Acredita-se que as flores (foto) são polinizadas por abelhas. A nova espécie não é tão nova assim, contudo. Ela já era conhecida havia 50 anos, mas, até 2016, os botânicos pensavam, erroneamente, que se tratava de uma variação da S. dioicum.

» Churros primitivo 
Xenoturbella churro
Localização: México
Descoberta nas profundezas do Golfo da Califórnia, a 1.722 metros da superfície, o Xenoturbella churro é um verme marinho de 10 centímetros e representa uma das seis espécies conhecidas de seu gênero. Faz parte de um grupo de animais primitivos, que estão no galho dos animais bilateralmente simétricos, onde se incluem insetos e humanos. Acredita-se que ele se alimenta de moluscos. Os cientistas que o descobriram acharam o verme parecido com um churros, por isso deram esse nome a ele.
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