Dia Mundial do Leite: descubra mitos e verdades sobre o alimento

O Correio conversou com uma nutricionista que desmistificou crenças sobre o leite e pontuou os benefícios da ingestão para o corpo humano

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postado em 01/06/2017 17:43 / atualizado em 01/06/2017 19:42

Reprodução/Internet
Mocinho para alguns, vilão para outros. Entre mitos e verdades, o leite vem transitando no mundo das dietas e restrições alimentares de ambas as formas. Conhecido como um dos alimentos mais ricos em nutrientes, ele levou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU, na sigla em inglês) a instituir, em 2001, o Dia Mundial do Leite, celebrado em 1º de junho.

 

A data, criada pela entidade para incentivar o consumo de lactícíneos, celebra os benefícios do alimento para a saúde humana. A FAO recomenda a ingestão de pelo menos 180 litros de leite por ano para cada pessoa. O Correio conversou com a nutricionista Juliana Machado, que explicou os benefícios do leite e desmistificou algumas crenças sobre o alimento.

 

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O leite de vaca traz benefícios para a saúde?

 
Segundo a nutricionista, o leite é um alimento que contém proteínas de alta qualidade e boa digestibilidade, auxiliando na construção de tecidos e na preservação de músculos, cabelos, unhas, entre outras partes do corpo. A especialista explica, porém, que o líquido não faz bem para a saúde de todos. "Depende. Se a pessoa que for consumí-lo não possuir nenhuma restrição a este alimento, sem dúvida é interessante ele fazer parte da alimentação", explica.
 

Adultos precisam beber leite ou deve ser evitado?

 
Muitos já podem ter ouvido falar que, na fase adulta, não é necessário o consumo do leite, mas Juliana conta que a ingestão do alimento não deixa de ser importante para quem já não é mais criança. "O leite, mesmo o de origem animal, não deixa de ser nutritivo quando nos tornamos adultos. Apenas incorporamos outros alimentos em nossa dieta, tanto por terem outros nutrientes, que não estão presentes no leite, quanto por aumentarem nossa capacidade gustativa. Embora o organismo passe inevitavelmente a produzir menos a enzima lactase ao longo do tempo, isso não significa que todos nos tornamos intolerantes à lactose”, afirma a nutricionista.
 

O leite orgânico é mais seguro que o leite não orgânico?

 
“O leite orgânico difere daquele obtido na pecuária convencional por não conter resíduos químicos de qualquer espécie”, esclarece a especialista. Segundo ela, ambos possuem o mesmo valor nutritivo e o leite orgânico pode ser consumido puro, sob forma de derivados ou incorporado a outros alimentos.
 

A ingestão de leite causa pedra nos rins?

 
Juliana afirma que o leite não é uma causa direta da nefrolitíase, conhecida como cálculo renal: “A formação dos cálculos renais é o resultado de um processo complexo e multifatorial, tendo como principais responsáveis os distúrbios metabólicos, infecções urinárias, anormalidades anatômicas e causas desconhecidas .”
 

Qual o melhor tipo de leite para consumo e qual a diferença entre eles para o organismo?

 
Para a nutricionista, deve haver um cuidado ao classificar alimentos como bons ou ruins. “Cabe a cada um de nós compreender quais são as nossas necessidades alimentares e as maneiras corretas de satisfazê-las”, atesta.
 
A nutricionista explica que a diferença entre os tipos de leite se dá pelo teor de gordura láctea presente em cada um. “O leite desnatado possui menor quantidade de colesterol (substância gordurosa encontrada naturalmente no corpo humano, com o papel de manter cada célula do corpo funcionado adequadamente) que o semi-desnatado, e este menos que o integral, enquanto que para os teores de gorduras insaturadas, a ordem se inverte: o leite integral é que o apresenta maiores quantidades”.
 

Laticínios causam ganho excessivo de peso?

 
"Estudos confirmam a importância nutricional do leite na alimentação e reforçam o possível papel do consumo de laticínios na prevenção de obesidade", atesta Juliana.

 

Reprodução/Internet

 

O leite ajuda a prevenir alguma doença?

 
Segundo a especialista, o consumo de laticínios é um elemento importante para uma alimentação saudável e equilibrada que ajuda na prevenção de várias doenças crônicas, cardiovasculares, alguns tipos de câncer, obesidade e diabetes.

 

 

A falta de leite na dieta gera algum problema?

 

"Para quem não bebe leite, não há problema algum, desde que ela busque adequar a proteína e o cálcio da alimentação, seja através do consumo de carnes, feijões, castanhas, legumes e verduras fontes desses nutrientes", explica.

 

 

Quais os maiores mitos envolvendo o leite?

 
“Os maiores mitos são que leite desnatado é o leite integral com água; adultos não devem tomar leite; não se pode tomar leite com manga; leite pasteurizado ou de caixinha perde os nutrientes e mulheres grávidas devem evitar tomar leite”, esclarece a nutricionista.

 

 

Intolerância à lactose

 
A intolerância ao leite é causada por fatores genéticos e pode aparecer em qualquer fase da vida. A digestão e a absorção da lactose regride com a idade, o que pode fazer com que várias pessoas desenvolvam deficiência e incômodos. Assim, as reações gastrointestinais relacionadas à má digestão de lactose caracterizam a intolerância à lactose.
 
Entre os sintomas, estão excesso de gases intestinais; náuseas; vômito; e diarréia. O diagnóstico é realizado com exame de sangue, de fezes ou com dosagens de hidrogênio expelido pela respiração. Na criança, normalmente, é retirado o leite da dieta e observada a melhora clínica. Machado ressalta a importância de diagnóstico, já que outras causas levam aos mesmos sintomas.
 
Para o tratamento, é recomendado a retirada de produtos lácteos da alimentação. Porém, a nutricionista alerta que a restrição por tempo prolongado pode favorecer a ocorrência de deficiências nutricionais de cálcio, fósforo e vitaminas, e, recomenda produtos fermentados como opção. “A adoção do consumo de produtos fermentados à base do leite tem se mostrado eficaz na redução da intolerância. As bebidas lácteas fermentadas contém enzimas que contribuem para digestão da lactose. Suplementos alimentares à base da enzima lactase podem ser utilizadas juntamente com a ingestão de produtos contendo lactose e minimizar a ocorrência de sintomas”, diz ela.
 

Alternativas aos intolerantes

Juliana cita diversos opções que são fonte de cálcio para o organismo e que podem substituir o leite. “Alguns alimentos servem como fonte alternativa de cálcio, como exemplo o feijão, ovos, couve, brócolis, espinafre e verduras escuras em geral. Figo, uva passa, cenoura e laranja também têm um pouco de cálcio, além do queijo de soja e sardinha que são ricos em cálcio. As verduras verde-escuras (brócolis, espinafre e couve), assim como castanhas-do-pará, amêndoas e tofu são excelentes fontes de cálcio. Muitas dessas, inclusive, têm teor mais elevado do mineral que o próprio leite”, destaca a médica, que acrescenta: “também há disponível uma gama de alimentos sem lactose nos mercados”.
 
No entanto, os produtos para os intolerantes contém lactose. “De acordo com a nossa legislação, um alimento classificado como Zero Lactose pode possuir uma quantidade de até 100 mg por 100g ou mL [de lactose], então, dependendo da tolerância que a pessoa tiver e principalmente a quantidade consumida%u200B, poderá ser observado alguns sintomas. Não é porque é zero lactose ou reduzido teor de lactose que deve-se consumir à vontade. Sempre é válido lembrar que uma alimentação adequada ela deve respeitar a quantidade, qualidade, ser harmoniosa e adequada para a pessoa”, fala a nutricionista.
 
A resolução da Anvisa RDC Nº 135, de 8 de fevereiro de 2017, define que as informações de lactose no rótulo equivale:
 
Abaixo de 100 mg/100 g ou ml - Não contém lactose
De 100 mg até 1g/100g ou ml - Baixo teor de lactose
Igual ou acima de 100 mg/100g ou ml - Contém Lactose

 

Segundo a nutricionista, outra alternativa é adequar a proteína e o cálcio da alimentação com alimentos ricos nesses nutrientes, como brócolis, repolho-chinês, mostarda chinesa, tofu com calcio, feijão azuki, feijão branco, tofu, amêndoa,  castanha do para , quinoa, aveia, sardinha, rúcula, agar seco, tomilho moído, oregano moído, melado de cana, figo desidratado, damasco, tamarindo, tahine, gergelim tostado, entre outros. 

 

*Estagiárias sob supervisão de Anderson Costolli

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