EUA: pesquisadores modificam genes de embrião humano pela primeira vez

Técnica é polêmica, pois pode, teoricamente, produzir bebês com características físicas determinadas (cor dos olhos, força muscular, etc.) e mais inteligentes

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postado em 27/07/2017 16:31

Pesquisadores dos Estados Unidos conseguiram modificar genes defeituosos em embriões humanos, pela primeira vez no país, utilizando a revolucionária técnica de edição genética CRISPR, informou nesta quinta-feira a revista MIT Technology Review.
 
 
"Os resultados deste estudo devem ser publicados em breve em uma revista científica", indicou na quinta-feira à AFP Eric Robinson, porta-voz da Universidade de Ciências e Saúde de Oregon (OHSU), onde a pesquisa foi realizada. 

"Infelizmente, não podemos proporcionar mais informações nesta etapa", acrescentou. 

De acordo com a publicação, que cita um dos cientistas da equipe, os experimentos permitiram demonstrar que é possível corrigir de forma eficaz e sem riscos os defeitos genéticos responsáveis por doenças hereditárias. 

Os cientistas deixaram estes embriões modificados se desenvolverem apenas por poucos dias. 

Pesquisadores chineses foram os primeiros a modificar, em 2015, os genes de um embrião, obtendo resultados variados, segundo um relatório publicado pela revista britânica Nature. 

A técnica CRISPR/Cas9, mecanismo descoberto em bactérias, representa um imenso potencial na medicina genética, permitindo modificar os genes de forma rápida e eficiente. 

Trata-se de uma espécie de tesouras moleculares que podem, de maneira muito precisa, eliminar as partes não desejadas do genoma para substituí-las por novos fragmentos de DNA. 

Se esta técnica é capaz de corrigir os genes defeituosos responsáveis por doenças, também poderia, teoricamente, produzir bebês com características físicas determinadas (cor dos olhos, força muscular, etc.) e mais inteligentes, o que apresenta importantes problemas éticos. 

Em dezembro de 2015, um grupo internacional de cientistas e especialistas em ética convocados pela Academia Nacional de Ciências americana (NAS) em Washington considerou que seria "irresponsável" utilizar a tecnologia CRISPR para modificar o embrião com fins terapêuticos até que as questões legais, de segurança e de ética não fossem resolvidas. 

Mas em março de 2017, a NAS e a Academia de Medicina americana consideraram que os avanços realizados na técnica de edição genética das células humanas de reprodução "abrem possibilidades realistas que merecem sérias considerações". 

A premissa de avaliar a eficácia da técnica sobre os embriões humanos também é apoiada na França pela Sociedade de Genética Humana e pela Sociedade de Terapia Celular e Gênica. 

O Reino Unido, por outro lado, já validou projetos de pesquisa que utilizam essa técnica.
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