Crânio antigo sugere raízes africanas de ancestrais de humanos e macacos

Uma criatura previamente desconhecida compartilhava uma família extensa com o antepassado humano, tinha uma cara plana como a de nosso primo distante gibão, mas não se movia como este, escreveram os pesquisadores na revista científica Nature

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postado em 10/08/2017 11:20

The Leakey Foundation / Fred Spoor/AFP Photo


Paris, França -
O crânio de um macaco enterrado por um vulcão há 13 milhões de anos preservou pistas intrigantes sobre os ancestrais que os humanos compartilham com os macacos - incluindo uma provável origem africana, disseram cientistas nesta quarta-feira (9/8) . 

Uma criatura previamente desconhecida compartilhava uma família extensa com o antepassado humano, tinha uma cara plana como a de nosso primo distante gibão, mas não se movia como este, escreveram os pesquisadores na revista científica Nature.  Eles o chamaram de Nyanzapithecus alesi, em referência à palavra "ales" - "antepassado" na língua Turkana do Quênia, onde este crânio do tamanho de um limão foi descoberto.

O único espécime é o de um filhote que teria crescido até pesar cerca de 11 quilos na idade adulta. Ele tinha um cérebro muito maior do que os macacos da mesma época, disseram os pesquisadores. "Se você o compara a todos os seres vivos, parece mais um gibão", disse à AFP o coautor do estudo Isaiah Nengo, da Universidade Stony Brook, em Nova York. 

Isso não significa que o antepassado direto dos primatas vivos necessariamente se parecia com um gibão. Supor isso seria algo semelhante a cientistas do futuro descobrindo um crânio de gorila e concluindo que todos os homininis - o grupo que também inclui chimpanzés e humanos - se pareciam com gorilas. 

A localização da extraordinária descoberta do fóssil, afirmou a equipe, apoia a ideia de que o antepassado dos macacos e humanos viveu na África e não na Ásia, como alguns especulam. "Com isso, nós colocamos a raiz dos hominoidea na África com mais firmeza", disse Nengo. 


Hominoidea, ou hominóideos, é o nome de uma família de primatas. O grupo é dividido em dois: humanos, bonobos, chimpanzés, gorilas e orangotangos de um lado (hominídeos) e gibões (Hylobatidae) do outro. A nova espécie pertencia a um grupo ancestral muito mais antigo, que incluía o antepassado dos hominóideos, concluíram os pesquisadores.

Raízes africanas 
Esse grupo, que ainda não tem nome oficial, viveu e morreu há milhões de anos. "A maior parte e os membros mais velhos desse grupo são africanos, mas não teríamos conseguido solucionar tudo isso sem o Alesi", disse Nengo. "Alesi é que nos permitiu saber quem está nesse grupo, e quando olhamos de perto, vemos que a maior parte do grupo é encontrada na África". 

O crânio do Alesi é o crânio de macaco mais completo de todo o período Mioceno, há entre 24 milhões e cinco milhões de anos. "Pode ser mais jovem (do que algumas outras peças fósseis), mas é o único onde você tem um rosto, você tem a base de um crânio, você tem o interior do crânio, de modo que você pode ver como pode ter sido a aparência de um representante deles", disse Nengo. 

Os exames de alta tecnologia realizados no crânio mostraram que o Alesi tinha dentes semelhantes aos de algumas espécies de gibão.  Enquanto os dentes de bebê do Alesi haviam sido eliminados, seus dentes de adulto estavam não irrompidos dentro da sua mandíbula, e sua idade pode ser determinada com grande precisão - o exemplar tinha um ano e quatro meses quando morreu. 

A equipe também estabeleceu que as partes da orelha responsáveis pelo equilíbrio do Alesi eram diferentes das do gibão, o que significa que ele provavelmente tinha uma maneira diferente, mais lenta, de se mover. Embora se saiba muitas coisas sobre a evolução humana desde que nos separamos dos chimpanzés, há cerca de sete milhões de anos, pouco se sabia sobre os antepassados %u200B%u200Bcomuns de antes de 10 milhões de anos atrás. 

Esta é uma descoberta de fóssil "que eu nunca pensei que seria feita durante minha vida", disse a antropóloga Brenda Benefit, da Universidade do Estado do Novo México. "Esta descoberta ajudará a preencher informações que faltam sobre adaptações que influenciam as histórias evolutivas dos macacos e dos humanos", afirmou Benefit em comentários publicados pela revista. 
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