Estudo comprova que pular o café da manhã faz mal e engorda

Segundo os pesquisadores, os voluntários que não faziam essa refeição eram mais propensos a serem hipertensos e obesos ou com sobrepeso

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postado em 14/10/2017 08:00

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


As mães estão certas: pular o café da manhã faz mal à saúde. Um estudo publicado na revista do Colégio Americano de Cardiologia mostra que esse hábito está associado a um risco aumentado de aterosclerose, condição caracterizada pelo endurecimento e estreitamento das artérias devido ao acúmulo de placas gordurosas. Enquanto estudos anteriores já haviam associado a falta do desjejum a doenças coronarianas, esse é o primeiro a avaliar a associação específica da refeição com a aterosclerose subclínica, quando não há sinais evidentes do problema.

“As pessoas que ignoram o café da manhã regularmente provavelmente têm um estilo de vida pouco saudável”, explicou Valentin Fuster, um dos autores do artigo e editor da revista científica em que o trabalho foi publicado. “O estudo fornece evidências de que esse é um mau hábito que as pessoas devem mudar para reduzir o risco de doença cardíaca”, alertou.

A pesquisa foi conduzida em Madri e incluiu homens e mulheres saudáveis, sem doença cardiovascular ou renal crônica. Um questionário informatizado foi utilizado para estimar a dieta dos participantes, e os hábitos em relação ao café da manhã basearam-se na porcentagem do consumo de energia do total diário. Os médicos identificaram três grupos: aqueles que ingerem menos de 5% das calorias do dia no café da manhã, os que consomem mais de 20% da energia nessa refeição e os que ingerem entre 5% e 20%.

Dos 4.052 participantes — homens e mulheres com idade entre 40 e 54 anos —, 2,9% pulavam o café da manhã; 69,4% ingeriam poucas energias nessa refeição e 27,7% estavam dentro do adequado, consumir mais de 20% das calorias diárias no desjejum. Exames de imagem mostraram que a aterosclerose era mais comum entre os participantes do primeiro e do segundo grupos, comparados aos que faziam o desjejum como o recomendado. Nesses, 57% dos participantes mostraram algum tipo de aterosclerose subclínica. No primeiro, em que não era feito o desjejum, a incidência subiu para 75%.

Além disso, marcadores de risco cardiometabólico foram mais prevalentes naqueles que pulavam café e nos que comiam pouco no início da manhã. Essas pessoas também tinham maior circunferência abdominal e índice de massa corporal,  mais pressão arterial elevada, lipídios no sangue e níveis de glicemia em jejum.

Rotina insalubre


Segundo os pesquisadores, os voluntários que não faziam essa refeição eram mais propensos a ter um estilo de vida insalubre, incluindo alimentação ruim, consumo frequente de álcool e tabagismo. Eles também tinham maior probabilidade de serem hipertensos e obesos ou com sobrepeso. No caso da obesidade, os autores do estudo disseram que a causalidade reversa não pode ser descartada: os resultados observados poderiam ser explicados por pacientes obesos que pulam o café da manhã para tentar emagrecer.

“Além da associação direta com fatores de risco cardiovascular, o hábito de pular o café da manhã pode servir como marcador de uma dieta ou um estilo de vida não saudáveis, o que, por sua vez, está associado ao desenvolvimento e à progressão da aterosclerose”, diz José L. Peñalvo, professor-assistente da Faculdade Friedman de Nutrição da Universidade Tufts, e principal autor do estudo.

O estudioso também chama a atenção para o uso clínico e coletivo do trabalho conduzido por ele. “Nossas descobertas são importantes para os profissionais de saúde e podem ser usadas como uma mensagem simples para intervenções baseadas em estilo de vida e estratégias de saúde pública, além de fornecer recomendações e diretrizes sobre a dieta”, afirma.

Já na infância


Prakash Deedwania, professor de medicina da Universidade da Califórnia em São Francisco e autor de um comentário editorial que acompanha o artigo, disse que o estudo traz informações clinicamente importantes ao demonstrar a evidência da aterosclerose subclínica em pessoas que ignoram o desjejum. “Entre 20% e 30% dos adultos pulam café da manhã, e essa tendência reflete a crescente prevalência da obesidade e de anormalidades cardiometabólicas associadas”, escreveu.

Segundo o especialista, os efeitos adversos de adotar esse hábito podem ser vistos no início da infância, sob a forma de obesidade infantil. No caso dos adultos, a decisão de não se alimentar no início do dia acaba impactando nas refeições até a noite.  “Embora as pessoas que mais pulam o café da manhã geralmente façam isso para tentar perder peso, muitas vezes, acabam comendo mais e ingerindo alimentos não saudáveis no fim do dia”, alerta o médico. “Pular o desjejum pode causar desequilíbrios hormonais e alterar os ritmos circadianos. Essa refeição é a mais importante do dia, o que foi comprovado à luz dessa evidência.”

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