Especialista diz que há várias alternativas para o uso racional da água

Desafio do país é superar a falta de planejamento hídrico e buscar alternativas para o reaproveitamento de água pela população

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postado em 18/04/2017 06:00

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press


Como igualar a oferta e a demanda de água num planeta em que, a cada 20 anos, dobra-se o consumo do bem pela humanidade? Quando juntamos a falta de planejamento e as alterações climáticas, que também diminuem a oferta, chegamos a um cenário crítico, com aumento do consumo. O que fazer? Como reduzir a demanda e conseguir segurança hídrica?

 

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Professor de tecnologia ambiental e recursos hídricos do Iesb, Felipe Eugênio Sampaio explica que existem várias alternativas para o uso racional da água, como aproveitamento da chuva, reúso, dispositivos próprios para economia, individualização de hidrômetros e  campanhas educativas. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 110 litros de água são suficientes para atender às necessidades diárias de uma pessoa. Quem demora demais embaixo do chuveiro pode consumir, apenas nessa atividade, a cota diária, já que, a cada minuto no banho, são gastos em média seis litros de água. E ainda tem a água que usamos para escovar os dentes, dar descarga, limpar as mãos, cozinhar, lavar a roupa, além de matar a sede. Quando colocamos na ponta do lápis, percebemos a importância de cada um economizar ao máximo na sua rotina diária.

Reaproveitar
Sampaio chama a atenção para o uso de água potável em situações desnecessárias, como a descarga do vaso sanitário, a lavagem de pisos e de carros e a manutenção de jardins e espelhos d’água. Segundo dados do livro Previsão de consumo de água: interface das instalações prediais de água e esgoto com os serviços públicos, de Plínio Tomaz, em uma residência, 35% do gasto de água é com a descarga do vaso sanitário, ou seja, mais de um terço do total.

Sampaio citou um estudo mostrando que é possível economizar 63% de água aproveitando a chuva para fins não potáveis. “O aproveitamento da água da chuva pode ser uma boa ideia para diminuir a demanda de água potável, que se compra da companhia de saneamento. Devemos refletir: precisamos usar água potável para descarga de vaso sanitário? Essa água precisa ser a mesma água que se faz o arroz, que se bebe? A água, apesar de ser renovável, não é inesgotável”, alertou.

O professor mostrou como é fácil e acessível construir um reservatório para captação de água da chuva e explicou que já existem normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para a realização da obra, além de vários estudos sobre viabilidade econômica, inclusive com soluções para épocas de escassez de chuva.

Para o reúso, é preciso diferenciar águas negras e águas cinzas. A primeira vem do vaso sanitário e da cozinha. As cinzas são menos contaminadas e vêm do banho, do lavatório, de banheiras e de máquinas de lavar roupa. As águas negras têm uso mais restrito, mas as cinzas podem ser usadas para irrigação de plantas ornamentais e gramado. “Subsídio científico e técnico existe, mas poucas edificações possuem”, constatou.

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