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Correio Braziliense

Invasão de terras no DF tem relação com desperdício de água

Rollemberg acredita que a ocupação desordenada e a grilagem de terras são duas das causas para a crise hídrica no Distrito Federal

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postado em 18/04/2017 06:00

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press

A invasão de terras na capital da República tem uma relação com o desperdício de água. “Em Brasília, o processo de ocupação desordenada do solo, característica da ocupação da cidade, com condomínios irregulares, invasões de áreas públicas e áreas de preservação de nascentes e mananciais, contribuiu para estressar o abastecimento hídrico”, afirmou o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg.
 
A ocupação desordenada também é responsável por 35% das perdas de água da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). Em todas as comunidades irregulares, as pessoas fazem ligações clandestinas — conhecidas como “gatos” — na rede pública que geram vazamentos e desperdício. “A água chega à casa das pessoas sem que seja cobrado nada, e isso faz com que elas não tenham o mesmo cuidado na utilização da água”, avalia o governador. Segundo a Caesb, prejuízos com os “gatos” em áreas irregulares chegam a R$ 34 milhões por mês.

O desperdício de água em sistemas de abastecimento não ocorre só no Brasil. Mesmo em países desenvolvidos, o problema é recorrente: na Alemanha, 9% de toda a água é desperdiçada nos sistemas públicos, número muito parecido como os do Japão e Estados Unidos. No Brasil, o volume correspondente à 38,8% de toda a água tratada, segundo dados do Ministério das Cidades. Em algumas regiões, como o Norte e o Nordeste do país, esse índice ultrapassa os 50%, revelando a carência de medidas para o combate ao desperdício, que vão além de uma mera conscientização social da população.

Investimentos
Rollemberg admitiu que há 16 anos não havia investimentos para captação e tratamento de água no DF. O último grande empreendimento foi a construção da Barragem de Corumbá 4, próxima a Luziânia (GO). Ali, as obras da Estação de Tratamento deverão ser entregues no segundo semestre de 2018, por causa de atrasos por parte da Companhia de Abastecimento de Goiás. O impacto nos cofres públicos do DF será de R$ 280 milhões. A Estação de Tratamento vai trazer água para o abastecimento de 20% da capital do país. Gama e Santa Maria serão as primeiras cidades a receberem água desse manancial.

Para ajudar a enfrentar a crise hídrica e desafogar os reservatórios existentes, o governo local trabalha com algumas estratégias. Ainda este ano será concluído o sistema de captação do Bananal, córrego afluente do Lago Paranoá. Com investimento de R$ 20 milhões — recursos do Banco do Brasil —, a captação e a adução do Bananal vai ter capacidade para vazão média de 726 litros por segundo e beneficiará cerca de 170 mil habitantes.

A água será captada no Ribeirão Bananal e injetada na tubulação adutora que conduz água do Lago de Santa Maria à Estação de Tratamento de Água de Brasília. As regiões administrativas abastecidas pelo Sistema Santa Maria-Torto são Cruzeiro, Itapoã, Jardim Botânico, Lago Norte, Lago Sul, Paranoá, Plano Piloto, Setor Complementar de Indústria e Abastecimento (Scia)/Estrutural, Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), Sudoeste/Octogonal e Varjão.

Já está licitada e contratada uma obra para captação definitiva de 2.800 litros por segundo no Lago Paranoá, dependendo de recursos federais e locais. Sem contar os R$ 55 milhões liberado pelo Ministério da Integração Nacional para captação emergencial de 700 litros por segundo. O contrato deve ser assinado nesta semana. “Vamos iniciar o período de seca com apenas 50% da capacidade nos reservatórios do Descoberto e de Santa Maria. O processo de reflexão que o rodízio de abastecimento tem produzido nas pessoas mostra que a gente gasta muito mais água do que necessita. Nossos hábitos não estão de acordo com a nova visão de sustentabilidade de um planeta que precisa de água. Temos que mudar”, atestou o governador.

Melhores práticas 
Na abertura do Seminário realizado pelo Correio Braziliense, 11 de abril, o governador Rodrigo Rollemberg destacou a importância de trazer o Fórum Mundial da Água para Brasília. “Será um evento importante para debater e conhecer as melhores práticas desenvolvidas em todos os lugares do mundo. Só vamos construir novas formas de nos relacionarmos com a água, evitando desperdício, garantindo eficiência nos usos múltiplos, se tivermos uma consciência coletiva. Portanto, um debate como esse é da maior importância.”
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