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Correio Braziliense

Águas do "Velho Chico" chegam à região de Campina Grande (PB)

Região vive uma das maiores secas dos últimos 100 anos. A estrutura começou a receber a água do Eixo Leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco

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postado em 18/04/2017 06:00 / atualizado em 18/04/2017 00:00

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press

As águas do "Velho Chico" chegaram, na última quinta-feira, à região de Campina Grande (PB), garantindo o abastecimento para mais de 716 mil pessoas em 18 municípios. Em visita ao reservatório Epitácio Pessoa, localizado no município de Boqueirão, o ministro da Integração Nacional, Hélder Barbalho, destacou o esforço de todos os envolvidos. A região vive uma das maiores secas dos últimos 100 anos. A estrutura começou a receber a água do Eixo Leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco, inaugurado em 10 de março.
 

Depois do reservatório Boqueirão, a água continuará seguindo o curso do rio Paraíba até a barragem Acauã, para beneficiar  mais 132 mil habitantes em mais 12 cidades paraibanas, por meio de sistemas de distribuição já implantados. O tratamento e a distribuição da água do Projeto São Francisco são de responsabilidade das companhias estaduais de abastecimento. O Ministério da Integração apoia financeiramente as obras e acompanha todas as etapas do processo.

No total, o Eixo Leste conduz as águas do São Francisco por 217km, entre canais, seis estações de bombeamento, aquedutos e túnel. A captação do rio é realizada no lago de Itaparica, entre os municípios pernambucanos de Floresta e Petrolândia. De lá, a água ainda passa por mais duas cidades nesse mesmo estado: Custódia e Sertânia — antes do seu destino final na Paraíba.

Ações
O Projeto de Integração do Rio São Francisco é uma das principais ações do ministério para ampliar a oferta hídrica à população. Com 477km de canais e estruturas distribuídos em dois eixos — Norte e Leste —, o empreendimento vai garantir água a 12 milhões de pessoas em 390 municípios nos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

O ministério também executa obras estruturantes para ampliar o abastecimento de água em centros urbanos e comunidades rurais, a exemplo do Canal do Sertão Alagoano, Vertente Litorânea da Paraíba, Cinturão das Águas do Ceará e Adutora do Agreste (Pernambuco). Para combater a escassez hídrica que atinge a capital federal, a pasta aprovou no último mês um projeto no valor de R$ 55,5 milhões para captação de água no Lago Paranoá.

Soma-se aos grandes empreendimentos outra ação do ministério destinada à população rural: o programa Água Para Todos, responsável pela implementação de tecnologias de abastecimento como cisternas, barreiros, sistemas de abastecimento de água, entre outras.

O Programa de Revitalização da Bacia do Rio São Francisco — Plano Novo Chico — lançado pelo governo federal em agosto do ano passado, também foi destacado pelo ministro. A iniciativa tem o objetivo de melhorar de modo contínuo a saúde do principal rio que atende a à região Nordeste. O Plano prevê investimentos da ordem de R$ 7 bilhões ao longo de 10 anos e deve beneficiar 16,5 milhões de pessoas em 505 municípios de sete unidades da Federação: Minas, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Goiás e Distrito Federal.
 
 
 
Abastecimento
A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração, também atua para garantir o abastecimento de água à população, porém, em caráter emergencial, seja por meio da Operação Carro-Pipa, da instalação de adutoras de engate rápido e de sistemas de captação de água. “Temos, atualmente, mais de 6,9 mil carros-pipa circulando diariamente para levar água a moradores da região Nordeste”, exemplificou Helder Barbalho. “A operação é realizada pelo Exército e só em março custou  R$ 90 milhões aos cofres públicos. É caro! Mas enquanto não existir uma solução definitiva para estas populações não ficarem sem água, é necessária”, garantiu.

Mais de um quarto das mortes de crianças com menos de cinco anos são causadas por fatores ambientais, como falta de saneamento, uso de água imprópria para o consumo e poluição. Anualmente, 1,7 milhão de meninos e meninas nessa faixa etária morrem porque vivem em locais insalubres.

Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS), que alertou: as causas mais comuns de mortes entre crianças de um mês até cinco anos são diarreia, malária e pneumonia. “Poluição e  falta de saneamento são os principais agravantes para a saúde da população e geram doenças como esquistossomose, leptospirose, dengue, febre amarela, tracoma e febre tifoide. Essas doenças são comuns em muitas cidades do país com bolsões de pobreza, principalmente pela falta de saneamento e acumulo de água de forma inadequada”, alertou a analista do Ministério da Saúde, Adriana Cabral.

A publicação Herdando um Mundo Sustentável: Atlas sobre a Saúde das Crianças e o Meio Ambiente defende intervenções nos espaços por onde as crianças circulam para evitar contaminações e doenças. Outro relatório — Não polua o meu futuro! O impacto do meio ambiente na saúde das crianças — revela que, a cada ano, 570 mil crianças com menos de cinco anos morrem por infecções respiratórias, como a pneumonia. Doenças são atribuídas à poluição do ar em ambientes fechados e abertos, bem como ao fumo passivo.

Outros 361 mil meninos e meninas na mesma faixa etária morrem por diarreia porque não têm acesso à água potável, esgoto e higiene. A escassez de recursos hídricos próprios ao consumo humano afeta também centros de saúde. A OMS estima que a falta de limpeza, saneamento e água limpa em unidades de tratamento está associada à morte de 270 mil crianças, que falecem durante o primeiro mês de vida. Complicações que incluem a prematuridade.

A malária ainda provoca, anualmente, 200 mil mortes de crianças com até cinco anos de idade. De acordo com o organismo internacional, mortes  poderiam ser evitadas com ações para eliminar criadouros de mosquitos e melhorar o armazenamento de água. O documento mostra ainda que outras 200 mil mortes na mesma faixa etária são provocadas por lesões e acidentes — intoxicações, quedas e afogamentos — atribuíveis a riscos ambientais.

Vigilância
O Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua), estruturado a partir dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), desempenha um papel fundamental para garantir o monitoramento da água. “Importante ressaltar que água para consumo humano é toda aquela utilizada para ingestão, preparação e produção de alimentos e para higiene pessoal, independente de sua origem”, explicou a Adriana Cabral, analista do Ministério da Saúde


Transposição

477km
distribuídos em dois eixos

12 milhões
de pessoas beneficiadas com as águas da transposição

390
municípios atendidos em quatro estados
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