Setor de construção acredita em recuperação no ano que vem

Com a redução de atividades estimada em 22% em cinco anos, o setor não conseguiu sentir, por enquanto, o fim da recessão,

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postado em 26/12/2017 06:00 / atualizado em 25/12/2017 23:01

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

O fim da recessão econômica só será percebido pela construção civil em 2018, tal o baque que provocou nas empresas do setor. Apenas em 2017, houve redução de atividades da ordem de 6%, fechamento de milhares de postos de trabalho e recuperação judicial de companhias devido ao uso significativo do distrato contratual por investidores em imóveis. Apesar dos obstáculos, a crise serviu para o segmento buscar novas soluções. Assim, está otimista e confiante com a retomada do crescimento econômico.

As informações são do vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Adalberto Valadão. Segundo ele, a construção civil tem participação de 6% no Produto Interno Bruto (PIB) e, entre 2012 — quando começou a sentir a crise — e 2017, sofreu uma redução nas atividades estimada em 22%. Um tombo e tanto. Não por acaso, a economia como um todo afundou.

“Sempre dissemos no setor que somos os primeiros a sentir e a entrar na crise e também os primeiros a sair dela, mas, desta vez, não foi assim. A gente imagina que vai, de fato, sair agora em 2018, depois de outros segmentos”, diz Valadão. Para a CBIC, as ações realizadas pelo governo, tais como o teto de gastos, a reforma trabalhista, a terceirização e a redução da inflação e dos juros, estão criando a melhoria do ambiente de negócios desejado pelo empresariado.

Insegurança jurídica


Na opinião do vice-presidente da CBIC, para qualificar esse ambiente de negócios falta ainda a reforma da Previdência. “É diferente um parlamentar dizer às bases eleitorais que votou pela reforma e favoreceu o crescimento da economia do que dizer que foi contra em defesa de sabe-se lá o quê. Melhor dizer que foi em prol de a economia crescer”, afirma.

O setor da construção civil é subdividido em incorporação imobiliária e obras públicas de infraestrutura. Com o corte do governo em investimentos, houve significativa retração na execução de obras públicas. Além disso, a Caixa Econômica Federal, responsável por 70% do crédito imobiliário, parou com os financiamentos para resolver seus problemas financeiros, e o setor sentiu o resultado no todo: a perda de 1 milhão de trabalhadores.

A CBIC tem conversado com o governo e o Congresso Nacional em busca de solução para um problema que tem levado incorporadoras imobiliárias à recuperação judicial: os distratos contratuais. De acordo com o vice-presidente da entidades, “chegou-se a ter entre 40% e 50% de distratos, especialmente de investidores que perceberam perda de valor no imóvel e correram para reaver seus investimentos”, ressalta. “A Lei 4.591/64 dá guarida, mas tem sido um instrumento de insegurança jurídica para o setor”, frisa.

Também estão sendo mantidas conversas sobre licenciamento ambiental, papelama inserida na burocracia e que representa 12% do valor dos imóveis. Considera-se que, em Brasília, esse custo esteja em torno de 20% e com imensa dificuldade para a aprovação dos projetos.

E, se época de crise costuma ser considerada fértil para novas soluções, é o que a Câmara da Construção tem buscado para retomar investimentos, por meio de Parcerias Público-Privadas (PPP) voltadas às empresas de médio e pequeno portes e dos municípios.


Juros baixos


O motor da incorporação imobiliária é o crédito, especialmente com juros baixos. O patamar atual da taxa Selic, de 7% ao ano, é considerado bastante razoável pelo setor. Para o vice-presidente da CBIC, Adalberto Valadão, falta aos bancos compreenderem que “de fato a Selic é 7%, porque os financiamentos não são de 7%”.

Sempre dissemos no setor que somos os primeiros a sentir e a entrar na crise e também os primeiros a sair dela, mas, desta vez, não foi assim. A gente imagina que vai, de fato, sair agora em 2018, depois de outros segmentos”

Adalberto Valadão, vice-presidente da CBIC 

Agronegócio pede logística

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Se essa crise fiscal recente serviu para alguma coisa, foi deixar claro à mente brasileira que o Estado não é indutor de crescimento. Com base nessa premissa e considerando as travas de infraestrutura e logística  que bloqueiam um deslanche maior do agronegócio no país há muito tempo, o presidente do Instituto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Roberto Brant, defende a liberação de concessões e parcerias para que o investimento privado favoreça o escoamento da safra agrícola.

"O que queremos do governo é que ele rearranje, institucionalmente, as relações do Estado com o setor privado, para que a gente possa privatizar tudo e mais um pouco", afirma Brant. Ele destaca também que um bom  ambiente macroeconômico é vital para sustentar o crescimento econômico que desponta, de forma a garantir mercado à produção agrícola, cuja parcela maior se destina ao consumo interno. "Precisamos que o nível da atividade seja elevado e que haja demanda pelos produtos", ressalta.

O futuro do agronegócio depende de melhorias em infraestrutura, em especial, de estradas. O setor movimenta cerca de 1,4 bilhão de toneladas, quase a mesma quantidade de granéis que a do setor mineral, segundo dados da Embrapa."Não apenas a construção como a manutenção de toda a logística tem de voltar para a iniciativa privada", continua ele, dada a incapacidade de investimentos públicos.

O executivo lembra que a malha logística ainda tem o desenho de 1970. "O agronegócio cresceu, ocupando as fronteiras do oeste e do norte do país. Todas as nossas facilidades portuárias estão localizadas lá. Metade da produção brasileira de grãos ocorre na parte norte do país, mas apenas 15% dos grãos são escoados por lá", conta. Assim, o aporte de toda essa oferta de produtos agrícolas para as regiões do Centro-Sul resulta em congestionamento de estradas e portos, provocando perda de valor para o produtor rural.

Preconceitos


"Olhando para o futuro, o agronegócio tem um grande mercado mundial para explorar. Acho que já acabou o preconceito de que o Brasil não pode ser rico baseado na exportação de produtos do agronegócio", avalia Brant. "Hoje, está todo mundo convencido que pode, sim, e deve seguir nessa trilha. Para isso, é preciso redesenhar a malha logística."

O agronegócio, cuja safra de grãos 2017/2018 pode ficar em torno de 227 milhões de toneladas - um bom resultado, embora abaixo da safra extraordinária de 2016/2017 (238 milhões de toneladas), tem potencial para gerar excelente produção, também, em 2018/2019. A previsão é de fechar com 215 milhões de toneladas de grãos. Brant ressalta que a safra brasileira - não é só soja e milho, produtos altamente exportáveis, mas também café, mandioca, arroz, feijão, amendoim".

O setor tem "largos horizontes à frente. Temos os mercados do mundo para ocupar e atender, mas isso só será possível dentro de um Estado minimamente normal", alerta.

Brant critica declarações recentes de pré-candidatos às eleições majoritárias de 2018. Na visão dele, as manifestações ampliam as incertezas para o cenário político-econômico. %u201CNós precisamos de uma visão holística, conjunta, integrada. Além disso, todos pregam uma renovação do Congresso Nacional, mas esse Congresso não será renovado, absolutamente, em nada. Podem até mudar alguns CPFs (Cadastro de Pessoas Físicas), mas a mentalidade e as condutas serão exatamente as mesmas%u201D, aposta.

Para Brant, se o eleitor %u201Cnão sabe o que está acontecendo, então, podemos esperar tudo desta eleição%u201D, declara. %u201CA não ser que os setores responsáveis da sociedade participem de um esforço coletivo para que se possa construir uma candidatura presidencial viável, capaz de aprofundar as reformas e conviver com um Congresso que será exatamente igual ao que está aí%u201D.
R$ 559,6
bilhões
Faturamento do 
agronegócio estimado para 
2018, com alta de mais de 5%

"O que queremos do governo é que ele rearranje, institucionalmente, as relações do Estado com o setor privado, para que a gente possa privatizar tudo e mais um pouco"

Roberto Brant, presidente do Instituto CNA

Depoimentos
Antônio Rodrigues Filho, servidor aposentado da UnB

"O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, e os economistas Zeina Latif, Thais Zara e Tony Volpon traçaram um norte não só para a economia, como também para a política em 2018. Vim para o debate porque represento a Confederação Brasileira dos Círculos Operários, uma instituição com 80 anos. Temos bens patrimoniais e investimentos e precisamos nos informar das tendências econômicas para o nosso planejamento estratégico. O seminário foi excelente. Algumas das ideias colocadas levarei para a nossa próxima assembleia."

Carlos Alberto Souza, administrador de empresas aposentado

"Achei muito boas as palestras e o debate. Acredito agora que o Brasil está alinhado, pronto para melhorar. Nós passamos pelo que passamos, e da forma como a gestão está sendo levada a sério, a economia vai melhorar. Acho que depende de cada brasileiro cobrar. Nós éramos muito ausentes, porém, agora, devemos cobrar e seguir esse caminho vitorioso."


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