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Correio Braziliense

"Transformei meu luto em luta", diz presidente da ONG Trânsito Amigo

Fernando Diniz perdeu filho em acidente de trânsito há 14 anos

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postado em 10/05/2017 16:05 / atualizado em 10/05/2017 16:08

Minervino Junior/CB/D.A Press
O presidente da ONG Trânsito Amigo, Fernando Diniz, deu um depoimento comovente da triste realidade das vítimas da violência no trânsito. Na noite de 10 de março de 2003, Fabrício Diniz, primogênito de Fernando, perdeu a vida num acidente na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, vítima da ação irresponsável de um motorista que, além de trafegar acima da velocidade permitida, ziguezagueando na pista, havia usado substância psicoativa. “Foi uma noite tenebrosa que nunca sairá das nossas mentes e de nossos corações”, confessou.

No acidente, além de Fabrício, morreram  duas amigas, Mariana e Juliane, ambas de 18 anos. O motorista do veículo, Marcelo Henrique Negrão Kijak, 14 anos após o crime, segue foragido, procurado pela Interpol no mundo inteiro. Foi uma carona mortal. “Parece que foi ontem. O mundo desabou aos nossos pés. Não conseguiamos ver qualquer luz no fim do túnel, tampouco um porto seguro. O que nos acalentava era a nossa inabalável fé em Deus. E, mesmo assim, parecia que eu naufragava em um oceano profundo”, lembrou. 

Fernando tinha perdido a vontade de viver. Até ser alertado por um médico que lhe perguntou se já havia ouvido falar em morto-vivo. Ele disse que conhecia a expressão. Ao que o especialista completou: “É quando se morre em vida. Ou o senhor volta a conviver com a vida ou passará a ser um morto-vivo. E tenho certeza de que não era isso que o seu filho ia querer”. Foi quando Fernando passou a procurar outros pais que viviam a mesma experiência dramática que ele: conviver para sempre apenas com a lembrança de seus filhos. 

Mas ele buscava por mais iniciativas, acreditava que era necessário desenvolver ações educativas que pudessem mobilizar a sociedade, alertando sobre a dimensão da violência do trânsito e formando uma consciência de prevenção e proteção. Aproximou-se de parlamentares e executivos, sugerindo ações que pudessem minimizar os efeitos caóticos do trânsito. Conseguiu oficializar o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito, apresentou um projeto de penas alternativas, criou um memorial, participou da fundamentação da Lei 11.705/08 (Lei Seca), participou de vários fóruns ao redor do mundo. “Transformei o meu luto em luta. Andei por muitos lugares, viajei pelo mundo afora sempre levando a mensagem da responsabilidade e respeito com a vida alheia como uma questão de cidadania e civilidade. 

Para Fernando, o teste toxicológico “é a mais importante tecnologia para a diminuição das mortes provocadas por profissionais de veículos pesados”. “Milhares de inocentes morreram e continuam morrendo devido à ação irresponsável, egoísta e criminosa de quem se drogou, bebeu, desrespeitou a lei, dirigiu, feriu e matou. Não podemos aceitar ter que dividir este espaço com verdadeiros zumbis do asfalto”, concluiu. 

Fernando disse que sempre que lia notícias informando a redução do número de acidentes nas rodovias federais, como no último feriado de Páscoa, se comparado ao mesmo período do ano passado, não via motivos para comemorar. “Com o balanço do primeiro ano de obrigatoriedade do exame toxicológico posso acreditar que, agora sim, podemos celebrar. Essa nova tecnologia salva vidas.”
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