Cocaína é a droga mais utilizada por caminhoneiros no Brasil

Exame toxicológico vai ajudar a desmontar parte substancial do tráfico de drogas. Estudo americano mostra que 40% dos usuários vendem o produto

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postado em 10/05/2017 15:55 / atualizado em 10/05/2017 16:15

 
Precarização do trabalho e competição para entregar cargas no tempo mais curto levam motoristas ao uso de cocaína nas estradas. Com a obrigatoriedade dos exames toxicológicos para renovação de carteiras do tipo C, D e E, cerca de 70% das amostras positivas demonstraram o uso de cocaína. O toxicologista norte-americano Barry Sample, explica que o consumo não está ligado ao uso recreacional, e sim, ao uso ocupacional. “Os caminhoneiros preferiam anfetaminas, mas trocaram de substância porque a cocaína é mais barata e acessível”, disse. No entanto, ambas levam o usuário a se drogar mais, porque a dependência causa a impressão de que a quantidade utilizada não tem o mesmo efeito de antes.

Quando alguém consome uma droga, a substância geralmente leva entre um e três dias para ser eliminada do organismo. No caso do fio de cabelo, a substância é incorporada ao bulbo capilar por meio da corrente sanguínea e não tem como sair de lá. Dessa forma, o exame pode detectar um consumo de drogas a longo prazo e traçar um histórico de uso. O mesmo raciocínio vale para os outros pelos do corpo.

Desde março de 2016, todos os motoristas de caminhões, ônibus e vans do Brasil são obrigados a fazer o teste do cabelo se quiserem tirar ou renovar a carteira de habilitação. Com a implantação da lei, mais de 10 mil unidades de coleta foram habilitadas em todo o país. E esse número tende a crescer. Anualmente, mais de 2 milhões de pessoas têm interesse em trabalhar com a carteira de motorista profissional. “Essa política pública vai ajudar a desmontar parte substancial do tráfico de drogas”, assegurou Sample.
 

Testes reduzem acidentes 


O especialista explicou como funciona a aplicação do teste de queratina em motoristas profissionais e defendeu que ele deve ser utilizado por outras empresas e outras categorias de trabalhadores. “Alguns empregadores nos Estados Unidos utilizam exames toxicológicos para promover um ambiente de trabalho livre de drogas, onde os funcionários estejam seguros e não percam produtividade. Há estudos que mostram que empresas abertas à política de testes sofrem menos com acidentes de trabalho”, destacou.

De acordo com Sample, mais de 40% dos usuários de drogas costumam vender o produto no ambiente de trabalho e 18% já roubaram dos amigos para bancar o vício. Nos Estados Unidos, o custo desse problema ultrapassa 80 bilhões de dólares por ano. “O Brasil foi o primeiro país na América do Sul a implantar o teste. Isso demonstra uma liderança e preocupação em procurar soluções para os problemas nas estradas. As informações devem colaborar para estruturar políticas públicas mais fortes e específicas”, contou.

 
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