Do samba ao sertanejo, uma geração de bons artistas começa a se formar

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postado em 13/02/2011 08:00 / atualizado em 11/02/2011 22:50

Irlam Rocha Lima

Karini Van Lausberg/Divulgação
A música em Brasília exibe vigor com chegada da segunda década do século 21. Numa cidade que hoje se caracteriza pela diversidade de sons e ritmos, o que não falta são caras novas mostrando trabalho. Em segmentos como rock, samba, funk, choro, axé, hip-hop e sertanejo, grupos e cantores começam a se destacar e surgem como boas revelações.

Entre eles, alguns estão praticamente no começo da carreira e aos poucos vão sendo descobertos pelo público. Outros, porém, com trajetória maior, já têm até fãs conquistados em apresentações ao vivo ou pela internet, ferramenta utilizada por muita gente que quer ver e ser vista. O Correio foi atrás desses jovens artistas da cidade e destaca o eles que vêm fazendo.

 Dos novos no heterogêneo universo sonoro brasiliense quem faz mais barulho é o Sapa Bonde, grupo de funk formado por oito cantoras assumidamente lésbicas. Com apenas um ano de música e sem disco lançado, tornaram-se conhecidas no Brasil e no exterior ao utilizarem de estratégia tecnológica: postaram vídeo amador na internet, que não demorou muito para ter algo em torno de 40 mil visualizações.

 “Nós sempre fomos ligadas à música. Cada uma de forma diferente. Eu e a Marie somos DJs (Holy Bitches), Jubinha e Tava G vieram de bandas de rock; enquanto Anfetasmina, Nina, Mari Versátil e Luara Marola de Fogo gostam de MPB”, lembra Carol Bitch, uma espécie de porta-voz da turma. “Antes de formar o grupo, tudo o que fazíamos nesta área era de brincadeira. Foi assim, por exemplo, o vídeo da música Eus sapa, que gravamos durante férias em Fortaleza, em janeiro do ano passado”, acrescenta.

 Depois de Eus Sapa, chegou à internet, via YouTube, Sapabonde di rolê. Os dois funks — de criação coletiva —, com letras de temática explicitamente lésbica e forte apelo sexual, ganharam remixes de DJs nacionais e internacionais. A repercussão foi tão grande que as meninas foram convidadas por um selo europeu para gravar um CD. Material para o álbum é que não falta. “Depois do agito inicial, compomos mais oito músicas. A mais recente é Maria passivona”, anuncia Carol. Trecho da letra diz: “…Te ligo hoje à noite/Cê sabe eu tô a fim/Eu caio na tua casa/ Não dá mole, cai ni mim..”

 No dia 22 do mês passado o Sapa Bonde levou ao delírio a plateia presente no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Convidadas pelo produtor e DJ João Brasil, elas participaram do show de encerramento do projeto Sai da rede. “Tomar parte na festa-show do João Brasil foi bacana, ainda mais porque dividimos o palco com dois ídolos nossos, Marina Gasolina e Gaby Amarantos”, afirma Carol. Antes, elas haviam feito apresentação na boate Blue Space. “Temos show marcado para o dia 19 próximo no Club Glória, em São Paulo”, adianta.
 
Batuque
Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Com dois anos de batuque, o SaiaBamba, também formado só por mulheres, tem movimentado locais como Feitiço Mineiro e Bar do Calaf — dois redutos de MPB — com rodas de samba bem concorridas. “O samba de raiz está na essência do nosso trabalho, mas hoje já nos permitimos fazer mistura. Algumas das nossas composições podem ser vistas (e ouvidas) como samba rock e samba funk”, explica a vocalista e pandeirista Ju Rodrigues.

Ela e suas companheiras de conjunto, Itana Moraes (voz e violão), Amanda Rodrigues (tamborim, cajón e vocais), Irene Egler (surdo e vocais), Tati Moraes (rebolo), Inaê Moraes (ganzá, meia-lua e vocais) e Cristiane La Plata (cavaco e vocais) preparam-se para gravar um CD demo, embrião de um futuro álbum, que pode sair no decorrer deste ano.

“Nos nossos shows cantamos músicas de Cartola, Geraldo Pereira, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Martinho da Vila e outros mestres. No CD, porém, vamos registrar só músicas nossas”, antecipa Ju. Delas, três já são bastante conhecidas do público que as acompanha nas apresentações pela cidade: Solidão a dois, Soul do samba e Vou sair. “Esta última transformou-se em nosso primeiro hit”, festeja a vocalista.

Diversidade comprovada


Outros destaques entre os novos nomes da música candanga são o bandolinista Tiaguinho Tunes, o rapper Ezzy, os cantores Thiago Nascimento e Daniel Beira Rio e a banda Bilis Negra. Todos, em seus respectivos segmentos (saiba mais sobre eles ao lado) vêm dando clara demonstração de que Brasília é um inesgotável celeiro de talentos artísticos.

Ezzy
Com apenas 15 anos, Ezzy é a mais nova promessa do hip-hop na capital. Sua carreira teve início no ano passado, e hoje está em fase de produção do primeiro CD, que deverá ter 10 faixas. “Todas as músicas são de minha autoria, com temática voltada para o entretenimento, mas sem deixar de lado questões sociais, os chamados assuntos mais sérios. Faço parte do coletivo Timetro Hip-Hop, de São Paulo, mas tenho admiração pelos brasilienses Ataque Beliz e o Flo Rida”, revela.

Tiago Tunes
Não há entre os chorões brasilienses quem não aposte em Tiago Tunes, o Tiaguinho, garoto de 13 anos que segue os passos dos consagrados Hamilton de Holanda, Dudu Maia e Marcelo Lima, suas principais influências. Ex-aluno da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, atualmente ele ensaia pelo menos uma hora por dia. “Em dezembro toquei numa roda de choro, no Teatro Oi Brasília, ao lado do Hamilton. Foi uma honra para mim”, comenta.

Daniel Beira Rio
No boom da música sertaneja que se observa no Distrito Federal atualmente, uma boa revelação é o Daniel Beira Rio, cantor nascido em Planaltina, onde já conquistou um número expressivo de fãs. Alinhado ao chamado sertanejo universitário, foi uma das atrações do projeto Sabadão universitário, no Flamingo Shopping (próximo a Sobradinho). Ele mira no exemplo de duplas vitoriosas da nova geração, como Jorge & Mateus, Fernando & Sorocaba, João Bosco & Vinicius e João Neto & Frederico.

Thiago Nascimento
Ligado à música desde a adolescência, Thiago Nascimento, 24 anos, surge como um dos melhores cantores da cidade. Embora seja intérprete de outros gêneros — como o pop rock — ele tem se destacado como cantor de axé music. Carismático, na companhia de sua banda, leva muita gente para assisti-lo nos vários locais do circuito noturno da cidade. “Tenho feito muitos shows, principalmente nos fins de semana. Começo na quinta-feira, no Miauquemia (108 Sul), onde me apresento, também, no sábado à tarde. Na sexta-feira, canto no Empório Santo Antônio (Pier 21) e no domingo Bier Fass (Gilberto Salomão)”, diz Thiago, que tem como referência na axé music Daniela Mercury, Ivete Sangalo e Timbalada.

Bilis Negra
“Fazemos rock brasileiro”, deixa claro Breno Brites, vocalista e guitarrista da Bilis Negra, fugindo de qualquer outro rótulo. Na banda formada há um ano e meio, ele toca ao lado do irmão e baixista Bruno Prieto e do baterista Fabrício Cinelli. Diante da falta de espaço para novos grupos de rock na cidade, eles estão atuando, também, como produtores do projeto Sonzera, no Balaio Café (201 Norte). “Já abrimos para a banda inglesa Black Nekon e neste ano vamos gravar nosso primeiro CD. Temos 14 músicas prontas.”
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