Confira imagens inéditas do filme Faroeste Caboclo

Correio acompanha uma noite de filmagens do longa-metragem e tem acesso a imagens das gravações da cena da Rockonha

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postado em 02/05/2011 11:03 / atualizado em 09/05/2011 09:58

Renato Alves

Renato Alves


Na madrugada gelada de quarta para quinta-feira, dezenas de tiros são disparados no pinheiral do Paranoá. Mas, desta vez, nada a ver com a atual guerra entre as gangues que atormentam os moradores da cidade e do vizinho Itapoã. Os tiros de festim remetem à outra disputa, eternizada em 159 versos por Renato Russo. No meio da sombria e desabitada reserva ambiental, as turmas de Jeremias e João do Santo Cristo travam mais uma batalha pelo controle do tráfico de drogas na capital federal. As cenas, rodadas por quase 12 horas, estarão no filme Faroeste caboclo, baseado na canção-hino gravada pela Legião Urbana em 1987, no disco Que país é este.

O Correio acompanhou os bastidores e a filmagem da produção prevista para estrear nos cinemas em outubro. A locação daquela noite e madrugada, que renderá cerca de dois minutos nos mais de 90 do longa-metragem, envolveu cerca de 130 pessoas e uma parafernália. Além de atores, diretores e técnicos, havia gente para cuidar de transporte, segurança, comida, higiene e saúde da equipe. Um batalhão que se mantinha calado a cada grito de “silêncio, gravando”.

As cenas daquela madrugada eram uma continuação da Rockonha, a festa organizada por Jeremias — “maconheiro, sem-vergonha” — onde muita gente acabou preso em flagrante pela temida polícia nos anos de chumbo da ditadura militar. A Rockonha do filme foi rodada 10 dias atrás, em Sobradinho, no mesmo sítio onde ocorreu a original, descrita por Renato Russo. A produção do longa cedeu ao Correio imagens inéditas da gravação da balada movida a rock e a maconha.

Escrito por Marcos Bernstein e Victor Atherino, com consultoria do escritor Paulo Lins, autor do clássico Cidade de Deus, o roteiro de Faroeste caboclo ambienta a rotina violenta de quadras do Plano Piloto e, principalmente, da periferia de Brasília entre 1979 e 1981, período em que Renato Russo escreveu a música. Nas filmagens acompanhadas pelo Correio, teve perseguição e tiro. Em meio aos pinheiros do Paranoá, que na ficção são os arredores do sítio da Rockonha, Jeremias e sua turma armaram uma emboscada para Santo Cristo.

Jeremias (Felipe Abib) contava com o apoio de policiais corruptos comandados pelo agente Marco Aurélio, personagem de Antonio Calloni. O experiente ator se disse emocionado em integrar o elenco de Faroeste caboclo. “Aceitei o convite desse projeto por se tratar de uma homenagem ao Renato Russo, um poeta, um gênio da nossa música”, comentou Calloni. Além de contracenar com atores profissionais, em suas cenas ele tem a companhia de policiais civis de verdade. Agentes que trocam as noites de folga para fazer figuração como policiais corruptos e trocar tiros com traficantes de mentira.

Pablo e Maria Lúcia

Se Jeremias tem a proteção de policiais, Santo Cristo (Fabrício Oliveira) conta com a amizade de Pablo. Na fita Faroeste caboclo, “o peruano que vivia na Bolívia e muitas coisas trazia de lá” é interpretado pelo uruguaio César Troncoso (o protagonista Beto, de O banheiro do Papa). Ele desembarcou em Brasília há uma semana para gravar as cenas em que ensina os segredos do tráfico e contrabando a Santo Cristo e das mortes em que se envolverão. “Pablo é um típico traficante boliviano do início dos anos 1980”, observou, enquanto colocava algumas das pulseiras de ouro do seu personagem.

Na trama, Santo Cristo e Jeremias travam outra disputa. Ambos lutam pelo amor de Maria Lúcia. A menina linda, para quem o coração o Santo Cristo prometeu, é vivida pela global Ísis Valverde. Moradora do Plano Piloto, ela estuda na Universidade de Brasília (UnB) e tem como pai o senador Ney, interpretado pelo também global Marcos Paulo, que após uma longa temporada volta a trabalhar como ator. Ambos já gravaram cenas juntos na capital do país. Ísis também esteve em cenas rodadas na UnB, onde ocorreu uma animada festa de rock.

O gosto pela maconha leva Maria Lúcia a conhecer os inimigos Jeremias e João de Santo Cristo. No filme, os traficantes se encontraram pela primeira vez em um casarão do Lago Sul. O personagem de Felipe Adib é marcado pelas roupas de couro e um bigodão ao estilo mexicano, típico dos antigos faroestes americanos. Para manter esse clima de bangue-bangue, o diretor René Sampaio escolheu as ruas empoeiradas do Jardim ABC, para rodar as cenas de Ceilândia do fim dos anos 1970. A comunidade localizada no Entorno começa a receber a equipe de Faroeste caboclo daqui a duas semanas.

Faroeste em números

» 30 atores
» 300 figurantes
» 120 técnicos

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