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Correio Braziliense

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Ícone do rock gaúcho apresenta disco com influências psicodélicas

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postado em 20/05/2011 13:29

Felipe Moraes

“A obra dele não tem diferença para a pessoa dele. Não é artista de hora marcada. A poesia dele é o tempo todo”, diz o guitarrista carioca Leonardo Bomfim, sobre Plato Divorak. De fato, não há afetação no jeito de ser do febril músico gaúcho: ele é uma mistura de beatnik e Rimbaud, com a rebeldia de Juventude transviada e Sem destino, mas uma consciência pop de sacadas ágeis e baladas velozes. Um poeta espontâneo — e bem-humorado —, Plato compõe versos psicodélicos, de colagens cósmicas e tropicalistas, desde os anos 1980, quando se embrenhou nas turmas hippies. “Era experimentação pura”, ele conta.

“Já estava num visual meio Nick Cave, positive punk”, completa. As lembranças de tempos lisérgicos, no underground garageiro, encontraram em Bomfim um parceiro de composições. As criações da dupla, somadas a resgates de projetos anteriores de Plato — com Frank Jorge e de Plato & Os Sha-Zams — compõem o disco Plato Divorak & Os Exciters, de gestação longa — gravado em 2007 — e finalmente lançado de forma independente em 2011.

Assim que conheceu Bomfim, em 2005, Plato percebeu que o potencial lírico dos dois poderia resultar em composições conjuntas. “Vi a forma como as palavras dele eram parecidas com as minhas”, conta. Então, foi criada a banda Plato Divorak & Clepsidra, que tinha Rodrigo Layne (baixo) e Diego Cartier (bateria). Ambos saíram da formação depois que o registro foi finalizado. Hoje, a formação conta com Leo e Bruno Ruffier (guitarras), Felipe Faraco (baixo) e Pedro Petracco (bateria). Em Brasília pela primeira vez com projeto próprio, o gaúcho apresenta o disco amanhã, às 22h, no projeto Sonzera! (Balaio Café, 201 Norte), na companhia de outros músicos. Pedrinho Grana & Os Trocados abre caminho para a apresentação.

Texturas
A produção de Os Exciters é de Thomas Dreher, que responde por trabalhos com Júpiter Maçã e Cachorro Grande, para ficar em apenas dois nomes relevantes. O polimento de Dreher garante homogeneidade à coleção de 14 faixas — organização que não compromete o jorro criativo. A sonoridade não poderia ser outra: uma profusão de imagens delirantes, curiosas, algo esquisitas, em melodias que conjugam estranheza e familiaridade.

A jornada rumo ao universo de Plato começa com a acelerada Eu sou ídolo pop!. “Eu sou um ídolo pop / Mas sou bonito”, ironiza. “Panfletos contra os poderosos / Que não dançam balé / Como o casal beat”, ele anuncia, logo na sequência, em Casal beat. Impressões surrealistas aceleradas na velocidade do melhor dos anos 1960. Uma das principais referências, informa Leo, é o The Who: “Há duas vertentes bem claras. Uma que é mais pop, no sentido da canção rápida, dos compactos do The Who. E tem músicas mais experimentais, que atira para vários lados.”

Many years young, um blues que segura o ímpeto das guitarras por alguns minutos, prepara a audição para o que vem a seguir, Jacqueline dos theatros. De cara, uma gema: introduzida por percussão e violão, como numa bossa nova das mais serenas, e rapidamente interrompida por refrão e interlúdio funkeados, com intromissões de soul music. “Tem uma parte meio black, quando entram os metais. Meio Tim Maia, Jorge Ben”, aponta Plato. A bossa volta em outros momentos (Canção de amor), mas as impressões roqueiras ficam, especialmente no trio Maquiagem tropicalista, Puressence oscillator e A dança do exciter. Baby Denmark — não se assuste com a duração de 40 minutos — encerra o álbum com sobrecarga psicodélica: a canção é seguida de uma massa de sons e vozes confusos, conversas salpicadas por uma progressão violenta de bateria, loops de baixo e guitarra, ruídos esparsos e outras ranhuras. Uma overdose necessária aos ouvidos.
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