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Ângela Maria lança álbum com que comemora 60 anos de carreira

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postado em 05/02/2012 19:30

Rosualdo Rodrigues

Ângela Maria ficou oito anos sem entrar em um estúdio de gravação. Andava chateada com o mercado fonográfico e, especialmente, com o tratamento que recebeu da Sony Music, na qual gravou discos como Pela saudade que me invade, Sucesso sempre! (com Agnaldo Timóteo), Ângela Maria e Cauby Peixoto ao vivo e Ângela Maria e amigos. “Não é certo: porque a crise está braba, a gravadora simplesmente dispensa os artistas! Fui despedida e isso me deu uma revolta muito grande, porque eu vendia bem. Estava viajando quando fui dispensada, nem me chamaram para explicar. Fiquei sentida”, confessa.

O período de recolhimento acabou no ano passado, quando ela foi convencida pelo empresário Daniel D’Ângelo a voltar a gravar. “Ele me disse: ‘Você tem um público enorme, o problema é com o mercado, você não acabou’”. E tinha mais uma coisa: 2011 marcava o 60º aniversário de lançamento do primeiro disco da cantora. Argumentos aceitos, Ângela Maria entregou ao produtor Tiago Marques Luiz a função de concretizar o novo álbum, não por acaso batizado de Eu voltei.

“Foi uma tarefa difícil e prazerosa. Difícil por conta da expectativa que o público dela tem por um novo trabalho, depois de oito anos. Prazeroso porque não há tradução para a emoção que é ver Ângela Maria em estúdio, aos 82 anos, dando verdadeiros shows de interpretação”, conta Tiago, que assina a seleção de repertório em parceria com a cantora. Algumas músicas, no entanto, eram escolhas prévias da “dona” do disco. É o caso de O portão, sucesso de Roberto e Erasmo Carlos, que abre o repertório e da qual foi tirado o título do álbum.

“Essa música ficou muito conhecida por causa do comercial (a canção foi utilizada como tema de um anúncio de cigarros nos anos 1970), Roberto Carlos não a cantava e ela nunca foi gravada por uma mulher. Mas, quando eu canto em show, o auditório vem junto no refrão. E quando eu falava com o público sobre o novo CD, logo me pediam para incluir a música”, conta Ângela, justificando a escolha.

Estrada de ouro
Fazendo uma espécie de passeio pela trajetória da própria Ângela Maria — e, de certa forma, evidenciando a capacidade de renovação da intérprete —, o repertório inclui compositores de diferentes gerações da música brasileira. Jair Amorim e Evaldo Gouveia, autores de grandes sucessos na voz de Ângela — como Tango pra Tereza —, não podiam faltar. Deles, ela gravou desta vez Eu não sei, que entrou também como forma de homenagear o primeiro intérprete a gravar a canção, Altemar Dutra. “Sou fã do Altemar”, diz a cantora, grande amiga do cantor de Sentimental demais, morto em 1983.

Da “velha guarda”, há também Antônio Maria (Menino grande) e Haroldo Barbosa (Bar da noite, dele e Bidu Reis). Mas o repertório avança na linha do tempo e traz músicas de Tom Jobim e Luiz Bonfá (A chuva caiu), Caetano Veloso (Esse cara), Chico Buarque (Olhos nos olhos), Ivan Lins e Vitor Martins (Espelho de camarim) e até da dupla de linha mais pop Dalto e Cláudio Rabello (o hit Muito estranho ganhou versão abolerada). Ângela lamenta não ter incluído alguma canção de Peninha. “Preciso gravar o Peninha. Ele tem muita coisa boa, mas que só está em discos dele.”

Se depender do entusiasmo de Ângela Maria, não faltará oportunidade para isso. Aos 82 anos, ela contesta quando é tratada por “dona Ângela”. “Dona, não, por favor. Sou um garota”, brinca. “Orgulho de tudo o que eu fiz até hoje, porque foi feito com alegria e com presença marcante do público”, declara. Mas Ângela reconhece que há momentos que marcaram especialmente a memória, como quando ela completava 78 anos e estava fazendo show em Recife. “Eu estava me apresentando no Recife Velho e eram umas 50 mil pessoas cantando parabéns, havia autoridades, fogos… Foi muito emocionante!”

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