A frase do grafiteiro tcheco Pasta cai muito bem à atual situação do Museu de Arte de Brasília (MAB). Estampada no meio da galeria principal do Museu Nacional Honestino Guimarães (Complexo da República), a sentença afirma: “Não há arte na ausência de risco”. Fechado há quatro anos, o MAB está permanentemente em perigo. Com um acervo de 1.200 obras capazes de contar a história da arte brasileira contemporânea, o espaço teve as portas fechadas em 2007 porque o Ministério Público identificou potencial de degradação para o acervo. Desde então, as peças ficam guardadas no Museu Nacional e na Galeria Athos Bulcão. Vez ou outra, são expostas ao público graças ao esforço de Wagner Barja, diretor do Museu Nacional. A mostra Diálogos da resistência é mais uma tentativa de sensibilizar a classe artística e política para a importância do MAB e a necessidade de políticas públicas que contemplem o acervo confiado aos cuidados da Secretaria de Cultura do Distrito Federal.
 | |
| Obra do grafiteiro tcheco Pasta traz a frase "Não há arte na ausência de risco" |
Na galeria principal do Museu Nacional, estão obras de 175 artistas. Dessas, 45 pertencem ao acervo do MAB e 130 foram encomendadas a artistas contemporâneos da cidade com o intuito de promover um diálogo com o acervo histórico. Para muitos, conhecer as obras do museu fechado foi uma surpresa. “É meio triste saber que isso fica lá embaixo e que ninguém vê”, repara Virgílio Neto, 25 anos, que só teve a oportunidade de passear pelo MAB uma única vez antes que fechasse. “Há obras muito importantes nesse acervo, coisas de Lygia Pape e Leonilson, e também de artistas contemporâneos da cidade.” A série de desenhos mostrada por Neto na exposição dialoga com pintura de Elder Rocha. Em ambas, há referências iconográficas muito sutis e ancoradas na cultura pop contemporânea.
Futuro incertoO pintor Elder Rocha, professor da Universidade de Brasília (UnB), tem uma pintura no acervo do MAB e lembra que o descaso com o museu atravessa décadas. “Já é tarde para tomar providências. É triste que ninguém ache que isso seja prioridade em nenhum governo. Desde que eu era criança, ouço essa conversa de que vai ter um local para o MAB. O prédio existe há três anos, já deu para fazer né?”, lamenta o artista. “Essa mostra é legal, pode ser trabalhada com criatividade pelos artistas, é bacana, mas ao mesmo tempo é mais uma exposição para lembrar que o MAB existe. Até quando as pessoas que trabalham lá vão aguentar? Eles fazem aquilo com nada, na unha mesmo”, emenda.
Confira reportagem completa na edição desta sexta-feira (10/2) do Correio Braziliense.
Esta matéria tem: (0) comentários
Não existem comentários ainda