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| Vittorio e Paolo Taviani com o Urso de Ouro que receberam pelo melhor filme da 62ª edição do Festival de Berlim |
A aposta da seleção entre os concorrentes ao Urso de Ouro do Festival de Berlim foi alta, com investimento em nomes ainda não consagrados, mas, no resultado, prevaleceu a voz da experiência, com a vitória dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani, envolvidos com arte há quase 60 anos. Com Cesare deve morire (“César deve morrer”, em tradução livre) vencedor do Urso de Ouro no festival alemão — que começou no dia 9 e terminou ontem —, os octogenários italianos tornam às origens, no retrato documental (presente nas colaborações sessentistas com o diretor Valentino Orsini) e com a veia teatral, que já refletiu admiração por Bertolt Brecht e Luigi Pirandello.
Na cerimônia de encerramento da 62ª edição do Festival de Berlim — ao lado de um emocionado Nanni Moretti (outro alicerce da cultura italiana) —, Paolo Taviani saudou colaboradores presidiários, que, num trabalho sistemático de seis meses, possibilitaram a realização do longa-metragem. Eles foram treinados para encenar um Shakespeare (Júlio César) dentro do presídio de segurança máxima do subúrbio de Rebibbia (Roma), com a ajuda do preparador cênico Fabio Cavalli.
Nas palavras do diretor Paolo, os detentos “recuperaram a vida”, pela conexão com a arte, em processo que trouxe identificação deles com papéis trágicos do celebrado bardo inglês. “Um preso também é uma pessoa, e sempre será”, completou, em pensamento que encontrou eco no politizado júri do evento, presidido pelo diretor Mike Leigh e com integrantes como o iraniano Asghar Farhadi (diretor de A separação) e a atriz Barbara Sukowa (Rosa Luxemburgo).
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