Júlia Bosco se formou em publicidade e propaganda e, por oito anos, atuou como consultora de gestão na Petrobras até decidir encarar a carreira de cantora. Aos 31 anos, lança o primeiro disco, sugestivamente chamado de
Tempo. Mas a música não foi uma descoberta tardia. Filha do cantor e compositor João Bosco, ela desde cedo conviveu com as criações do pai e com o gosto musical dele. “A gente é fruto do meio, cresci ouvindo o que meu pai colocava na vitrola. Ele era ótimo DJ. Nossos jantares eram incríveis (risos)”, lembra.
Na vitrola de João Bosco tocava Billie Holiday, Etta James, Miles Davis… “Coisas que pessoas de bom gosto escutam”, observa a filha. Essas informações se juntaram às descobertas que a própria Júlia faria com o tempo, como Björk, Amy Winehouse e as tradicionais rodas de samba cariocas. Nessas rodas e em saraus na casa de amigos, a cantora começou a se manifestar. Não havia ansiedade em chegar ao disco. “Fui amadurecendo a ideia, sabia que ia acontecer, mas não tinha pressa. Eu não estava parada, queria que fosse natural, e não forçado. No paralelo, ia fazendo minhas experiências musicais.”
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| Em parceira com o marido, Fabio Santanna, a cantora lança CD com 13 canções inéditas |
Júlia sentiu que estava no ponto ao conhecer o multi-instrumentista Fabio Santanna, com quem hoje divide apartamento no bairro do Jardim Botânico, no Rio. Ela nem sabe dizer o que começou primeiro, se a parceria musical ou o romance. “É aquela história: o ovo e a galinha. Uma coisa só aconteceu em função da outra, talvez se a gente não tivesse pensado tanto em música não tivesse tempo para ficar junto e casar. Foi um encontro. O que surgiu disso é muito grande para separar uma coisa da outra.”
O nome de Júlia estampa a capa de
Tempo, mas o trabalho é fruto da parc
eria do casal. Além de coproduzir o álbum com Plínio Profeta, Fabio compôs sozinho quatro das 13 faixas — Confusão, Play a fool,
Mutantes e
Tempo. As demais foram criadas pelo casal, em um processo que não seguia método. “As músicas surgiam naqueles momentos de ‘ih, pintou uma coisa aqui’, ou então resgatando coisas antigas que Fabio tinha no computador… Coexistir no mesmo ambiente foi um facilitador”, conta Júlia.
É com naturalidade, portanto, que algumas canções acabam funcionando como crônicas do cotidiano do próprio casal. “Desavisados, principalmente, tem muito a ver com nossa história. Estávamos vivendo um momento proveitoso para os dois e queríamos dividir. É um assunto que é nosso, mas também de todo mundo que vive um romance”, diz ela sobre a faixa que abre o repertório. Carregado de bossa, jazz, pop, samba, Tempo resulta numa refinada mistura que evidencia a eclética memória musical de quem cresceu vendo a boa música brotar dentro de casa.
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