Diversão e Arte

Sebastião Salgado chega a Brasília com a exposição fotográfica Gênesis

Fotógrafo inaugura a exposição Gênesis, resultado de oito anos de trabalho percorrendo o planeta em busca da vida que ainda permanece intocada e preservada

Nahima Maciel
postado em 02/09/2014 06:03

Índias da etnia zo'é pintam o corpo de urucum: foto foi tirada no Pará, em 2009, e a pintura é uma espécie de vestimenta
Aos 70 anos, Sebastião Salgado está convencido de que, se o homem não se reconectar com a natureza, ele vai caminhar rumo à extinção. Mas isso não angustia mais o fotógrafo. Depois de oito anos a percorrer os quatro cantos do mundo em busca das paisagens, dos bichos e das pessoas que ainda vivem em profundo diálogo com o planeta, Salgado não tem mais medo de imaginar o fim da própria espécie. A ideia o deixou triste e doente quando terminou Êxodos, o ensaio que o levou a acompanhar as migrações e a reformulação do que chama de família humana.

Mas Gênesis foi como uma cura. ;Quando terminei de fazer o Êxodos, eu não estava bem. Começamos aquele projeto ambiental no Vale do Rio Doce e me motivei tanto em direção à natureza, que estava vivendo a natureza. Então, quando quis fazer Gênesis, eu estava todo preparado. Fui procurar o planeta;, contou o fotógrafo, em entrevista ao Correio, enquanto verificava, ao lado da mulher, Lélia, a montagem da exposição que o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) inaugura amanhã.

[SAIBAMAIS]Gênesis tem cinco módulos que circulam pelo mundo e já foram vistos, segundo as contas de Salgado, por 2 milhões de visitantes. Foram, em média, oito meses de trabalho por ano com a produção de quatro reportagens anuais. ;Passei praticamente cinco anos e meio só fotografando. Esse tempo é necessário. Não digo que você não faça fotografia com menos tempo, você faz, mas as oportunidades são bem menores;, conta. Na bagagem, o fotógrafo incluiu as câmeras digitais. Em vez dos 35kg de filme que transportava ao redor do mundo, ele carrega hoje 800 gramas de cartões de memória. ;Diminuí a poluição de maneira drástica, porque a gente usava aqueles reveladores. Na realidade, continuo quase que da mesma forma. Arranjei uma fórmula: fotografo com digital e meus assistentes me fazem uma prancha de contato que edito com uma lupa porque não sei editar no computador;, revela.

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No CCBB, a exposição tem 245 imagens nas duas galerias e 52 nos painéis externos, ao ar livre. A montagem é de Lélia Wanick Salgado, mulher do fotógrafo e curadora responsável por todas as exposições e pela edição dos livros. Quando lançado, no ano passado, Gênesis, que é editado pela Taschen, vendeu 250 mil exemplares em quatro meses.

A exposição está dividida em capítulos que Lélia chamou de Planeta sul, Santuários, África, Terras do norte e Amazônia e Pantanal. Ao final, uma pequena sala consagrada ao Instituto Terra explica como o casal Salgado recuperou um pedaço da Mata Atlântica em uma fazenda herdada do pai de Sebastião no interior de Minas Gerais. Abaixo, o fotógrafo conta como Gênesis é, ao mesmo tempo, um sopro de esperança e um alerta para o futuro do homem na Terra.

Gênesis
Exposição de Sebastião Salgado. Curadoria: Lélia Wanick Salgado. Visitação até 20 de outubro, de quarta a segunda, das 9h às 21h.


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