HQs contestam a visão de que os negros foram subservientes a desigualdade

Histórias em quadrinhos produzidas no Brasil abordam a temática da cultura de origem africana no país de forma diferente

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Esqueça a representação do negro — escravo ou liberto — como resignado. Nenhum dos africanos que vieram para o Brasil era igual e muitos deles lutaram para mudar a condição a que foram submetidos. É desse ponto de partida, de certa maneira uma forma de reescrever a história mais conhecida, que surgiram algumas HQs lançadas no país nos últimos tempos. Marcelo D’Salete e André Diniz são exemplos importantes de autores brasileiros que fizeram da questão racial o centro de suas narrativas.

Marcelo D’Salete é autor de Cumbe. O livro, publicado este ano, é um conjunto de narrativas gráficas que tem como tema a resistência no período da escravidão brasileira. “A ideia surgiu do interesse em abordar a nossa história de um outro ponto de vista nas HQs. Cumbe fala das diversas formas de resistência à escravidão”, conta o quadrinista.

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D’Salete comenta que os negros escravizados tinham a humanidade violada e havia duras tentativas de impedi-los a mudar de situação. Apesar disso, entre punições e desmandos, havia um grito de revolta, um ruído. “O livro Cumbe trata desse ruído, das formas de desgastar esse sistema e, também, de como esses africanos negros poderiam mostrar sua humanidade”, conta.

“Ainda precisamos desvendar muito nossa história e cultura nas diferentes artes. A HQ é um meio forte e potente para explorar esse universo”, ressalta o autor. D’Salete acredita que a temática está mais presente na produção brasileira dos últimos anos, mas ainda aparece muitas vezes de forma marginalizada.

O negro no centro dos quadrinhos

Cumbe

Marcelo D’Salete
Editora Veneta, 176 páginas
R$ 29,90

O quilombo Orum Aiê

André Diniz
Galera Record, 112 páginas
R$ 32,90

Tungstênio

Marcello Quintanilha
Editora Veneta, 184 páginas
R$ 54,90

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