Conheça os únicos 5 atores negros a vencer o Oscar como Melhor Ator e Atriz

Este é o segundo ano consecutivo que não há pessoas negras entre os indicados à categoria. Em protesto, atores e cineastas se pronunciaram contra à Academia e anunciaram boicote à cerimônia marcada para 28 de fevereiro

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 20/01/2016 17:53 / atualizado em 20/01/2016 19:33

 

Os únicos cinco negros a vencerem a categoria de melhor ator/atriz no Oscar, desde 1929, foram os atores Sidney Poitier, Denzel Washington, Halle Berry, Jamie Foxx e Forest Whitaker. A cerimônia, que já ocorreu 87 vezes, selecionou mais de 870 nomes que competiam pela estatueta desde a sua criação. A lista de indicados ao prêmio deste ano, contudo, não incluiu nenhum artista negro entre as 20 pessoas escolhidas nas categorias de atuação pelo segundo ano consecutivo. A predominância de personalidades brancas causou revolta entre personalidades do cinema mundial e, como protesto, atores e cineastas anunciaram boicote à cerimônia marcada para 28 de fevereiro, usando a hashtag #OscarsSoWhite (#OscarEstáTãoBranco).


Importância do debate

Em entrevista à revista norte-americana Variety, o astro George Clooney disse que a indústria está "se movendo na direção errada".  Ele argumentou que, no passado, havia mais afro-americanos nomeados, por causa de mais oportunidades que lhes eram oferecidas: "Se você pensar em 10 anos atrás, a Academia estava fazendo um trabalho melhor". O ator ressaltou ainda que, por isso, havia muito mais atores negros recebendo indicações. “Quantas opções estavam disponíveis à minoria em filmes? E em produções de qualidades?”, questionou o ator.

Além de apoiar a insatisfação dos atores negros, Clooney também chamou atenção para a questão do gênero e ressaltou a disparidade de papeis e salários às mulheres do ramo: “Precisamos ter mais cuidado com as minorias. Eu acho que os negros estão certos em dizer que a indústria cinematográfica não está representando-os o suficiente. E isso é absolutamente verdade”. O atro disse ainda que, neste ano, poderiam ter tido atores negros entre os indicados, como Will Smith no filme Concurssion, Idris Elba, por Beasts of No Nation e, no ano passado, a cineasta Ava Duvernay, em Selma.


O professor do Departamento de Artes Visuais e do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Brasília, Nelson da Silva, explica que houve mais oportunidade de trabalho e mais indicações a artistas negros no passado, por causa do interesse da mídia e da Academia em promover determinados atores e filmes. Contudo, ele esclarece que essa prática atrapalha na ampliação da participação e no conhecimento de outros protagonistas negros, que, muitas vezes, têm a mesma qualidade que os já escolhidos para papéis relevantes: “A indústra tem essa ideia de centrar atenção em um ou outro indivíduo negro. Se ela tem um real interesse na diversidade, precisa abrir os horizontes. E não é isso que está acontecendo”.

 

Nelson afirma que as críticas feitas pelos atores e cineastas são extremamente importantes para o debate da questão das minorias dentro da arte, principalmente por mostrar que o mundo não está tão evoluído como parece. “A diversidade é um patrimônio da humanidade. Se não a valorizam, ajudam a manter a ideia de que tudo que é certo e bom gira entorno dos padrões eurocêntricos. Se até os Estados Unidos, que já estão à frente nesse debate, ainda passam por esse tipo de questão, imagina o Brasil?”, explica o professor, que acrescenta: “é importante que tenham todas as representações”.  

 

"Oscar is so white"

Durante a semana, o diretor Spike Lee também se pronunciou contra as escolhas da Academia e anunciou que não compareceria à cerimônia. “Mas, como é possível, pelo segundo ano seguido, todos os 20 candidatos das categoria de atores serem brancos? E não vamos nem entrar no outros ramos. 40 atores brancos em dois anos”, disse. O cineasta observou ainda que a "batalha real" está nos "escritórios executivos dos estúdios de Hollywood, nas TVs e nas redes de televisão a cabo", já que eles detêm o poder de realizar projetos. "É mais fácil para um afro-americano ser presidente dos EUA do que presidente de um estúdio de Hollywood", lamentou. Com o texto, Lee publicou a imagem do ativista político defensor dos negros Martin Luther King Junior.

 

Outras personalidades negras do cinema americano hastearam bandeira em favor de Spike Lee. A atriz Jada Pinkett Smith, esposa do astro Will Smith, lamentou a ausência de negros entre os indicados. “Na festa do Oscar pessoas de cor são sempre bem-vindas para dar prêmios. Ou mesmo entreter, mas nós raramente somos reconhecidos por nossos feitos artísticos. Pessoas de cor devem se abster de participar todos juntos? As pessoas só podem nos tratar do jeito que nós permitimos”, escreveu a atriz em sua conta no Facebook.

A presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Cheryl Boone Isaacs, comentou sobre o assunto nesta terça-feira (19/1) e se declarou "frustrada" com a falta de diversidade étnica entre os indicados. Ela afirmou que está "de coração partido e frustrada com a falta de inclusão" de atrizes e atores negros na lista de indicados ao Oscar, apesar de considerar importante reconhecer o valor do trabalho dos que foram indicados. "Esta é uma discussão difícil, mas importante, e é tempo de grandes mudanças", afirma Issacs em um comunicado. Desde que assumiu a presidência da Academia em 2013, Cheryl Boone Issacs estimula a diversidade. No entanto, admitiu que "a mudança não chega tão rápido quanto desejamos". "Devemos fazer mais, melhor e mais rápido", afirmou.

 

 

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.