Chick lit: Autoras se destacam ao apostar no gênero com linguagem moderna

Conheça mais sobre o trabalho de Carina Rissi, Marina Carvalho e Paula Pimenta

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postado em 17/07/2016 07:30 / atualizado em 15/07/2016 15:24

LEO DRUMOND / NITRO

O termo chick lit ainda pode ser desconhecido do grande público, mas se refere a um gênero literário bastante popular. Sua classificação ainda é contestada e controversa, mas, em sua maioria, trata-se de obras que falam do universo feminino do ponto de vista de uma protagonista mulher com leveza e humor.

Até por isso muitas vezes é classificado preconceituosamente de “literatura de mulherzinha”. “Acho que não existe isso de ‘mulherzinha’. As mulheres já provaram que conseguem se dar bem em qualquer área, que desempenham mil funções ao mesmo tempo e que podem ser tudo que quiserem. Eu vejo o chick lit como uma literatura de entretenimento, aquele tipo de livro que a gente quer ler para se sentir bem, para se divertir, para passar o tempo, e talvez até aprender um pouco com a experiência dos personagens”, afirma a escritora Paula Pimenta.

A mineira é uma das brasileiras consideradas representante do chick lit na literatura do país. A classificação veio com o lançamento de seu primeiro livro Fazendo meu filme, que se tornou uma série de livros composta por quatro obras A estreia de Fani, Fani na terra da rainha, O roteiro inesperado de Fani, e Fani em busca do final feliz, além de ter se ganhado uma versão em quadrinhos em dois volumes Antes do filme começar e Azar no jogo, sorte no amor?. “Acho que posso dizer que meu estilo é mais “chick liteen”, já que a maioria dos meus livros é voltada para o público adolescente. Acredito que quando a gente lê muito um gênero, tem a tendência de escrever naquele estilo também. Não foi intencional”, completa.


Paula Pimenta começou a escrever ainda na infância, chegou a cursar jornalismo, mas se formou em publicidade. A maior inspiração em suas obras é exatamente o cotidiano, além de seus diários da época de adolescente. Atualmente, trabalha em uma nova série sobre uma garota que ama ler e está fazendo uma continuação para a franquia Minha vida fora de série, que já tem três volumes publicados. Ela ainda é autora de Cinderela pop, Princesa das águas, Princesa adormecida, Confissão e Apaixonada por histórias. Algumas de suas obras foram traduzidas em espanhol e italiano, além de terem sido publicadas em Portugal.

Leveza e humor

 Kiko Cabral/Divulgacao
Outro nome brasileiro que costuma representar o chick lit é a escritora paulista Carina Rissi. Assim como Paula Pimenta, ela diz que não tinha a intenção de escrever exatamente o gênero. “É um dos meus estilos favoritos como leitura e acho que o escritor acaba refletindo um pouco seu gosto literário. Eu não pretendia escrever uma história de chick lit. Na verdade, eu não acho que sei fazer humor”, conta.

Assim que lançou Procura-se um marido, que conta a história de Alicia, que perde o direito à herança do avô por não estar casada, a obra de Carina Rissi foi classificada como chick lit. A leveza do livro e o contexto — Alicia recusa-se a casar mesmo assim — foram responsáveis por tornar a autora em um dos nomes do gênero no Brasil. O sucesso foi tanto que o material ganhou um spin-off que foi lançado neste ano Mentira perfeita. “Acho que o chick lit é um estilo que aposta na leveza e no bom humor. Geralmente, é contado por uma mulher comum, cheia de problemas, aquele tipo que pode ser sua amiga, mãe, irmã ou você mesmo”, completa a autora.

Como Paula Pimenta, Carina sempre teve aptidão para escrita e queria se tornar jornalista. “Nunca pensei em ser escritora. Parecia ser algo distante. Foi bem por acaso. Escrevi para ver do que era capaz, me testando mesmo, não pretendia mostrar para ninguém. Foi assim que surgiu a série Perdida (sobre a jovem Sofia que se descobre perdida no século 19 sem ter ideia de como voltar e que possui mais dois livros)”, explica. Até outubro deve lançar a quarta sequência da saga Perdida.

Chick lit, por acaso

A mineira Marina Carvalho estreou na literatura com Simplesmente Ana, que foi publicado oficialmente em 2013, dois anos após ter sido escrito. A obra, como a autora classifica, é um conto de fadas brasileiro em que a protagonista Ana descobre que seu pai é um rei em um país no sudeste da Europa. “Quando comecei a escrever, pensava em uma história para o público jovem, que é com quem eu trabalho, sou professora. Na verdade, eu nem sabia que o gênero chick lit existia. Eu até ficava constrangida porque eu não sabia dizer o que fazia minhas histórias se encaixarem. Eu ainda tenho um pouco de receio”, revela a escritora.

Arquivo pessoal/Divulgação

Seu mais recente livro é O amor em tempos do Ouro lançado neste ano e que conta a história da franco-portuguesa Cécile Lavigne, que perdeu todos que amava e se muda pra o Brasil em busca o único parente que restou. “Esse é um livro um pouco diferente do que costumo escrever. Desta vez, explorei a questão história. Fui lá no período da colonização para retratar o romance. Fiz uma pesquisa para não cometer incoerências”, completa.

Inspirada por autores como Ana Maria Machado e Pedro Bandeira, gostava de escrever ainda criança. Fez jornalismo, atuou na área e depois se especializou em língua portuguesa. “Foi no contato com os alunos que pensei na possibilidade de escrever não mais como um hobby, mas como profissão”, lembra. Em seu currículo, estão obras como De repente, Ana, Azul da cor do mar, Ela é uma fera, Elena, a filha da princesa, e A menina dos olhos molhados. Atualmente, já trabalha em uma continuação para O amor em tempos do Ouro.

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