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Novo livro de Harry Potter vende milhões de cópias em menos de 24 horas

'Harry Potter and the cursed child' é baseado na peça de teatro homônima encenada em Londres

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postado em 06/08/2016 07:10 / atualizado em 08/08/2016 07:52

Reprodução/Internet


J.K. Rowling correu riscos ao lançar Harry Potter and the cursed child. O título é parte de um compêndio de sete livros e se refere a um espetáculo teatral que estreou em 31 de julho na London’s West End, a Broadway londrina, e, no mesmo minuto, foi lançado como roteiro nas livrarias do mundo. Em menos de 24 horas, o livro encabeçava o ranking de mais vendidos nos Estados Unidos — dois milhões de cópias foram adquiridas. E os ingressos para a peça estão esgotados até maio de 2017. O segundo lote, com 250 mil entradas, começou a ser vendido online na quinta-feira (4/8), mas se esgotou já na manhã de ontem.

Mesmo que a versão em português de Cursed child esteja prevista para chegar às prateleiras somente em 31 de outubro, três meses após a edição em inglês, o roteiro é notícia desde o lançamento, pelo mesmo motivo que se acompanha tudo que é oficial sobre a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. O mercado vê cifrões: os sete livros anteriores venderam cerca de 500 milhões de cópias no mundo, foram adaptados em filmes, erguidos em parques temáticos e transformados em uma marca avaliada em R$ 49 bilhões (US$ 15 bilhões). Os potterheads — como se intitulam orgulhosamente os leitores vorazes da saga — se mostram sempre ávidos por reencontrar Harry, Ron e Hermione, protagonistas da saga.

Cursed child é ambientada precisamente 19 anos após a Batalha de Hogwarts, com Harry, Rony e Hermione como responsáveis pais, aos 40 anos. No arco literário, dá continuação ao epílogo de Harry Potter e as relíquias da morte (2007). Na nova obra, entre passado, futuro e realidade paralela, lugares (Hogwarts, Godric’s Hollow, Ministério da Magia) são revisitados; feitiços clássicos (expelliarmus, avada kedavra) são conjurados; personagens idolatrados (Snape, Cedrico, Dumbledore) são reencontrados. Tudo graças a um vira-tempo, artefato mágico que permite viagens no tempo.

Cronologia

Há momentos em que o formato quebra a fluidez do texto (traço tão aclamado nas obras de Rowling) e em outros é nítida a sensação de que o que se lê foi escrito pelos coautores de Cursed child — o livro é assinado também pelo premiado roteirista Jack Thorne e pelo diretor John Tiffany. É, no entanto, com maestria que, na ponte aérea cronológica de Cursed child, a vilania de Voldemort volta a ser símbolo de terror, mas não é ele o principal vilão. Mais uma vez, Rowling brinca com figuras paternas e transforma Harry no grande antagonista do filho adolescente, Albus Severus, o Potter da vez.

O risco que Rowling corre não é ao expor as falhas de Harry no papel de pai. Afinal, o bruxo continua, de muitas maneiras, sendo a criança incompreendida que apenas tenta dar o melhor de si. Ademais, Albus é muito mais Harry do que os outros filhos, James e Lily. É o que não se encaixa, o diferentão. O perigo aqui confunde ficção e realidade: ao revisitar a morte de Cedrico, o Torneio Tribruxo, a estação de King’s Cross, os autores mexem com eventos já sacramentados para o leitor e, algumas vezes, arriscam a magia de personagens imortalizados para, pelo menos, duas gerações. Harry Potter e a criança amaldiçoada (título em português) é uma leitura obrigatória, mas não será um passeio no parque, indolor. Como a descrição do vira-tempo escrita por Rowling em O prisioneiro de Azkaban (1999): “Eu marco as horas, todas elas. Nem tenho que correr mais que o Sol. Meu valor está avaliado por aquilo que você fizer”.
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