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Correio Braziliense

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Livro fala sobre a relação entre escrita e cinema

'O cinema como refúgio para a escrita', do professor da UnB Pablo Gonçalo, fala sobre o roteiro nos filmes de Peter Handke e Win Wenders

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postado em 24/10/2016 07:00

Arquivo Pessoal/Pablo Gonçalo
 

 

Anos depois do mestrado pela Universidade de Brasília, o agora professor da UnB Pablo Gonçalo, depois de quatro anos de pesquisas, apresenta um resultado prático e único, com o lançamento do livro O cinema como refúgio para a escrita: roteiros e paisagens em Peter Handke e Wim Wenders. Sob o prisma do roteiro, o especialista em ciências sociais e cinema abarca “uma pequena história da sétima arte, desde autores com estilos pessoais e criações vinculadas ao desenvolvimento de roteiros”.


No apanhado de roteiristas analisados na obra, desde a época do reinado de cineastas como F.W. Murnau e Fritz Lang, Pablo Gonçalo aposta na “sensibilidade acadêmica, mas com uma escrita de tom leve, aos moldes de ensaio”. Integrado por 300 páginas e ao custo de R$ 50, o recém-lançado livro terá noite de autógrafos em Brasília, em dezembro.

Dois anos do estudioso, que teve doutorado na UFRJ e formação pela USP, foram dedicados à cultura alemã e austríaca (Pablo foi estudante da Universidade Livre de Berlim), como aponta o livro: em foco estão tanto Wim Wenders quanto o escritor Peter Handke, criador de roteiros de Wenders para fitas como Movimento em falso, Asas do desejo e O medo do goleiro diante do pênalti. Uma das curiosidades no livro é a do exame de quatro filmes do roteirista, na função de diretor, antes da parceria com Wenders. Quanto ao autor, vale lembrar que, além de integrante da Society for Cinema and Media Studies e da Screenwriting Research Network, Pablo se aplica a atividades da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e de Audiovisual.

Na linha de debates propostos no texto de Gonçalo, há análise de obras como as de Samuel Becket, Pier Paolo Pasolini, Georges Perec e Marguerite Duras. “Falo de uma época atípica, já que, agora, os roteiristas se profissionalizaram. Gosto da perspectiva histórica do cinema, e, nisso, abordei potencial adormecido, de roteiros potentes, mas nunca efetivados para as telas”, observa o professor, aos 37 anos.

Em O cinema como refúgio para a escrita: roteiros e paisagens em Peter Handke e Wim Wenders pesam dados da requisição de escritores que fossem roteiristas, por parte das tevês europeias, nos anos de 1950, além do arquivamento de relíquias (leia-se, roteiros não concretizados) guardadas à sombra de diretores e autores influentes.

Templo de cinefilia 
Um dos grandes focos para a formação de Pablo Gonçalo, assumidamente, foi o Cine Brasília (EQS 106/107). Tanta aplicação à sétima arte tornou Gonçalo inclusive nome de relevância no cinema local, a ponto de ser convocado para composição da comissão de curtas e médias-metragens do 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no ano passado. O chamado templo do cinema na capital, por sinal, receberá, a partir de hoje, uma mostra chamada Dias de Cine Esloveno, composta por sete filmes a serem mostrados com acesso livre.

Prestigiada pelo cineasta Miha Hocevar, realizador do primeiro filme a ser apresentado (Fazemos da nossa maneira, hoje, às 19h), a mostra tem como atração inicial uma comédia que une hormônios juvenis, gincanas e escoteirismo. Na quarta e na quinta, respectivamente, será a vez de Cefurji Raus e Circus Fantasticus. O primeiro trata de uma dura realidade para imigrantes da ex- Iugoslávia, enquanto o outro apresenta uma realidade menos dura para um sobrevivente da guerra.

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