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Disco do maestro Jorge Antunes é relançado em vinil na Espanha

" O LP original é bastante comentado em livros musicais e artigos de vários países", comenta o artista

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postado em 02/11/2016 07:58

Renata Rios

 

Reprodução

O maestro Jorge Antunes teve uma feliz surpresa, vinda direto da Espanha. No início do ano a gravadora Guerssen entrou em contato com o músico pedindo autorização para relançar um antigo LP do artista. “Nem sei como tiveram conhecimento do disco. Mas acho que compreendo, porque o LP original é bastante comentado em livros musicais e artigos de vários países”, revela Antunes. O trabalho referido é o álbum Jorge Antunes — Música eletrônica, gravado originalmente pela Mangione, em 1975.


O novo disco ficou pronto recentemente, na forma do tradicional bolachão, que promete uma viagem no tempo para os primórdios da música eletroacústica no Brasil. Vale lembrar que Jorge Antunes — Música eletrônica, foi considerado em 2013, pelo livro da Editora Belas Letras, Curtindo a música brasileira, entre os melhores discos lançados no Brasil.

Apesar da importância do trabalho, essa é a primeira vez que ele é relançado em seu formato original. “As obras que integram o LP foram ao mercado apenas em CDs: Jorge Antunes — Música eletroacústica, período do pioneirismo (pela Academia Brasileira de Música, no ano 2000) e Savage Songs, Early Brazilian Electronic Music (pela Pogus, de Nova York, título, em 2002).

LP ou CD
O LP, por enquanto, não chegou ao Brasil, mas o maestro se mostra otimista. “Na imprensa e no Facebook tenho lido muitos comentários de gente que quer importar o LP da Espanha. Creio que em breve alguma importadora vai se interessar”. Mas ele pondera sobre a dianteira espanhola no relançamento. “Acho que, no Brasil, a onda da volta do vinil ainda não pegou. Na Europa, milhares de discófilos continuam apaixonados pelo vinil, e o mercado é muito bom para esse tipo de mídia.”

Antunes defende a qualidade sonora dos LPs em relação aos CDs: “Tem muita gente que prefere o LP ao CD. É um caso interessante que a tecnologia antiga é mais eficiente que a tecnologia nova, sob o ponto de vista da qualidade sonora. Muita gente acha que é saudosismo ou conservadorismo. Não é não, é uma questão de qualidade”, defende.

  • Você sabia?
  • A chamada música eletroacústica é feita em laboratório, ou seja, não existem músicos tocando instrumentos. Toda a gravação é realizada utilizando geradores de áudio e sintetizadores.

Duas perguntas para Jorge Antunes

 


Como você definiria esse trabalho?
São obras de música experimental, pioneiras no Brasil, e que tiveram técnicas de realização bastante artesanal. Determinaram um marco na música eletrônica brasileira e latino-americana. Na época ainda não existia a denominação “Música Eletroacústica”. O nome era “Música Eletrônica”.

Qual a participação de Francisco Mignone nesse trabalho?
Mignone foi o meu mentor e protetor e incentivador. Ele era amigo do Sr. Mangione, dono da gravadora, e já tinha vários LPs com obras editados pela gravadora carioca. O maestro Mignone assistiu a um concerto no Salão Leopoldo Miguez, da Escola de Música, no Rio, ficou surpreso e fascinado com meu trabalho. Eu não intercedi. Mignone fez a recomendação ao Sr. Mangione voluntariamente, sem eu saber. Vim a saber do pistolão mais tarde (rs).

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