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Cantor português António Zambujo grava disco de canções de Chico Buarque

Apaixonado pela música brasileira, Zambujo escolheu 16 composições de Chico

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postado em 06/11/2016 07:00 / atualizado em 04/11/2016 15:26

Divulgação/Tiago Cação
 
Foi com João Gilberto que o português António Zambujo começou a descobrir a música do Brasil. A importância da canção brasileira para a formação de Zambujo, um dos cantores e compositores mais louvados de Portugal atualmente (ele tem mais de 100 concertos agendados mundo afora até o fim do ano, inclusive no Brasil), foi enorme. De João Gilberto, ele passou aos discos de Caetano, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e talvez à maior paixão de todas: Chico Buarque. Para celebrar o amor pela obra do compositor brasileiro, Zambujo se aventurou em 16 canções escritas por Chico e lança agora o álbum Até pensei que fosse minha.  

Ao compositor carioca, Zambujo não economiza elogios. “É o mais importante autor da história da música cantada em português”, disse ao Correio. Os elogios também não faltam ao resto da canção popular produzida pelo país. O que tanto o encanta na música brasileira? “Tudo”, responde Zambujo, “as músicas, os arranjos, a forma como são cantadas, como a mensagem é transmitida.”

Tom Waits e Chico foram os primeiros a despertar em Zambujo o desejo de ter a discografia completa, para conhecer até o fim. Todo esse conhecimento na obra do brasileiro fizeram Zambujo ter um problema: selecionar quais canções fariam parte do repertório do disco. “Foi a coisa mais difícil. Escolher as 16 finais. Contei com a ajuda do Chico, do violonista Marcello Gonçalves e do produtor João Mário Linhares”, conta.

Veio de Chico, inclusive, a sugestão de gravar duas canções que Zambujo, por si, não escolheria. Cecília (que o português não conhecia) e Nina (do álbum mais recente de Chico) entraram no disco pelo conselho do carioca, que acreditava que elas cairiam bem na voz de Zambujo.
 
Divulgação/Tiago Cação
 
Gravar um disco com canções de um ídolo, e ainda tê-lo por perto, poderia ser um fardo, mas o português garante que não, que não houve insegurança nem peso. “Nunca pesa. Eu sou músico. Só quero cantar e tocar.” Para deixar Zambujo ainda mais satisfeito, Chico, de quebra, também resolveu participar do disco e divide os vocais em Joana Francesa. “Foi um bônus porque nunca esperei que isso acontecesse. Deu uma enorme moral”, confessa. Além do próprio Chico, a cantora portuguesa Carminho e a brasileira Roberta Sá também acompanham Zambujo em duas canções. Carminho, em uma versão à flor da pele de O meu amor e Roberta Sá em Sem fantasia. “Foi maravilhoso. São duas cantoras que admiro muito e com quem gosto muito de cantar, conversar, tertuliar”, conta Zambujo.

Com a experiência e a competência de quem ajudou a reinventar um estilo tão tradicional quanto o fado, Zambujo faz as canções de Chico (como sugere o título Até pensei que fosse minha) quase totalmente dele. O sotaque lusitano e o ar português encontram repouso e potencialização nas dissonâncias e nas letras do brasileiro, como sustenta Caetano Veloso na apresentação do disco: “No timbre e na prosódia lusitana de António, as canções de Chico parecem postas numa perspectiva que dá ao brasileiro uma tomada de distância — no espaço e no tempo — que o leva às lágrimas, assustado que fica com a nova evidência da sua grandeza”.
 
Processo natural
Se o fato de as canções soarem tão de Zambujo e, em alguns momentos, tão diferentes parece exigir muito esforço, o português garante que o processo todo de trazer as canções para o seu universo foi natural e sem preparação. “Naturalmente quando começamos a cantar uma música, gradualmente ela vai tendo um cunho muito pessoal. É um processo natural.”

Depois de muitos shows no Brasil e de fazer amigos por aqui, Zambujo acabou se apaixonando também pelo país que existe além da música. Para a concepção do disco, foram vários encontros com Chico e outros parceiros. “Eu adoro o Brasil. O país vive um momento dificil que irá superar rapidamente. O que mais me encanta nos locais são as pessoas e cada vez tenho mais amigos aí”, explica.

No oitavo disco e com sede de mudar (mesmo que ainda não saiba bem qual caminho seguir), Zambujo avalia também com otimismo a música produzida em Portugal atualmente. “Estou muito feliz com a maior parte das coisas que se fazem em Portugal. É importante perceber que Portugal não é só fado. Estão a ser feitas coisas muito interessantes em todos os gêneros musicais que merecem ser conhecidas”, garante.
 
Divulgação/Tiago Cação
 
Três perguntas / António Zambujo

Você se inspirou no Brasil, mas há também novos compositores brasileiros que têm você como referência, como inspiração.Como você vê esse intercâmbio?
Fico muito feliz com isso. Acho que a partilha é sempre enriquecedora para todas as partes.

Você disse que o disco anterior seria o fim de um ciclo. Como avalia esse ciclo? 
Conseguimos atingir um momento em que sinto falta de mudar. Ainda não sei o que vai acontecer, mas acho que o que atingimos foi muito positivo.

E quais os próximos caminhos? 
Nunca sei...
 
Divulgação/Som Livre
 
Até pensei que fosse minha
António Zambujo canta Chico Buarque. 16 faixas. Som Livre. R$ 22,90.
 
 
 
 
 
Ouça aqui o disco:
 
 
 
 
 
 



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