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Correio Braziliense

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'Patrimônio construído' apresenta seleção dos monumentos da arquitetura

São 574 fotos de Cristiano Mascaro de mais de 110 monumentos, do período colonial até o moderno. Brasília tem quatro obras em destaque

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postado em 08/11/2016 07:31

Severino Francisco

Cristiano Mascaro/Divulgacao


Em mais de cinco séculos de história, o Brasil acumulou um rico acervo de monumentos arquitetônicos, muitas vezes com a participação de artistas de primeira linha tais como o Aleijadinho, Mestre Athaíde, Portinari, Athos Bulcão e Di Cavalcanti, entre outros. No entanto, não havia um livro que reunisse um conjunto significativo dessas obras e permitisse uma visão abrangente das joias da arquitetura brasileira. Em 2002, uma comissão integrada por seis especialistas escolheu 100 monumentos para o livro Patrimônio Construído, com fotos de Cristiano Mascaro, considerado um dos mais importantes fotógrafos de arquitetura do país.

A obra, organizada por Pedro Correa Lago, se tornou um clássico do gênero e, agora, 15 anos depois, chega em segunda edição, revista e ampliada com mais 10 monumentos e nova série de fotos de Cristiano Mascaro e de seu filho Pedro Mascaro.

A edição atual reúne 574 fotos, inclusive com imagens áreas captadas com um drone por Pedro Mascaro. Brasília está contemplada com quatro monumentos clássicos da arquitetura moderna: a Catedral Metropolitana de Brasília, O Palácio da Alvorada, o Palácio do Congresso Nacional e Palácio dos Arcos (Itamaray). Mas o livro inclui também várias obras que têm conexões ou inspiraram Brasília: a Igreja de São Francisco de Assis (do conjunto da Pampulha), o Parque Guinle (RJ), o Edifício Gustavo Capanema (RJ) e a Casa das Canoas (RJ).

O livro é ricamente ilustrado pelas fotos de Cristiano Mascaro e contextualizado, do ponto de vista estético e histórico, por Augusto da Silva Telles, Lauro Cavalcanti e Alexei Bueno. Ele avança em uma linha do tempo que vai do período colonial até a arquitetura moderna de Oscar Niemeyer, João Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha. Há uma conexão direta da arquitetura com os ciclos econômicos, a acumulação da riqueza, as circunstâncias políticas e a assimilação das técnicas construtivas.

Nos séculos 16 e 17, no litoral, com abundância de pedra e de concheiros para a fabricação da cal, levou a uma hegemonia da arquitetura de pedra, enquanto no interior prevaleceu uma arquitetura de barro, disseminada pelos sertões por meio das bandeiras e monções, enfatiza Alexei Bueno, em texto para o livro. Ao chegar a Minas Gerais no século 19, as técnicas construtivas dominantes em São Paulo ganharam outra feição e determinaram o predomínio da arquitetura da alvenaria, em decorrência da prosperidade econômica e da abundância de rocha. É no século 17 que começam a surgir as magníficas edificações da arquitetura monumental, tanto religiosa quanto civil, impulsionadas pelo ciclo da cana-de-açúcar.

O século 18 seria marcado por transformações socioeconômicas que afetariam diretamente a arquitetura, lembra Augusto da Silva Telles em texto para o livro: “Até então apenas a faixa litorânea era ocupada pela população luso-brasileira, e a cana-de-açúcar era o propulsionador da economia e da civilização. Agora, em decorrência das incursões pelo interior do continente, através das denominadas ‘bandeiras’, ocorreu a descoberta do ouro e, depois, dos diamantes. Assim, a civilização interiorizou-se, com a fundação de arraiais e vilas nos locais onde o ouro e as pedras foram sendo encontrados. A criação da Capitania das Minas Gerais visou a organizar a população que se estabeleceu nessas extensas áreas.” Esse período de prosperidade ensejou o desenvolvimento de uma rica arquitetura religiosa e civil, inspirada nas edificações portuguesas. É o ápice do estilo barroco que ergueu igrejas incluídas entre as obras-primas da arquitetura brasileira.

Ecletismo

Novas ondas de turbulências e de mutações atingiram o país no século 19, com a elevação do país a condição de integrante do Reino de Portugal, a transformação do Rio de Janeiro em capital do país, o exílio da família real no Brasil e a proclamação da independência em 1822. Ao longo do século, a população brasileira quadruplicou, passando de 4 milhões, em 1808, 10 milhões, em 1872, O Brasil se urbanizou e este foi um período dominado pelo estilo neoclássico, convivendo com o ecletismo.

A arquitetura moderna também refletiu as inquietações e as transformações ocorridas no país na virada do século 20, marcado por instabilidade política, insurreições sociais e movimentos de renovação nas artes. É neste contexto que surgem as figuras excepcionais de Lucio Costa e Oscar Niemeyer. Além de provocar uma ruptura inovadora do ponto de vista da história da arquitetura brasileira, o projeto urbanístico e os monumentos erguidos em Brasília colocaram a arquitetura brasileira no mapa da arquitetura universal: “No prédio do Ministério da Educação e Saúde, o moderno é experimentado em grande escala em um palácio, provando a sua exequibilidade fora do clima temperado europeu e dos programas “menos nobres” de galpões, fábricas e estações de trem. Nesse sentido, a sede do Ministério brasileiro auxiliou a afirmação do modernismo como um movimento de larga aplicação e alcance mundial”, escreve Lauro Cavalcanti.

Reprodução
Patrimônio Construído
Organização de Pedro Corrêa Lago/Ed. Capivara. 210 páginas. Preço: R$ 160.

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