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Ponto de Cultura Congo Nya celebra 13 anos com atividades culturais

No sábado, às 19h, haverá o VII Desfile de Moda Afro

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postado em 17/11/2016 07:30

Rebeca Oliveira /

Instituto Congo Nya/Divulgação


Quando se procura por São Sebastião nos sites de busca, os resultados são pouco animadores. Ônibus incendiados contra a derrubada de casas, assassinato a sangue frio, furtos e desaparecimentos surgem como referência à cidade há 20km do centro de Brasília. Apesar do descaso com que por vezes é tratada pelas autoridades, a região administrativa fundada há 23 anos só cresce: atualmente, tem mais de 100 mil habitantes. Junto a esse aumento, surgem iniciativas populares para valorização da cultura local — que pulsa, mesmo diante de um cenário adverso.

Uma das mais conhecidas é o Ponto de Cultura Congo Nya, que está em festa nos últimos dias. Essa semana, a ONG celebra 13 anos de fundação. Mais que promover a cultura afro-descente, o endereço trabalha pela melhoria social da cidade, que ainda batalha para que o pouco investimento no setor cultural se reverta. Margot Ribeiro, produtora do Instituto, conta que a iniciativa nasceu porque a cidade já tinha um movimento cultural genuíno, mas com pouca visibilidade no DF e fora dele.

Foi quando, no início da década de 2000, vários alunos da UnB e de ONGs internacionais uniram forças para desenvolver ações regulares. Os ativistas Aunrai Leitch e Sherwin Morris, que comandavam instituto homônimo na República da Guiana, no Norte da América do Sul, também reforçaram a instituição. “Vizinhos, costureiras locais e moradores doavam e investiam dinheiro do próprio bolso para as ideias saírem do papel”, relembra Margot. À época, ela relembra que, em São Sebastião, não haviam iniciativas como a Casa Frida, que promove o empoderamento feminino, ou o Projeto Garatuja, com aulas de balé clássico e dança contemporânea. “Só tinha poeira e lama”, recorda a ativista.

Cultura em foco
Hoje, o cenário em São Sebastião começa a ganhar contornos diferentes. Segundo Margot, há mais de 43 iniciativas culturais em ação na região administrativa. A ONG Congo Nya se inclui, por meio de um foro de entidades que se reúne mensalmente para discutir políticas públicas. “Fazemos isso para que outras instituições possam ter o conhecimento para atingir um panorama parecido com o nosso”, explica. “A ausência do poder público é grave, mas estamos fazendo a diferença, colocando a nossa vida na linha. É carente ajudando carente”, afirma.

No sábado, a ONG levará ao coração de Brasília uma mostra do trabalho que fazem em São Sebastião. Será o encerramento do AfroExplo, com espetáculo de artes integradas, resultado das oficinas de teatro, dança e percussão realizadas na sede do ponto cultural ao longo desse ano. Outra atração é um desfile de black style que, como não poderia deixar de ser, contempla modelos de várias regiões do DF, como Gama, Santa Maria, São Sebastião e Ceilândia. Além de exaltar a beleza negra, a ação conta com produções de ex-alunas do curso de corte e costura da ONG.

Atividades
Na última quarta (15), o Ponto de Cultura Congo Nya lançou uma coletânea com 14 faixas produzidas durante a oficina de gravação e edição de música. Mais que um produto de rico valor audiovisual, a produção tem valor afetivo. Além de jovens da cidade do DF, a turma abrigava adolescentes da Unidade de Internação de São Sebastião (UISS). Foi disponibilizado, também, um documentário com a temática Pertencimento produzido por alunos da turma de filmagem e fotografia com moradores do Acampamento Tiradentes. A 4km de São Sebastião, o acampamento já foi cenário de violência quando, no ano passado, moradores do local buscavam a regularização do uso das terras e de regularização das casas. Divididos em dois grandes grupos, os habitantes da região disseram ser vítima de violência e ameaça.

A comunidade, também são ofertadas, gratuitamente, oficinas diversas, que vão de cursos de percussão, teatro, dança negra contemporânea até Cacuriá, um tipo de dança regional maranhense.



O nome
A instituição recebe esse nome como uma homenagem ao movimento que contestava os conflitos no Congo na década de 1990. Em tradução literal, significa África Livre.


AfroExplo – VII Desfile de Moda Afro
Sábado, às 19h, no Auditório do Museu Nacional da República (informações 3335-7151). Entrada franca.

 

 

 

 

 

 

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