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Longa 'Maresia' discute valores artísticos e financeiros

O filme é dirigido pelo estreante em longas Marcos Guttmann

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postado em 21/11/2016 07:35

Ricardo Daehn

Solar Filmes/Divulgação
 

 

Um contraste entre valores artísticos e monetários — além do tema da vocação pessoal para as artes — está desenvolvido em boa parte do enredo do longa-metragem Maresia, previsto para estrear na próxima quinta-feira. Dirigida pelo estreante em longas Marcos Guttmann, a trama condensa períodos diferentes: em um, vive o esquivo e eremita pintor Emílio Vega; noutro, o perito em artes plásticas Gaspar Dias — ambos interpretados por Júlio Andrade. Gaspar fica extremamente enredado pelos ecos da vida e da carreira de Emílio, com décadas de distanciamento. “Como o filme não se encaixa nas prateleiras mais comuns do cinema brasileiro, a difusão dele é bem trabalhosa, mas apostei em um filme universal”, observa o cineasta.

Admirador de arte e pintura, Marcos Guttmann teve muito apoio de Rafael Cardoso, um historiador de arte que foi corroteirista de Maresia. Afinidade também brotou no convívio com o ator Júlio Andrade, tornado “coautor” do filme, como observa o cineasta. “Vou sintetizar dizendo que ele é camaleônico e de uma entrega absoluta. Em nosso primeiro encontro, logo depois de ele ter lido o roteiro, me perguntou se eu era o tipo de diretor que recebia bem palpites”, relembra o diretor que, prontamente, abraçou contribuições do elenco para formatar a visão de filme pretendido.

Num tabuleiro de personagens interpretados por Pietro Mario (um possível amigo do recluso pintor),  quem se destaca, na verdade, é a brasiliense Mariana Nunes, intérprete da musa de Emílio, Maria. “Nos testes de elenco, ela trouxe uma força e densidade para a personagem que me convenceram imediatamente. Já na leitura de texto, ela trouxe uma visão da personagem totalmente distinta da que eu tinha”, admite o diretor.

Musa negra

Escassa nas telonas brazucas, a representação de uma musa negra, como Maria, não havia sido definida, de fato, no roteiro de Maresia. “A personagem não tinha indicação de cor de pele. Fiz leituras com diversas atrizes, a maior parte de cor de pele branca, mas não me convenci com nenhuma para o papel. Aliás, a cor de pele nunca foi uma questão para mim”, comenta o diretor do longa.

O atípico ano com encavalamento de Olimpíadas e de eleições, como observa Guttmann, veio a “represar vários lançamentos”. O painel levou à estreia de seis filmes brasileiros, na quinta passada, sem contar outros dez, existentes no circuito Rio-São Paulo. “Houve a infeliz coincidência no calendário de eles serem programados simultaneamente. O filme brasileiro infelizmente disputa o mesmo espaço entre si, devido à escassez de salas para exibi-los”, avalia Guttmann. Os contratempos não tiram méritos da fita que consumiu nove anos para vislumbrar o completo financiamento. “Há cerca de oito anos, com a criação do Fundo Setorial, pela Ancine, o governo sinalizou o setor como algo estratégico. Resultados consistentes desta política estão vindo agora. A quantidade gera diversidade”, celebra o cineasta.

9 ANOS
Tempo para viabilizar o financiamento do filme

 

 

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