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É a pior crise que já vivemos', diz Kátia, do hit 'Não está sendo fácil'

Todos os dias deste ano de 2016 oferecem razões para se imaginar que "não está sendo fácil", o refrão do hit Qualquer jeito, foi escrito ontem; mas lá se vão 30 anos desde que Kátia Garcia Oliveira estourou nas paradas

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postado em 21/11/2016 16:40 / atualizado em 21/11/2016 23:44

Divulgação
 
 
Donald Trump eleito presidente dos Estados Unidos, Operação Lava-Jato e suas tenebrosas revelações no Brasil, deslizamentos provocados pelas chuvas em Minas geram tragédias. Todos os dias deste ano de 2016 oferecem razões para se imaginar que “não está sendo fácil”, o refrão do hit Qualquer jeito, foi escrito ontem. Mas lá se vão 30 anos desde que Kátia Garcia Oliveira, popular e preconceituosamente conhecida como Kátia Cega, estourou nas paradas com sua interpretação para a música escrita pela dupla Roberto e Erasmo Carlos – na verdade, uma versão de "It should have been easy", do americano Bob McDill. A reportagem procurou Kátia para saber quão difícil está sendo para ela atravessar este ano. Como demonstram as respostas a seguir, ao menos a conversa foi ótima. Mas, acredite, não foi fácil arrancar da cantora essas declarações. Então, dê o play abaixo (boa sorte com a complexa metalinguagem do verso 'Você está grudado em mim') e aproveite a leitura!
 
 

Qualquer jeito tornou-se uma espécie de “hino da adversidade”. Diante dos problemas e da crise econômica, as pessoas cantam ou citam o verso “não está sendo fácil” como um desabafo?

(Interrompendo). Epa! Minha música não tem nada a ver com crise econômica, não! Não está associada a isso.


Mas o tom que as pessoas usam é de humor. Muita gente cita esse verso para reclamar da segunda-feira também, por exemplo.

Ah, sim. Humor é sempre bom. Fico feliz que a música tenha esse efeito sobre o público. É muito legal. É uma faixa que transcende o tempo, atravessa gerações. Pessoal de 30, 40 anos canta. Crianças de 7 anos também sabem o refrão.


Voltando ao tema “crise”. O país enfrenta atualmente tempos bicudos tanto na economia quanto na política. Mas você também viveu os anos 80, década delicada – havia a transição para a democracia, inflação altíssima. Comparando os dois períodos, a qual deles você concederia o troféu “Não está sendo fácil”?

São outros tempos, outras mudanças, outros problemas. Mas acredito que essa, sem dúvida, é a pior crise que já vivemos. Os anos 80 foram difíceis, também estávamos em recessão, era o período pós-ditadura. Mas isso tudo não impactava tanto. A gente sentia que estava indo para o buraco, mas que ainda era possível sair dele. Hoje, não, o impacto da crise atinge todas as classes sociais.

O momento político do país é turbulento. O país acaba de enfrentar o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Mais difícil com ela ou sem ela no poder?

Era algo previsível. De acordo com os acontecimentos, não se podia esperar outra coisa. Sou a favor, sempre, do melhor para o povo, e acho que aconteceu o melhor. As coisas não estavam boas. E se não está bom, tem que mudar. O melhor aconteceu. Agora também não está bom, mas é porque toda mudança gera turbulência. Depois que a poeira baixa é que as coisas começam a caminhar. Então, temos que esperar a poeira baixar. Depois, podemos criticar.

Você é carioca e mora no Rio de Janeiro. Está satisfeita com a eleição de Marcelo Crivella para a prefeitura?

Olha, nem participei dessa eleição, estava fora do Rio. Viajei. Não sei opinar, sinceramente. Prefiro esperar para ver o que vai acontecer.

Mas o resultado lhe agradou? Em quem você teria votado?

Qualquer opinião pode ser incorreta, no sentido de falar alguma coisa que não procede. Torço por um Brasil melhor. E quando falo isso, não quero me ater ao Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco. Quero um Brasil mais feliz, quero o melhor para o meu país.

De que personalidades políticas você gosta e a quem daria um selo de “fácil”? E com quem não simpatiza e classificaria como “difícil”?

Ah, não me sinto à vontade para ficar falando sobre isso…

Michel Temer, por exemplo. O que acha dele?

Nenhuma opinião.


Lula?

Esse fez o que tinha fazer. Ou melhor: estragou o que não deveria estragar.


Dilma?

Não tenho nem palavras. Prefiro não comentar. Essa foi muito difícil. Dilma não foi fácil.

Aécio Neves?

Não sei. Não tenho o que dizer sobre ele.


PEC do Teto de Gastos (que congela os gastos do governo federal por 20 anos)?

Complicado. Fácil também não está.


Roberto Carlos?

Ele é meu padrinho artístico, amigo da minha família. Tenho contato com ele, sim. É um exemplo não só de artista como de gente.


Com relação ao showbiz, como você avalia o caminho que um artista percorre até o sucesso hoje em dia?

Os anos 80 marcaram um tempo muito especial da música brasileira. Tanto que as músicas são regravadas até hoje. Hoje, as canções são mais passageiras. Tocam seis meses, depois ninguém se lembra mais. Acho que a produção dos anos 80 foi tão bacana porque essa foi uma década em que, finalmente, depois da ditadura, tudo floriu. Em todas as áreas. Mas é claro que, hoje, existem pessoas que vieram para ficar, como Luan Santana, Michel Teló.

E os artistas difíceis de engolir para você? Arrisca dizer?

Respeito outros artistas e outros gêneros, mesmo que não sejam do meu gosto.


Você estava no topo das paradas nos anos 1980. Ganhou vários discos de ouro, platina e diamante numa época em que a venda de discos era tudo no showbiz. Hoje ainda está fácil viver de música?

Sempre vivi de música. Além disso, desenvolvo trabalhos na área de tecnologias assistivas para pessoas com deficiência visual. De vez em quando presto consultorias e orientações para esse público. Mas meu trabalho principal mesmo ainda é cantar. Faço de sete a oito shows por mês. Atualmente, menos, porque estou me dedicando ao trabalho no estúdio


Está preparando um disco novo?

A ideia é finalizar o disco novo entre janeiro e fevereiro. O lançamento deve ficar para o ano que vem. Depois, veremos a melhor maneira de distribuí-lo. Estou lançando pelo meu selo, no digital e na mídia física. Até o momento, gravamos duas canções. Uma delas é Sorte tem quem acredita nela, com participação do Fernando Mendes. Já está no Spotify. Este 2016 foi um ano atípico no nosso país. Então, achei por bem não ter pressa de terminar o produto.


É religiosa?

Tenho fé em Deus. Sempre faço minhas orações todos os dias, antes e depois dos shows, para que o universo conspire a meu favor e dos que me cercam. Rezo o terço todos os dias, acredito muito nas energias que circulam no universo. Deus que rege todo este mundo. Creio em Jesus. Então não importa se a Kátia é católica. Sou uma pessoa de Deus e canto para todos: católicos, budistas, evangélicos.


E a família?

Vai muito bem, obrigada (risos). Não sou casada nem tenho filhos. Talvez não tenha pintado a pessoa certa. Ou, se pintou, eu deixei passar.


Você está com quantos anos mesmo, Kátia?

Sobre a minha idade, gosto de dizer que sou mais velha do que ontem e mais nova que amanhã.

Por Cecília Emiliana - Estado de Minas.

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