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CCBB recebe mostra gratuita de cinema nórdico

Uma leva de novos diretores representa a instigante produção de quatro países

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postado em 23/11/2016 09:12 / atualizado em 23/11/2016 11:29

Ricardo Daehn

Arquivo/Embaixada da Suécia

 

Exceto pelos três diretores, Peter von Bagh, Nikolaj Arcel e Aki Kaurismaki, muitos nomes de renovação despontam na Mostra de Cinema Nórdico, a partir de hoje, em exibição no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Múltiplas em estilos e eras — com nomes mundialmente consagrados, a exemplo de Ingmar Bergman, Lars von Trier e Susanne Bier —, a cinematografia de países como Suécia, Dinamarca, Finlândia e Noruega desponta em 14 títulos que serão exibidos, de graça, no CCBB.

Dramas potentes despontam logo na abertura, hoje, à noite: O hotel e O guardião das causas perdidas. Ambos, por sinal, tratam de personagens sequelados por trauma. No primeiro, é a vez da internacionalmente reconhecida sueca Alicia Vikander (A garota dinamarquesa) encabeçar situação dramática que acompanha o nascimento do primeiro filme da personagem Erika. Já O guardião das causas perdidas, do dinamarquês Mikkel Norgaard, revela recônditos crimes que envolveram uma política chamada Merete. Para resolver o caso, envolto na tradição da literatura criminal nórdica, é destacado o investigador Carl, que reabre casos para a pequena divisão batizada como Q. Veja a seguir, alguns dos mais relevantes filmes a serem apresentados.

Corações valentes 
(Noruega, 2012). Não recomendado para menores de 14 anos.
Um documentário centrado nas ações e causas dos partidos da juventude trabalhista, da liga da juventude socialista e dos partidos progressista e conservador sofre inesperada guinada de foco. Com quase dois anos de projeto, a diretora norueguesa Kari Anne Moe encarou não apenas o atentado a bomba em Oslo, em 22 de julho de 2011. E o impacto maior: um neonazista da extrema-direita, disfarçado de policial,  mata mais de 70 jovens, em acampamento, na ilha de Utoya. Em foco, o destino de quatro jovens, como o da muçulmana, Sana uma das que mais sofre com o cenário de bárbaro radicalismo. Dia 2 de dezembro, às 20h30.


O hotel 
(Suécia, 2013). Não recomendado para menores de 14 anos.
Lisa Langseth foi a diretora que afirmou atrizes como Noomi Rapace (Os homens que não amavam as mulheres) e Alicia Vikander (A garota dinamarquesa). Aqui, comandando elenco homogêneo, dá nova chance ao brilho de Vikander, na pele da traumatizada Erika, que está prestes a ter o primogênito. A instabilidade faz morada no entra e sai de hoteis dos inconsequentes colegas de terapia de grupo de Erika, à frente de jogos emocionais. Solidariedade, humor e vidas devastadas estão em primeiro plano, com as personagens de David Dencik, Anna Bjelkerud, Henrik Norlén e Mira Eklund. Bjelkerud ganhou prêmio, como a mulher atrás de homens casados. Hoje, às 18h30.

Eu sou sua 
(Noruega, 2013). Não recomendado para menores de 14 anos.
Uma diretora sensível, Iram Haq comanda a história da solteira Mina (Amrita Acharia, a Irri de Game of thrones), moradora de Oslo, ao lado do filho de seis anos Felix (Prince Singh). De origem paquistanesa, a protagonista sofre bullying da família quase matriarcal, dada a histeria e o apego à tradição demonstrados pela mãe (a excelente Rabia Abid). Quem pode revolver o quadro é o sueco Jesper (Ola Rapace, de 007 — Operação Skyfall). Curiosamente, Rapace — num inesperado papel cândido — é o mesmo ator que, pela cena de luta com Daniel Craig, concorreu ao MTV Movie Awards. Dia 28, às 20h30.

O amante da rainha
(Dinamarca, 2012). Não recomendado para menores de 14 anos.
O mais famoso filme da mostra conquistou ursos de prata de roteiro e ator, no Festival de Berlim. Indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro, o filme tem assinatura de Nikolaj Arcel, autor do roteiro de Os homens que não amavam as mulheres. Ambientada no século 18, a fita conta a real trama que envolveu o rei Cristiano VII, o médico Struensee (Mads Mikkelsen) e a rainha Carolina Matilde (Alicia Vikander). O romance redefiniu a estabilidade de toda uma nação. Dia 27, às 20h30.

O centenário que saiu pela janela e desapareceu 
(Suécia, 2013). Não recomendado para menores de 12 anos.
Indicado ao prêmio de público na competição entre os melhores filmes europeus de 2013 e representante sueco, na disputa pelo prestigiado Goya espanhol, o filme tem direção de Felix Herngren, que, nascido em Estocolmo, é também ator e encarou a estreia em longa. Ele conduz a inusitada trajetória de Allan (Robert Gustafsson), ancião que empreende fuga de asilo e, metido em assassinatos, comprova a ineficiência da polícia, sem perder a pose cosmopolita. Adaptado de sucesso literário de Jonas Jonasson, com fotografia esmerada de Goran Hallberg, retrata um misto de Forrest Gump com Amélie Poulain que passeia em cenários habitados por Franco, Stalin e o fictício (e limitado) irmão do gênio Albert, Herbert Einstein. Amanhã, às 18h30.


Noroeste 
(Dinamarca, 2013). Não recomendado para menores de 16 anos.
A maior cidade da Dinamarca, Copenhague, pode abrigar algo de marginália, observada, de perto, pelo diretor Michael Noer. Irmãos na vida real, os atores Gustav e Oscar Dyekjaer Giese interpretam, respectivamente, Casper e Andy. Num crescente, eles se veem corroídos pela espiral de drogas e prostituição na qual se metem. Dissidente de uma gangue, Casper passa a atuar com Björn (Roland Moller) e, ao tempo em que observa progresso para a família, descobre o ônus das irresponsabilidades assumidas. Numa cena-chave, ele defeca, diante do medo de matar um homem. Venceu prêmio de direção Gotemburgo, no âmbito da imprensa estrangeira. Sábado, às 18h30.

Mostra de Cinema Nórdico
CCBB (SCES Tr. 2, Lt. 22, 3108-7630). De hoje a 5 de dezembro, com sessões de terça a sexta, às 18h30 e às 20h30. Sábados e domingos, também às 16h30. Entrada franca, mediante retirada prévia de ingressos.

 

 

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