SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Em entrevista, Carlos Vereza defende que não existe mais esquerda e direita

Ator esteve em Brasília para receber a Ordem do Mérito Cultural

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 28/11/2016 07:30

Diego Ponce de Leon /-

Globo/Estevam Avellar
 

 

Os mais velhos talvez se recordem melhor de Carlos Vereza exclusivamente pelos méritos artísticos. E, de fato, são muitos. Aos 58 anos de carreira, o ator carioca acumula 40 peças, 38 novelas e 15 filmes na jornada. No teatro, Vereza figura entre os cânones do palco, aclamado por uma interpretação sempre comprometida e visceral, a exemplo de No brilho da gota de sangue, espetáculo pelo qual levou o Molière, o mais importante prêmio do meio cênico. No cinema, atingiu notoriedade internacional e colecionou estatuetas pelo papel principal em Memórias do cárcere. Na tevê, são inúmeros os personagens marcantes, vide o senador Caxias em O rei do gado ou o padre Benício, de Velho Chico.

Os mais novos (e mais politizados), no entanto, devem estar mais familiarizados com as posições políticas do ator, que se se alastram pela internet por meio de inúmeros vídeos, entrevistas e participações, nos quais Vereza critica duramente a gestão petista. Exatamente o que ele volta a fazer, de maneira escancarada, nesta entrevista ao Correio realizada no Palácio do Planalto, logo após a entrega da Ordem do Mérito Cultural —  a mais distinta honraria artística do país.

O ator está em lua de mel com a capital federal, inclusive. Em 5 de dezembro, ele retorna ao Distrito Federal como principal homenageado do Prêmio Sesc do Teatro Candango. “Eu adoro vir a Brasília, onde recebo um carinho especial do público. Minhas apresentações são sempre lotadas por aqui”, afirmou, pouco antes de ser interrompido por um jovem que pediu por uma selfie. A entrevista ainda seria pausada outras duas vezes pelo mesmo motivo.

Em um período quando uma parte significativa da classe artística, encabeçada por Chicos, Caetanos e Letícias, segue vocalizada contra o governo atual, o outrora dissonante Carlos Vereza também amplia o alcance do discurso. E pensar que lá trás, todos eles já estiveram no mesmo barco, ou até na mesma cela. A trajetória política de Vereza perpassa o Partido Comunista e foi marcada por prisões durante a ditadura militar, quando acabou torturado. O enredo mudou e posturas opostas foram deflagradas, mas ele se mostra mais convicto do que nunca: “Não existe mais esse lance de tomar lados. Acabou. Ou estamos dispostos a lutar por este país ou estamos mal do coração”.


"Eu espero que as medidas sejam aprovadas: será impopular, será duro, mas será necessário"
"Talvez para mim não tenha mais esperança, mas para minhas filhas, filho e neta tem"
"Durante esses últimos 13 anos, eu fui muito boicotado artisticamente"
"Independentemente de partidos, temos agora possibilidade de estancar a sangria do povo e de retomar os investimentos"



Em pleno Palácio do Planalto, temos que falar em política. Como anda observando os movimentos da esquerda e da direita?
Não existe mais esquerda e direita. O momento de abismo, de quase insolvência, que o Lula e o petismo nos deixaram... É preciso escolher! Você não pode mais ficar em cima do muro: ou você é contra ou a favor do país. Fim! Não tem nuances, não há dúvidas hamletianas no meio. Contra ou a favor do Brasil? Não se pode mais, a pretexto de uma ideologia nefasta que não conseguiu ser implementada de forma favorável em nenhum país do mundo, querer buscar contra-argumentos. Eu agora só converso em cima de fatos.

Quais seriam esses fatos?

Temos as seguintes medidas: a PEC dos gastos, você tem a reforma do Ensino Médio e a reforma da Previdência. Se essas três medidas não forem tomadas, não há mais perspectiva para o país. Eu uso um exemplo do mundo doméstico: um chefe de família que ganha 30 não pode gastar 70. Pronto! Foi isso que aconteceu durante 13 anos e meio! As pedaladas, em síntese, foram uma irresponsabilidade. Um ato que não se podia praticar em nome de um populismo, de uma demagogia ideológica que já feneceu.

publicidade

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.

publicidade