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Sertanejo feito por mulheres tem sofrência e volta por cima

A perspectiva feminina faz sucesso no sertanejo com duplas como Mairara & Maraisa

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postado em 28/11/2016 07:30 / atualizado em 28/11/2016 10:18

Adriana Izel

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press

 

Nos últimos dois anos, as mulheres começaram a roubar a cena dentro da música sertaneja. Dessa vez, a chegada das artistas ao estilo musical se mostrou diferente das ascensões femininas do passado. Como o ritmo passou por mudanças ao longo dos anos adotando um discurso menos romântico e mais de volta por cima, as cantoras resolveram abraçar também o formato. “Artistas como Maiara & Maraisa, Marília Mendonça, entre outras, cantam músicas em que a mulher é a personagem principal, muitas vezes agindo da mesma forma que os homens agiam: bebendo, sofrendo e, desde que a geração universitária criou essa estética, dando o troco na traição também”, analisa Gustavo Alonso, autor do livro Cowboys do asfalto — Música sertaneja e modernização brasileira (2015).

Dessa forma, hoje é bastante comum encontrar letras cantadas pelas mulheres do sertanejo, nem todas de composição delas , que envolvam temáticas como sofrência, volta por cima, bebedeira em bar e relacionadas, de alguma forma, com motel. “A mulher é livre para fazer o que quiser, chegar no mercado de trabalho e escolher a profissão, de ser traída e falar, de beber sem medo do que vão falar”, afirma Marília Mendonça. A goiana é uma das representantes desse novo momento. Em seu repertório, a artista tem diversas músicas que podem se encaixar nessa mudança, entre elas, Infiel (inspirada na história de uma tia que foi traída) e Meu cupido é gari (uma sofrência pela falta de sorte no amor).

Também inspirada em uma história real, a cantora Naiara Azevedo estourou no sertanejo com  50 reais, gravada em parceria com Maiara & Maraisa. A canção chamou atenção pela letra que une sofrência, volta por cima e o um dos cenários mais adotados atualmente no sertanejo, o motel: “Não sei se dou na cara dela ou bato em você, mas eu não vim atrapalhar sua noite de prazer. E para ajudar a pagar a dama que lhe satisfaz, toma aqui uns 50 reais”.



As duplas formadas pelas irmãs Maiara & Maraisa e Simone & Simaria também se encaixam nessa alteração de protagonismo no discurso. As goianas Maiara & Maraisa ganharam destaque com  10%, em que, em um bar, uma mulher pede para o garçom trocar o DVD porque a música que toca no lugar a faz lembrar do ex. De composição de Marília Mendonça, as irmãs também gravaram Motel, em que relatam o flagra do namorado no local com uma amante.

 

Caldi Comunicação/Divulgação
 

 

Nova geração

Já as baianas Simone & Simaria trazem o discurso, por exemplo, nas faixas 126 cabides, em que revelam a “sofrência” de perder a pessoa amada, e Meu violão e o nosso cachorro. “Viemos para mostrar que a mulher pode ser bem-sucedida, independente, ter filhos, trabalhar e ter uma banda de sucesso. Que ela pode beber quando levar chifre e estiver lascada. Os homens não bebem? O povo não bebe? Por que a gente não podia beber uma?”, questiona Simaria.

Seguindo os passos dessas artistas, já existe uma nova geração de cantoras surgindo. É o caso das gêmeas Júlia & Rafaela, de 14 anos, que começaram a fazer sucesso no YouTube e lançaram na última semana o primeiro EP, com quatro faixas. O material traz os potenciais hits Na mesma moeda, em que as jovens cantam que não vão deixar barato as traições do ex-amado. “O mercado sempre ofereceu muito a sofrência e a gente gosta dessa coisa da volta por cima, de fazer diferente. Queremos fazer a galera sorrir, festejar”, garante Rafaela.

Com destaque também na internet está a goiana Lauana Prado. A artista está bombando na web com o projeto Ensaio acústico, que tem a faixa Serasa, em que a letra relata uma vingança contra um namorado, que está com uma amante: “Eu vou vender a casa, estourar o seu cartão e por seu nome no Serasa”.

“O mercado sempre ofereceu muito a sofrência e a gente gosta dessa coisa da volta por cima. Queremos fazer a galera sorrir, festejar”
Rafaela, cantora da dupla Júlia & Rafaela

 

CONFIRA TRECHOS DAS FAIXAS

 

» Marília Mendonça

Alô porteiro (Composição: Di Sousa, Adriano Bernardes e Carlos Pitty)
“Alô porteiro, tô ligando pra te avisar / Que a partir de agora eu tô solteira / Já me cansei da brincadeira / Chame o táxi que ele vai pagar / Alô porteiro, tô ligando pra te avisar / Que esse homem que está aí, ele não pode mais subir /Tá proibido de entrar”

Infiel (Composição: Marília Mendonça)
“Iêê Infiel / Eu quero ver você morar num motel / Estou te expulsando do meu coração / Assuma as consequências dessa traição”

Meu cupido é gari (Composição: Vinícius Poeta e Junior Gomes)
“O meu cupido é gari / Só me traz lixo / Lixo, lixo, você é prova disso / Lixo, lixo, você é prova disso / Esse cupido é cego / Tá demitido / Sua flecha não tem ponta / E nem sentido / Cupido amador / Uma decepção me trouxe um amor / Encomendado do lixão”

» Naiara Azevedo


50 reais (Composição: Naiara Azevedo)
“E por acaso esse motel / É o mesmo que me trouxe na lua de mel / É o mesmo que você me prometeu o céu / E agora me tirou o chão / [...] / Não sei se dou na cara dela ou bato em você / Mas eu não vim atrapalhar sua noite de prazer / E pra ajudar a pagar a dama que lhe satisfaz / Toma aqui uns 50 reais”

Ex do seu atual
(Composição: Alex Torricelli, Bruno Mandioca, Maykow Melo
e Waleria Leão)
“Garçom bota minha mesa lá / Do lado dela que eu vou desabafar / [...] / Ela precisa saber que ele não presta / E que é infiel / Prazer eu sou a ex do seu atual / Não me leve a mal / Cê tá num beco sem saída / Ele vai ferrar com a sua vida”

» Maiara & Maraisa

10% (Composição: Gabriel Agra, Danillo Dávilla)
“Garçom, troca o DVD / Que essa moda me faz sofrer / E o coração não aguenta /Desse jeito você me desmonta /Cada dose cai na conta e os 10% aumenta/ Aí cê me arrebenta”

Motel (Composição: Marília Mendonça, Juliano Tchula e Rangel Castro)
“Quase morri quando te vi entrando num motel / Levou minha vida e destruiu meu céu / Todo mundo deve saber na cidade / Me diz então porque você não terminou comigo? / Fiquei aqui, me expôs ao ridículo / Não era amor era só falsidade/ Como teve essa coragem?”

» Simone & Simaria


126 cabides
(Composição: Tatau)
“Contando são 126 cabides / E no guarda-roupa um grande espaço seu, deixado / Que faço, sou eu bem no meu canto / Futuro levado meu, roubado / Tô negociando com a solidão / Tô tentando convencer/ Que ela não fica não, se vá”

Duvido você não tomar uma (Composição: Tierry Coringa)
“Mas agora veja, diz que está mudada / Aposentou o copo, não quer mais saber de álcool / Disse que parou, que nunca mais beberia / Jurou pela vida, pela mãe e pela vó, pela tia / Mas é muita tentação / O WhatsApp tá chamando / Farras, festas e baladas”

Meu violão e o nosso cachorro (Composição: Simaria Mendes)
“Se o nosso amor se acabar eu de você não quero nada / Pode ficar com a casa inteira e o nosso carro / Por você eu vivo e morro / Mas dessa casa eu só vou levar / Meu violão e o nosso cachorro / Se amanhã a gente se acertar, tudo bem / Mas se a gente não voltar / Posso beber, posso chorar / E até ficar no choro”

» Júlia & Rafaela

Na mesma moeda (Composição: Cleber Souza e Igor Correia)
“Olha aqui, não vou deixar barato / Eu vou descontar / Pra cada chifre que eu ganhei / Uns dez “cê” vai levar / Só pra te avisar, só pra te avisar / Olha aqui, não vou passar o pano nessa traição / Nem vem bater na minha porta pedir
meu perdão”

Ai que fofo (Composição: desconhecida)
“Ai que fofo / Me chamou para sair e mandou uma declaração / Mas que pena / Ele mandou para todas da lista de transmissão / [...] / Vamos mostrar para esses homens safados como é que se faz / Pede a bebida mais cara / E dança para ele olhando
para trás”

» Lauana Prado

Serasa (Compositores: Alexandre, Rodrigo Reys, Lauana Prado e William Santos)
“Continua aí cuidando do futuro, trabalhando duro / Aproveita para economizar, você vai mesmo precisar / Eu vou vender a casa, / estourar seu cartão e por seu nome no Serasa / E quando menos esperar / vai tá largado, negativo, sem um tostão furado”

Dedo podre (Composição: Alexandre, Rodrigo Reys, Lauana Prado e William Santos)
“Morreu a chance que eu ia te dar/ Estava só esperando essa poeira baixar / Mais uma vez você estragou tudo / Agora zero chance de você voltar / [...] / Com tanta gente boa nesse mundo / O meu defeito é dedo podre para vagabundo”

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