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Correio Braziliense

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Projeto apresenta histórias da mitologia africana para o universo das HQs

Contos de Òrun Àiyé é produzido pelo baiano Hugo Canuto, em parceria com Marcelo Kina, Pedro Minho e Miriã Fonseca

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postado em 29/11/2016 07:32

Adriana Izel

Jack Kirby/Divulgação e Hugo Canuto/Divulgação

A união da cultura africana com as histórias em quadrinhos surgiu de forma despretensiosa para o baiano Hugo Canuto. No ano passado, esse fã do quadrinista norte-americano Jack Kirby, recriou em homenagem a Kirby, a icônica capa de Os Vingadores #4 sob o título The Orixas, uma mistura do termo em português e em inglês. Na ilustração, Capitão América, Homem de Ferro e Thor deram lugar a entidades da religião africana, com os moldes da HQ estadunidense, com numeração e títulos em inglês. “Eu já estudava sobre a civilização yorubá e a história da África devido a outro projeto. Então, fiz a arte, simbolizando o conceito”, explica o autor Hugo Canuto.

A boa repercussão do projeto nas redes sociais fez com que Canuto fizesse uma nova ilustração com orixás. “Deixei a imaginação fluir e surgiu outra (capa), dessa vez, com Xangô. Foi um estrondo. Muita gente entrou em contato, escrevendo sobre o quanto haviam se identificado com a ideia”, lembra. A partir daí, o baiano decidiu criar o projeto que levou o nome de Contos de Òrun Àiyé, que dará origem a uma revista com 80 páginas e duas histórias fechadas, sobre narrativas da mitologia africana. “Acredito que é preciso contar histórias que falem sobre a nossa cultura. Somos um dos países com maior diversidade. Há muito o que dizer sobre isso”, comenta.

Contos de Òrun Àiyé será lançado de forma independente e com apoio de financiamento coletivo feito pelo site Catarse. A meta de R$ 12 mil foi atingida antes mesmo do fim da campanha, que será em 13 de janeiro de 2017. A verba será usada para produzir, editar e publicar a revista, desenvolvida por Hugo Canuto em parceria com Marcelo Kina, responsável pela arte final; Pedro Minho, colorista da área de animação; e Miriã Fonseca, professora que presta consultoria. Os apoios variam de R$ 10 a R$ 1 mil, todos com direitos a recompensas, como pôsteres e camisetas. “Quisemos fazer um projeto de maneira independente, caminhando junto ao nosso público, que tem um papel fundamental no desenvolvimento”, explica Canuto.

Carreira
Contos de Òrun Àiyé/Divulgação
Formado em arquitetura, Hugo Canuto sempre esteve ligado ao campo da arte e ao mundo dos quadrinhos, consumindo as produções e sendo fã de nomes como Jack Kirby, John Buscema (Wolverine: bloody choices), Walt Simonson (The might Thor) e Moebius (The incal: classic colection). “Essa era, de certo modo, minha escola em um período anterior ao da internet, quando precisávamos ir aos sebos cavar gibis clássicos”, lembra.

Assim que encerrou a faculdade, Canuto fez um curso na Quanta Academia de Artes, em São Paulo. Esse foi o primeiro passo para criar o primeiro projeto autoral, chamado A canção de Mayube, uma saga de fantasia épica baseada em lendas dos povos indígenas, que foi lançada no ano passado durante a Comic Con Experience (SP). “Surgiu quando, após uma curta viagem a aldeia indígena dos Kiris, no Sertão a Bahia, descobri que meu avô materno nasceu ali, tendo portando uma ascendência até então desconhecida”, afirma. Neste ano, ele retorna ao evento com o projeto inicial e também com artes exclusivas de Contos de Òrun Àiyé, para divulgação na área intitulada Artist’s Alley.

Contos de Òrun Àiyé/Divulgação
Duas perguntas / Hugo Canuto

Para você, qual é a importância de trazer orixás e as temáticas africanas para os quadrinhos?

A importância está em adaptar para essa linguagem de algumas narrativas que atravessaram o tempo e as distâncias, mantendo a mesma sabedoria e encantamento de quando eram contadas nas velhas cidades da África ocidental... São parte da nossa identidade coletiva. Acredito que é necessário valorizar um dos pilares do Brasil, que infelizmente ainda sofre com discriminação e preconceitos.

Você acha que iniciativas como a sua são uma forma de representatividade?
Sempre foi a intenção, a começar pela equipe de artistas e consultores. Acredito que o público entendeu essa ideia, pois temos alguns depoimentos de professores que falaram sobre o tema levando as artes para seus alunos ou brasileiros vivendo no exterior que desejam apresentar esse aspecto do país. Sejam eles adeptos ou não das religiões de matrizes africanas, há um interesse grande.

Como ajudar
Financiamento coletivo até 13 de janeiro de 2017. Acesso pelo link https://www.catarse.me/pt/contos_de_orun_aiye_edd8.

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