Blocos encontram dificuldades para ensaiar e levar o carnaval para a rua

Blocos da cidade querem evitar burocracia e fazem vaquinha para viabilizar infraestrutura

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postado em 01/02/2017 07:30 / atualizado em 03/02/2017 12:01

 

Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 6/2/16

 

O carnaval se aproxima e com ele os tradicionais blocos da folia brasiliense ganham as ruas. Em tempos de preparação da festa é normal que o som dos  frevos, marchinhas, sambas e outros ritmos da cultura popular brasileira se espalhem por entre as quadras da capital, que vê seu carnaval se expandir a cada ano. A rigorosa Lei do Silêncio entra em pauta novamente e músicos da cidade encontram obstáculos para ensaiar os ritmo e as batidas a céu aberto. Com poucos recursos, grupos alternativos precisam dos gramados de Brasília. O objetivo é simples: preparar a festa e deixar a bateria pronta para o bloco passar.

Brasília tem uma das legislações mais rígidas do país quanto ao limite de som emitido, sendo 50dB para área com predominância de residências e hotéis e 55dB para lugares com vocação comercial, administrativa, ou recreativa. Há moradores que se incomodam com a música que se espalha pelas áreas públicas do Plano Piloto. O mais recente embate aconteceu em um ensaio do bloco Vai quem fica, na quadra 216 Norte.

Bruno Pedroso, um dos integrantes do bloco, conta que o ensaio acontecia por volta das 16h de um sábado, em 21 de janeiro. Cerca de 10 amigos se reuniram com seus instrumentos para ensaiar as marchinhas de carnaval na rua, no final de uma quadra comercial. Pouco tempo depois, uma van da Agefis estacionou perto do grupo e um dos agentes procurou o responsável pelo que chamou de evento. “Informamos que não se tratava de um evento, e sim de um ensaio. No fim das contas, a decisão coletiva foi a de não criar caso e nos mudamos para 200 metros para dentro da quadra residencial, em um gramadão”. O grupo tocou então até cerca de 20h e moradores desceram do bloco para curtir o som. Procurada pelo Correio, a presidente da Agefis, Bruna Pinheiro, explica que o órgão foi ao local devido a denúncia recebida, mas que nada foi feito pelos agentes para encerrar o ensaio. “Não configurava um evento, e os ensaios não precisam de autorização. Só é preciso ter autorização em caso de eventos que reúnam mais de 200 pessoas ou que, com número menor, tenha comércio próprio”, esclarece. “A Agefis quer que as pessoas se divirtam, nós só queremos manter a organização e evitar problemas.”



Carlos Moura/CB/D.A Press - 9/2/16

 

Caso recorrente
Outros casos semelhantes já repercutiram entre os blocos de Brasília. É o caso do Carnapati, um dos poucos bloquinhos infantis da cidade. Tereza Padilha, uma das criadoras do bloco e do Teatro Mapati, conta que já recebeu reclamações de moradores durante ensaios. “Já tive problemas quando ensaiava com as crianças na área verde em frente ao teatro. Quando vamos fazer um som, sempre temos que ir, então, para a área interna e ainda assim existe reclamação”, conta a atriz.

Vale lembrar que grande parte dos blocos alternativos  e grupos da cidade não tem estrutura física ou financeira para bancar seus inúmeros ensaios em grandes espaços fechados. A intenção é que coletivos e moradores possam conviver de maneira pacífica entre as amplas ruas da capital e que a cena artística brasiliense tenha espaço para crescer e se reinventar cada vez mais.

Em situação parecida, o grupo Patubatê teve de encerrar a parceria com uma escola, onde davam aulas de percussão. Os treinos aconteciam aos sábados, entre a comercial das quadras 205 e 206 Norte, quando o comércio estava fechado. “Um dia um morador da quadra desceu, interrompeu o ensaio, disse que o som tava chegando na casa dele e que ele chamaria a polícia. Agora estamos em uma escola da 606 Norte”, conta Fred Magalhães, um dos integrantes do grupo. A ideia do Patubatê era promover um ensaio aberto nas ruas, criando um espaço onde os moradores pudessem assistir e aproveitar.

A Secretaria de Cultura trabalha em um decreto para modernizar a legislação sobre o carnaval de rua. A última lei que trata dessa manifestação cultural é da década de 1970. Outro texto que deve entrar em vigor promete ser um ponto positivo para a folia, principalmente dentro das quadras são as alterações relativas à emissão e fiscalização da poluição sonora. Serão três decretos, entre eles a criação de conselhos que se encarreguem de intermediar os envolvidos em denúncias em relação a manifestações sonoras. O objetivo é ampliar o diálogo entre artistas, donos de estabelecimentos e vizinhança. Aumento dos níveis sonoros permitidos e mudança na forma de medição dos sons também foram propostos para flexibilizar a lei que vigora desde 2008.



Financiamento coletivo
Conhecendo a importância do carnaval como uma festa da cultura e da diversidade, os blocos alternativos do carnaval de Brasília reuniram-se para promover um financiamento coletivo para viabilizar o pagamento dos cachês  e prestigiar os artistas que sempre fazem a festa na capital.

Os colaboradores podem contribuir com quantias diversas e receberão recompensas como camisetas dos blocos, baby-dolls, agradecimentos nas páginas, oficinas, maquiagens artísticas e até mesmo um grande evento de ressaca de carnaval, caso a meta seja atingida. Dezesseis blocos participam do projeto.

Dayse Hansa, produtora do Carnapati e integrante do projeto, conta que a ideia da vaquinha surgiu a partir da demanda de alguns blocos da cidade, que têm em sua composição grupos artísticos profissionais e que, nos últimos anos, tocavam e se apresentavam sem apoio e sem cachês.

Vale lembrar que o carnaval de rua brasiliense aumenta a cada ano e as alternativas na cidade vão desde samba, marchinhas, maracatu e frevo, até música eletrônica. Se os blocos crescem em número e diversidade, aumentam também os custos e é preciso investir mais em infraestrutura para garantir a qualidade dos eventos.

 

Para colaborar, basta entrar no linkhttps://benfeitoria.com/blocosalternativosbsb

 

* Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira


Blocos no financiamento coletivo

Agoniza, mas não morre

Abrindo a roda

Babydoll de nylon

Cafuçu do cerrado

Calango careta

Carnapati (infantil)

Encosta que cresce

Falta pouco

Filhos de Zé

Bloco Libre

Maria vai casoutras

Me engole que eu sou jiló

Vai com as profanas

Ressacada percussiva do Patubatê

Suvaco da asa

Vilões da vila




Qual é o melhor de Brasília?

Agora não tem mais jeito: o carnaval é nosso! O brasiliense se apropriou, de vez, da festa do Momo. Toma as ruas da cidade, dança, beija, traveste-se do que bem entende. Segue o trio, cai no samba, no axé, nas marchinhas e — quem diria — na música eletrônica. Senhor dos festejos, nada mais justo que vista a fantasia de juiz e eleja o melhor bloco de 2017. O Correio Braziliense formará uma comissão julgadora e contará também com uma enquete popular para entregar um troféu aos quatro escolhidos. Para votar, entre no site www.correiobraziliense.com.br e participe. Que vençam os mais animados!

 

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